Câmara Municipal de Araujos

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CÂMARA MUNICIPAL DE ARAÚJOS

Constituição Estadual

Preâmbulo

Nós, representantes do povo do Estado de Minas Gerais,
fiéis aos ideais de liberdade de sua tradição, reunidos em
Assembléia Constituinte, com o propósito de instituir ordem
jurídica autônoma, que, com base nas aspirações dos mineiros,
consolide os princípios estabelecidos na Constituição da
República, promova a descentralização do Poder e assegure o seu
controle pelos cidadãos, garanta o direito de todos à cidadania
plena, ao desenvolvimento e à vida, numa sociedade fraterna,
pluralista e sem preconceito, fundada na justiça social,
promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição:

TÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º – O Estado de Minas Gerais integra, com autonomia
político-administrativa, a República Federativa do Brasil.
§ 1º – Todo o poder do Estado emana do povo, que o exerce
por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos da
Constituição da República e desta Constituição.
§ 2º – O Estado se organiza e se rege por esta Constituição
e leis que adotar, observados os princípios constitucionais da
República.

Art. 2º – São objetivos prioritários do Estado:
I – garantir a efetividade dos direitos públicos
subjetivos;
II – assegurar o exercício, pelo cidadão, dos mecanismos de
controle da legalidade e legitimidade dos atos do Poder Público
e da eficácia dos serviços públicos;
III – preservar os valores éticos;
IV – promover a regionalização da ação administrativa, em
busca do equilíbrio no desenvolvimento das coletividades;
V – criar condições para a segurança e a ordem públicas;
VI – promover as condições necessárias para a fixação do
homem no campo;
VII – garantir a educação, o ensino, a saúde e a
assistência à maternidade, à infância, à adolescência e à
velhice;
VIII – dar assistência ao Município, especialmente ao de
escassas condições de propulsão sócio-econômica;
IX – preservar os interesses gerais e coletivos;
X – garantir a unidade e a integridade de seu território;
XI – desenvolver e fortalecer, junto aos cidadãos e aos
grupos sociais, os sentimentos de pertinência à comunidade
mineira em favor da preservação da unidade geográfica de Minas
Gerais e de sua identidade social, cultural, política e
histórica.

Art. 3º – O território do Estado somente será incorporado,
dividido ou desmembrado, com aprovação da Assembléia
Legislativa.

TÍTULO II
OS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

Art. 4º – O Estado assegura, no seu território e nos
limites de sua competência, os direitos e garantias fundamentais
que a Constituição da República confere aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País.
§ 1º – Incide na penalidade de destituição de mandato
administrativo ou de cargo ou função de direção, em órgão da
administração direta ou entidade da administração indireta, o
agente público que deixar injustificadamente de sanar, dentro de
noventa dias da data do requerimento do interessado, omissão que
inviabilize o exercício de direito constitucional.
§ 2º – Independe do pagamento de taxa ou de emolumento ou
de garantia de instância o exercício do direito de petição ou
representação, bem como a obtenção de certidão para a defesa de
direito ou esclarecimento de situação de interesse pessoal.
§ 3º – Nenhuma pessoa será discriminada, ou de qualquer
forma prejudicada, pelo fato de litigar com órgão ou entidade
estadual, no âmbito administrativo ou no judicial.
§ 4º – Nos processos administrativos, qualquer que seja o
objeto e o procedimento, observar-se-ão, entre outros requisitos
de validade, a publicidade, o contraditório, a defesa ampla e o
despacho ou a decisão motivados.
§ 5º – Todos têm o direito de requerer e obter informação
sobre projeto do Poder Público, a qual será prestada no prazo da
lei, ressalvada aquela cujo sigilo seja imprescindível à
segurança da sociedade e do Estado.
§ 6º – O Estado garante o exercício do direito de reunião e
de outras liberdades constitucionais e a defesa da ordem
pública, da segurança pessoal e dos patrimônios público e
privado.
§ 7º – Ao presidiário é assegurado o direito a:
I – assistência médica, jurídica e espiritual;
II – aprendizado profissionalizante e trabalho produtivo e
remunerado;
III – acesso a notícia divulgada fora do ambiente
carcerário;
IV – acesso aos dados relativos à execução da respectiva
pena;
V – creche ou outras condições para o atendimento do
disposto no art. 5º, L, da Constituição da República.
§ 8º – É passível de punição, nos termos da lei, o agente
público que, no exercício de suas atribuições e
independentemente da função que exerça, violar direito
constitucional do cidadão.

Art. 5º – Ao Estado é vedado:
I – estabelecer culto religioso ou igreja, subvencioná-los,
embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou com seus
representantes relações de dependência ou de aliança,
ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;
II – recusar fé a documento público;
III – criar distinção entre brasileiros ou preferência em
relação às demais unidades e entidades da Federação.

TÍTULO III
DO ESTADO
CAPÍTULO I
DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO
Seção I
Disposições Gerais

Art. 6º – São Poderes do Estado, independentes e harmônicos
entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
Parágrafo único – Ressalvados os casos previstos nesta
Constituição, é vedado a qualquer dos Poderes delegar atribuição
e, a quem for investido na função de um deles, exercer a de
outro.

Art. 7º – São símbolos do Estado a bandeira, o hino e o
brasão, definidos em lei.

Art. 8º – A cidade de Belo Horizonte é a Capital do Estado.

Seção II
Da Competência do Estado

Art. 9º – É reservada ao Estado a competência que não lhe
seja vedada pela Constituição da República.

Art. 10 – Compete ao Estado:
I – manter relações com a União, os Estados Federados, o
Distrito Federal e os Municípios;
II – organizar seu Governo e Administração;
III – firmar acordo, convênio, ajuste e instrumento
congênere;
IV – difundir a seguridade social, a educação, a cultura, o
desporto, a ciência e a tecnologia;
V – proteger o meio ambiente;
VI – manter e preservar a segurança e a ordem públicas e a
incolumidade da pessoa e do patrimônio;
VII – intervir no Município, nos casos previstos nesta
Constituição;
VIII – explorar diretamente, ou mediante concessão a
empresa estatal, com exclusividade de distribuição, os serviços
locais de gás canalizado;
IX – explorar diretamente, ou mediante concessão, os
serviços de transporte ferroviário e aquaviário que não
transponham os limites do seu território e o rodoviário estadual
de passageiros;
X – instituir região metropolitana, aglomeração urbana e
microrregião;
XI – instituir plano de aproveitamento e destinação de
terra pública e devoluta, compatibilizando-o com a política
agrícola e com o plano nacional de reforma agrária;
XII – criar sistema integrado de parques estaduais,
reservas biológicas, estações ecológicas e equivalentes,
adequado à conservação dos ecossistemas do Estado, para proteção
ecológica, pesquisa científica e recreação pública, e dotá-los
dos serviços públicos indispensáveis às suas finalidades;
XIII – dispor sobre sua divisão e organização judiciárias e
divisão administrativa;
XIV – suplementar as normas gerais da União sobre:
a) organização, efetivos, garantias, direitos e deveres da
Polícia Militar;
b) licitação e contrato administrativo na administração
pública direta e indireta;
XV – legislar privativamente nas matérias de sua
competência e, concorrentemente, com a União, sobre:
a) direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico
e urbanístico;
b) orçamento;
c) junta comercial;
d) custas dos serviços forenses;
e) produção e consumo;
f) florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza,
defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do ambiente e
controle da poluição;
g) proteção do patrimônio histórico, cultural, artístico,
turístico e paisagístico;
h) responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao
consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético,
histórico, turístico e paisagístico;
i) educação, cultura, ensino e desporto;
j) criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas
causas;
l) procedimentos em matéria processual;
m) previdência social, proteção e defesa da saúde;
n) assistência jurídica e defensoria pública;
o) apoio e assistência ao portador de deficiência e sua
integração social;
p) proteção à infância e à juventude;
q) organização, garantias, direitos e deveres da Polícia
Civil.
§ 1º – No domínio da legislação concorrente, o Estado
exercerá:
I – competência suplementar;
II – competência plena, quando inexistir lei federal sobre
normas gerais, ficando suspensa a eficácia da lei estadual no
que for contrário a lei federal superveniente.
§ 2º – O Estado poderá legislar sobre matéria da
competência privativa da União, quando permitido em lei
complementar federal.

Art. 11 – É competência do Estado, comum à União e ao
Município:
I – zelar pela guarda da Constituição, das leis e das
instituições democráticas e conservar o patrimônio público;
II – cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e
garantia do portador de deficiência;
III – proteger os documentos, obras e outros bens de valor
histórico, artístico e cultural, os monumentos, paisagens
naturais notáveis e sítios arqueológicos;
IV – impedir a evasão, destruição e descaracterização de
obra de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou
cultural;
V – proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação e
à ciência;
VI – proteger o meio ambiente e combater a poluição em
qualquer de suas formas;
VII – preservar as florestas, a fauna e a flora;
VIII – fomentar a produção agropecuária e organizar o
abastecimento alimentar, com a viabilização da assistência
técnica ao produtor e da extensão rural;
IX – promover programas de construção de moradias e a
melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico;
X – combater as causas da pobreza e os fatores de
marginalização, mediante a integração social dos setores
desfavorecidos;
XI – registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de
direito de pesquisa e de exploração de recursos hídricos e
minerais em seu território;
XII – estabelecer e implantar política de educação para a
segurança do trânsito.

Seção III
Do Domínio Público

Art. 12 – Formam o domínio público patrimonial do Estado os
seus bens móveis e imóveis, os seus direitos e os rendimentos
das atividades e serviços de sua competência.
Parágrafo único – Incluem-se entre os bens do Estado:
I – as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes,
emergentes e em depósito, salvo, neste caso, na forma da lei
federal, as decorrentes de obra da União;
II – as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à
União;
III – os lagos em terreno de seu domínio e os rios que em
seu território têm nascente e foz, salvo os de domínio da União;
IV – as terras devolutas não compreendidas entre as da
União.

Seção IV
Da Administração Pública

Art. 13 – A atividade de administração pública dos Poderes
do Estado e da entidade descentralizada se sujeitarão aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e razoabilidade.
§ 1º – A moralidade e a razoabilidade dos atos do Poder
Público serão apuradas, para efeito de controle e invalidação,
em face dos dados objetivos de cada caso.
§ 2º – O agente público motivará o ato administrativo que
praticar, explicitando-lhe o fundamento legal, o fático e a
finalidade.

Art. 14 – Administração pública direta é a que compete a
órgão de qualquer dos Poderes do Estado.
§ 1º – Administração pública indireta é a que compete:
I – à autarquia, de serviço ou territorial;
II – à sociedade de economia mista;
III – à empresa pública;
IV – à fundação pública;
V – às demais entidades de direito privado, sob controle
direto ou indireto do Estado.
§ 2º – A atividade administrativa do Estado se organizará
em sistemas, principalmente a de planejamento, a de finanças e a
de administração geral.
§ 3º – É facultado ao Estado criar órgão, dotado de
autonomia financeira e administrativa, segundo a lei, sob a
denominação de órgão autônomo.
§ 4º – Depende de lei, em cada caso:
I – a instituição e a extinção de autarquia, fundação
pública e órgão autônomo;
II – a autorização para instituir e extinguir sociedade de
economia mista e empresa pública e para alienar ações que
garantam, nestas entidades, o controle pelo Estado;
III – a criação de subsidiária das entidades mencionadas
neste parágrafo e sua participação em empresa privada.
§ 5º – Ao Estado somente é permitido instituir ou manter
fundação com a natureza de pessoa jurídica de direito público.
§ 6º – Entidade da administração indireta somente pode ser
instituída para a prestação de serviço público.
§ 7º – As relações jurídicas entre o Estado e o particular
prestador de serviço público em virtude de delegação, sob a
forma de concessão, permissão ou autorização, são regidas pelo
direito público.
§ 8º – É vedada a delegação de poderes ao Executivo para
criação, extinção ou transformação de entidade de sua
administração indireta.

Art. 15 – Observadas as normas gerais estabelecidas pela
União, lei estadual disciplinará o procedimento de licitação,
obrigatória para a contratação de obra, serviço, compra,
alienação e concessão.
§ 1º – Na licitação a cargo do Estado ou de entidade de
administração indireta, observar-se-ão, entre outros, sob pena
de nulidade, os princípios de isonomia, publicidade, probidade
administrativa, vinculação ao instrumento convocatório e
julgamento objetivo.
§ 2º – …………………………………………
(Suprimido pela Emenda à Constituição 15, de 1º/12/1995).
Dispositivos suprimido:
“§ 2º – Para a determinação da modalidade de licitação, nos
casos de obras e serviços de engenharia, compras e serviços, a
cargo de qualquer dos Poderes do Estado ou de entidade da
administração indireta os limites máximos de valor corresponderão
a cinqüenta por cento dos adotados pela União.”

Art. 16 – As pessoas jurídicas de direito público e as de
direito privado prestadoras de serviços públicos responderão
pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros, sendo obrigatória a regressão, no prazo estabelecido
em lei, contra o responsável, nos casos de dolo ou culpa.

Art. 17 – A publicidade de ato, programa, projeto, obra,
serviço e campanha de órgão público, por qualquer veículo de
comunicação, somente pode ter caráter informativo, educativo ou
de orientação social, e dela não constarão nome, símbolo ou
imagem que caracterizem a promoção pessoal de autoridade,
servidor público ou partido político.
Parágrafo único – Os Poderes do Estado e do Município,
incluídos os órgãos que os compõem, publicarão, trimestralmente,
o montante das despesas com publicidade pagas, ou contratadas
naquele período com cada agência ou veículo de comunicação.

Art. 18 – A aquisição de bem imóvel, a título oneroso,
depende de avaliação prévia e de autorização legislativa,
exigida ainda, para a alienação, a licitação, salvo nos casos de
permuta e doação, observada a lei.
§ 1º – A alienação de bem móvel depende de avaliação prévia
de licitação, dispensável esta, na forma da lei, nos casos de:
I – doação;
II – permuta.
§ 2º – O uso especial de bem patrimonial do Estado por
terceiro será objeto, na forma da lei, de:
I – concessão, mediante contrato de direito público,
remunerada ou gratuita, ou a título de direito real resolúvel;
II – permissão;
III – cessão;
IV – autorização.
§ 3º – Os bens do patrimônio estadual devem ser
cadastrados, zelados e tecnicamente identificados, especialmente
as edificações de interesse administrativo, as terras públicas e
a documentação dos serviços públicos.
§ 4º – O cadastramento e a identificação técnica dos
imóveis do Estado, de que trata o parágrafo anterior, devem ser
anualmente atualizados, garantido o acesso às informações nele
contidas.
§ 5º – O disposto neste artigo se aplica às autarquias e às
fundações públicas.

Art. 19 – A administração fazendária e seus servidores
fiscais terão, dentro das respectivas áreas de competência e
jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos,
na forma da lei.

Seção V
Dos Servidores Públicos
Subseção I
Disposições Gerais

Art. 20 – A atividade administrativa permanente é exercida:
I – em qualquer dos Poderes do Estado, nas autarquias e nas
fundações públicas, por servidor público, ocupante de cargo
público, em caráter efetivo ou em comissão, ou de função
pública;
II – nas sociedades de economia mista, empresas públicas e
demais entidades de direito privado sob o controle direto ou
indireto do Estado, por empregado público, ocupante de emprego
público ou função de confiança.

Art. 21 – Os cargos, empregos e funções são acessíveis aos
brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei.
§ 1º – A investidura em cargo ou emprego público depende de
aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e
títulos, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão
declarado em lei de livre nomeação e exoneração.
§ 2º – O prazo de validade do concurso público é de até
dois anos, prorrogável, uma vez, por igual período.
§ 3º – Durante o prazo improrrogável previsto no edital de
convocação, o aprovado em concurso público será convocado,
observada a ordem de classificação, com prioridade sobre novos
concursados, para assumir o cargo ou emprego na carreira.
§ 4º – A inobservância do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º deste
artigo implica nulidade do ato e punição da autoridade
responsável, nos termos da lei.

Art. 22 – A lei estabelecerá os casos de contratação por
tempo determinado, para atender a necessidade temporária de
excepcional interesse público.
Parágrafo único – O disposto neste artigo não se aplica a
funções de magistério.

Art. 23 – O cargo em comissão e a função de confiança serão
exercidos, preferencialmente, por servidor ocupante de cargo de
carreira técnica e profissional, nos casos e condições previstos
em lei.
Parágrafo único – Nas entidades da administração indireta,
pelo menos um cargo ou função de confiança de direção superior
será provido por servidor ou empregado público de carreira da
respectiva instituição.

Art. 24 – A revisão geral da remuneração do servidor
público, sem distinção de índices entre servidor público civil e
militar, se fará sempre na mesma data.
§ 1º – A lei fixará o limite máximo e a relação de valores
entre a maior e a menor remuneração do servidor público,
observados, como limites e no âmbito dos respectivos Poderes, os
valores percebidos como remuneração, em espécie, a qualquer
título, pelo Deputado Estadual, Desembargador e Secretário de
Estado.
§ 2º – Os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do
Poder Judiciário não podem ser superiores aos percebidos no
Poder Executivo.
§ 3º – É vedado vincular ou equiparar espécies
remuneratórias para efeito de remuneração de pessoal do serviço
público. (Redação dada pela Emenda à Constituição nº 40, de
24/05/2000)
§ 4º – Os acréscimos pecuniários percebidos por servidor
público não serão computados nem acumulados, para o fim de
concessão de acréscimo ulterior, sob o mesmo título ou idêntico
fundamento.
§ 5º – Os vencimentos do servidor público civil e militar
são irredutíveis e a remuneração observará o disposto nos §§ 1º
e 2º deste artigo e os preceitos estabelecidos nos arts. 150,
II, 153, III, e 153, § 2º, I, da Constituição da República.
§ 6º – O Estado, no âmbito de cada Poder, pode cobrar
contribuição social de seus servidores, para custeio de sistemas
de previdência e assistência social, nos termos da Constituição
da República e na forma da lei.
§ 7º – A contribuição do servidor civil e militar do Poder
Executivo, para efeito do disposto no parágrafo anterior, não
será superior a um terço do valor atuarialmente exigível.
§ 8º – Os órgãos de direção de entidade responsável pela
previdência e assistência social terão a participação de
servidores públicos estaduais de carreira dela contribuintes.

Art. 25 – É vedada a acumulação remunerada de cargos
públicos, permitida, se houver compatibilidade de horários:
I – a de dois cargos de professor;
II – a de um cargo de professor com outro técnico ou
científico;
III – a de dois cargos privativos de médico.
Parágrafo único – A proibição de acumular se estende a
empregos e funções e abrange autarquia, empresas públicas,
sociedades de economia mista e fundações públicas.

Art. 26 – Ao servidor público em exercício de mandato
eletivo se aplicam as seguintes disposições:
I – tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou
distrital, ficará afastado do cargo, emprego ou função;
II – investido no mandato de Prefeito, será afastado do
cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar por sua
remuneração;
III – investido no mandato de Vereador, se houver
compatibilidade de horários, perceberá as vantagens de seu
cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo
eletivo, e, se não houver, será aplicada a norma do inciso
anterior;
IV – em qualquer caso que exija o afastamento para o
exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço será contado
para todos os efeitos legais, exceto para promoção por
merecimento;
V – para o efeito de benefício previdenciário, no caso de
afastamento, os valores serão determinados como se no exercício
estivesse.

Art. 27 – A despesa com o pessoal ativo e com o inativo do
Estado não pode exceder os limites estabelecidos em lei
complementar federal.
Parágrafo único – A concessão de vantagem ou o aumento de
remuneração, a criação de cargo ou a alteração de estrutura de
carreira, e a admissão de pessoal, a qualquer título, por órgão
da administração direta ou entidade da administração indireta,
só podem ser feitos:
I – se houver prévia dotação orçamentária suficiente para
atender às projeções de despesa de pessoal e aos acréscimos dela
decorrentes;
II – se houver autorização específica na Lei de Diretrizes
Orçamentárias, ressalvadas as empresas públicas e sociedades de
economia mista.

Art. 28 – A lei reservará percentual dos cargos e empregos
públicos para provimento com portador de deficiência e definirá
os critérios de sua admissão.
Art. 29 – Os atos de improbidade administrativa importam a
suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a
indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma
e na gradação estabelecidas em lei, sem prejuízo da ação penal
cabível.

Subseção II
Dos Servidores Públicos Civis

Art. 30 – O Estado instituirá regime jurídico único e
planos de carreira para os servidores dos órgãos da
administração direta, das autarquias e das fundações públicas.
§ 1º – A política de pessoal obedecerá às seguintes
diretrizes:
I – valorização e dignificação da função pública e do
servidor público;
II – profissionalização e aperfeiçoamento do servidor
público;
III – constituição de quadro dirigente, mediante formação e
aperfeiçoamento de administradores;
IV – sistema do mérito objetivamente apurado para ingresso
no serviço e desenvolvimento na carreira;
V – remuneração compatível com a complexidade e a
responsabilidade das tarefas e com a escolaridade exigida para
seu desempenho.
§ 2º – Ao servidor público que, por acidente ou doença,
tornar-se inapto para exercer as atribuições específicas de seu
cargo, serão assegurados os direitos e vantagens a ele
inerentes, até seu definitivo aproveitamento em outro cargo.
§ 3º – Para provimento de cargo de natureza técnica,
exigir-se-á a respectiva habilitação profissional.

Art. 31 – O Estado assegurará ao servidor público civil os
direitos previstos no art. 7º, incisos IV, VII, VIII, IX, XII,
XIII, XV a XX, XXII e XXX, da Constituição da República e os
que, nos termos da lei, visem à melhoria de sua condição social
e da produtividade no serviço público, especialmente: (Redação
dada pela Emenda à Constituição nº 48, de 27/12/2000).
I – adicionais por tempo de serviço;
II – férias-prêmio, com duração de três meses a cada
cinco anos de efetivo exercício no serviço público do Estado de
Minas Gerais, admitida sua conversão em espécie, paga a título de
indenização, quando da aposentadoria ou a contagem em dobro das
não gozadas para fins de percepção de adicionais por tempo de
serviço;(Redação dada pela Emenda à Constituição nº 48, de
27/12/2000).
III – assistência e previdência sociais, extensivas ao
cônjuge ou companheiro e aos dependentes;
IV – assistência gratuita, em creche e pré-escola, aos
filhos e dependentes, desde o nascimento até seis anos de idade;
§ 2º – Ao detentor, exclusivamente, de cargo em comissão
declarado de livre nomeação e exoneração ou de função pública não
estável fica assegurada a conversão em espécie das férias-prêmio
não gozadas, a título de indenização, por motivo de exoneração,
desde que não seja reconduzido ao serviço público estadual no
prazo de noventa dias contados da data da exoneração. (Acrescido
pela Emenda à Constituição nº 48, de 27/12/2000).
§ 3º – Para a conversão em espécie de que trata o § 2º, a
base de cálculo será a média ponderada dos vencimentos dos cargos
ocupados pelo servidor no período a que se referir o benefício.
(Acrescido pela Emenda à Constituição nº 48, de 27/12/2000).
§ 4º – Para os fins do disposto no § 2º, só serão computadas
as férias-prêmio decorrentes de serviço público estadual prestado
no próprio Poder em que houver ocorrido a exoneração.”. (Acrescido
pela Emenda à Constituição nº 48, de 27/12/2000).
V – adicional de remuneração para as atividades penosas,
insalubres ou perigosas;
VI – adicional sobre a remuneração, quando completar trinta
anos de serviço, ou antes disso, se implementado o interstício
necessário para a aposentadoria.
§ 1º – Cada período de cinco anos de efetivo
exercício dá ao servidor direito a adicional de dez por cento
sobre seu vencimento e gratificação inerente ao exercício de
cargo ou função, o qual a estes se incorpora para o efeito de
aposentadoria, ao passo que, no magistério estadual, o adicional
de quinquênio será, no mínimo, de dez por cento. (Redação dada
pela Emenda à Constituição 48, de 27/12/2000).
§ 2º – Ao detentor, exclusivamente, de cargo em comissão
declarado de livre nomeação e exoneração ou de função pública não
estável fica assegurada a conversão em espécie das férias-prêmio
não gozadas, a título de indenização, por motivo de exoneração,
desde que não seja reconduzido ao serviço público estadual no
prazo de noventa dias contados da data da exoneração. (Acrescido
pela Emenda à Constituição 47, de 27/12/2000).
§ 3º – Para a conversão em espécie de que trata o § 2º, a
base de cálculo será a média ponderada dos vencimentos dos cargos
ocupados pelo servidor no período a que se referir o benefício.
(Acrescido pela Emenda à Constituição 47, de 27/12/2000).
§ 4º – Para os fins do disposto no § 2º, só serão computadas
as férias-prêmio decorrentes de serviço público estadual prestado
no próprio Poder em que houver ocorrido a exoneração. (Acrescido
pela Emenda à Constituição 47, de 27/12/2000).

Art. 32 – A fixação dos padrões de vencimento e dos demais
componentes do sistema remuneratório observará: (Redação dada pela
Emenda à Constituição nº 40, de 24/05/2000)
I – a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade
dos cargos que compõem cada carreira;(Acrescido pela Emenda à
Constituição nº 40, de 24/05/2000)
II – os requisitos para a investidura nos cargos; (Acrescido
pela Emenda à Constituição nº 40, de 24/05/2000)
III – as peculiaridades dos cargos. (Acrescido pela Emenda à
Constituição nº 40, de 24/05/2000)
§ 1º – O servidor público civil, incluído o das autarquias
e fundações, detentor de título declaratório que lhe assegure
direito à continuidade de percepção da remuneração de cargo de
provimento em comissão, tem direito aos vencimentos, às
gratificações e a todas as demais vantagens inerentes ao cargo
em relação ao qual tenha ocorrido o apostilamento, ainda que
decorrentes de transformação ou reclassificação posteriores.
§ 2º – O disposto no parágrafo anterior se aplica no que
couber ao servidor público detentor de título declaratório que
lhe assegure direito à continuidade de percepção de remuneração
relativamente a funções.
§ 3º – Observado o disposto no “caput” e incisos deste
artigo, a lei disporá sobre reajustes diferenciados nas
administrações direta, autárquica e fundacional dos três Poderes
do Estado, visando à reestruturação do sistema remuneratório de
funções, cargos e carreiras. (Acrescido pela Emenda à Constituição
nº 40, de 24/05/2000)

Art. 33 – O direito de greve será exercido nos termos e nos
limites definidos em lei complementar federal.

Art. 34 – É garantida a liberação do servidor público para
exercício de mandato eletivo em diretoria de entidade sindical
representativa de servidores públicos, de âmbito estadual, sem
prejuízo da remuneração e dos demais direitos e vantagens do seu
cargo.(Redação dada pela Emenda à Constituição 8, de 13/7/1993).
§ 1º – Os servidores eleitos para cargos de direção ou
de representação serão liberados, na seguinte proporção, para
cada sindicato: (Acrescido pela Emenda à Constituição 8, de
13/7/1993). (Argüida a inconstitucionalidade – ADIN 990.Liminar
indeferida em 24/3/94). (Renumerado pela Emenda à Constituição 37,
de 29/12/1998).
I – de 1.000 (mil) a 3.000 (três mil) filiados, 1 (um)
representante; (Acrescido pela Emenda à Constituição 8, de
13/7/1993). (Argüida a inconstitucionalidade – ADIN 990.Liminar
indeferida em 24/3/1994).
II – de 3.001 (três mil e um) a 6.000 (seis mil) filiados, 2
(dois) representantes; (Acrescido pela Emenda à Constituição 8, de
13/7/1993). (Argüida a inconstitucionalidade – ADIN 990.Liminar
indeferida em 24/3/94).
III – de 6.001 (seis mil e um) a 10.000 (dez mil) filiados, 3
(três) representantes; (Acrescido pela Emenda à Constituição 8, de
13/7/93). (Argüida a inconstitucionalidade – ADIN 990.Liminar
indeferida em 24/3/1994).
IV – acima de 10.000 (dez mil) filiados, 4 (quatro)
representantes. (Acrescido pela Emenda à Constituição 8, de
13/7/1993). (Argüida a inconstitucionalidade – ADIN 990.Liminar
indeferida em 24/3/94).
§ 2º – O Estado procederá ao desconto, em folha ou ordem de
pagamento, de consignações autorizadas pelos servidores públicos
civis das administrações direta e indireta em favor dos sindicatos
e associações de classe, efetuando o repasse às entidades até o
quinto dia do mês subseqüente ao mês de competência do pagamento
dos servidores, observada a data do efetivo desconto. (Acrescido
pela Emenda à Constituição 37, de 29/12/1998).

Art. 35 – É estável após dois anos de efetivo exercício, o
servidor público nomeado em virtude de concurso público.
§ 1º – O servidor público estável só perderá o cargo em
virtude de sentença judicial transitada em julgado ou processo
administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa.
§ 2º – Invalidada por sentença judicial a demissão do
servidor público estável, será ele reintegrado, e o eventual
ocupante da vaga reconduzido ao cargo de origem, sem direito a
indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em
disponibilidade.
§ 3º – Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o
servidor público estável ficará em disponibilidade remunerada,
até seu adequado aproveitamento em outro cargo.

Art. 36 – O servidor público será aposentado:
I – por invalidez permanente, com proventos integrais,
quando decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional
ou doença grave, contagiosa ou incurável, especificadas em lei,
e proporcionais, nos demais casos;
II – compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com
proventos proporcionais ao tempo de serviço;
III – voluntariamente:
a) aos trinta e cinco anos de serviço, se homem, e aos
trinta, se mulher, com proventos integrais;
b) aos trinta anos de efetivo exercício em funções de
magistério, se professor, e aos vinte e cinco, se professora,
com proventos integrais;
c) aos trinta anos de serviço, se homem, e aos vinte e
cinco, se mulher, com proventos proporcionais a esse tempo;
d) aos sessenta e cinco anos de idade, se homem, e aos
sessenta, se mulher, com proventos proporcionais ao tempo de
serviço.
§ 1º – As exceções ao disposto no inciso III, alíneas “a” e
“c”, no caso de exercício de atividades consideradas penosas,
insalubres ou perigosas, serão as estabelecidas em lei
complementar federal.
§ 2º – A lei disporá sobre a aposentadoria em cargo ou
emprego temporários.
§ 3º – O tempo de serviço público federal, estadual ou
municipal será computado integralmente para os efeitos de
aposentadoria e disponibilidade.
§ 4º – Os proventos da aposentadoria, nunca inferiores ao
salário mínimo, serão revistos, na mesma proporção e na mesma
data, sempre que se modificar a remuneração do servidor em
atividade, e serão estendidos ao inativo os benefícios ou
vantagens posteriormente concedidos ao servidor em atividade,
mesmo quando decorrentes de transformação ou reclassificação do
cargo ou da função em que se tiver dado a aposentadoria, na
forma da lei.
§ 5º – O benefício da pensão por morte corresponderá à
totalidade dos vencimentos ou proventos do servidor falecido,
observado o disposto no parágrafo anterior.
§ 6º – É assegurado ao servidor afastar-se da atividade a
partir da data do requerimento de aposentadoria, e sua não-
concessão importará o retorno do requerente para o cumprimento do
tempo de serviço, que àquela data, faltava para a aquisição do
direito. (Redação dada pela Emenda à Constituição 20, de
20/12/1996).
§ 7º – Para efeito de aposentadoria, é assegurada a
contagem recíproca do tempo de serviço nas atividades públicas
ou privada, nos termos do § 2º do art. 202 da Constituição da
República.(Redação dada pela Emenda à Constituição 9, de
13/7/1993).
§ 8º – Na aposentadoria, fica mantida a sistemática e a
forma de cálculo dos adicionais da atividade.

Art. 37 – O servidor público que retornar à atividade após
a cessação dos motivos que causaram sua aposentadoria por
invalidez, terá direito, para todos os fins, salvo para o de
promoção, à contagem do tempo relativo ao período de
afastamento.

Art. 38 – Assegurados, no que couber, os direitos, garantias
e prerrogativas previstos nas Subseções I e II deste Capítulo e
observado o disposto no art. 32 desta Constituição, a lei disporá
sobre os planos de carreira e o regime jurídico dos servidores
policiais civis. (Redação dada pela Emenda à Constituição nº 40,
de 24/05/2000)

Seção VI
Dos Militares do Estado (Redação dada pela Emenda
à Constituição nº 40, de 24/05/2000)

Art. 39 – São militares do Estado os integrantes da Polícia
Militar e do Corpo de Bombeiros Militar, que serão regidos por
estatuto próprio estabelecido em lei complementar.(Redação dada
pela Emenda à Constituição 39, de 02/6/1999).
§ 1º – As patentes, com prerrogativas, direitos e deveres a
elas inerentes, são asseguradas em plenitude aos Oficiais da
ativa, da reserva ou reformados, sendo-lhes privativos os
títulos, postos e uniforme militares.
§ 2º – As patentes dos Oficiais são conferidas pelo
Governador do Estado.
§ 3º – O militar em atividade que aceitar cargo ou emprego
público permanentes será transferido para a reserva.
§ 4º – O militar da ativa que aceitar cargo, emprego ou
função públicos temporários, não eletivos, ainda que de entidade
da administração indireta, ficará agregado ao respectivo quadro
e, enquanto permanecer nesta situação, somente poderá ser
promovido por antigüidade, terá seu tempo de serviço contado
apenas para aquela promoção e transferência para a reserva e
será, depois de dois anos de afastamento, contínuos ou não,
transferido para a inatividade.
§ 5º – Ao militar são proibidas a sindicalização e a greve.
§ 6º – O militar, enquanto em efetivo serviço, não pode
estar filiado a partidos políticos.
§ 7º – O Oficial somente perderá o posto e a patente se for
julgado indigno do oficialato e com ele incompatível, por
decisão do Tribunal de Justiça Militar, ou de tribunal especial,
em tempo de guerra, e a lei especificará os casos de submissão a
processo e o rito deste.
§ 8º – O militar condenado na Justiça, comum ou militar, a
pena privativa de liberdade superior a dois anos, por sentença
transitada em julgado, será submetido ao julgamento previsto no
parágrafo anterior.
§ 9º – A lei estabelecerá as condições em que a praça
perderá a graduação, observado o disposto no art. 111.
§ 10 – Os direitos, deveres, garantias e vantagens do
servidor militar e as normas sobre admissão, promoção,
estabilidade, limites de idade e condições de transferência para
a inatividade serão estabelecidos no estatuto.
§ 11 – Aplica-se ao militar o disposto nos incisos I, II,
III, IV, V e no parágrafo único do art. 31 e nos §§ 4º, 5º, 6º e
7º do art. 36 desta Constituição e nos incisos VI, VIII, XII,
XVII, XVIII e XIX do art. 7º da Constituição da República.(Redação
dada pela Emenda à Constituição nº 40, de 24/5/2000).
§ 12 – Os militares da mesma patente perceberão os mesmos
vencimentos e vantagens, excetuadas as provenientes de cursos ou
tempo de serviço.

Seção VII (Renumerada pela Emenda à
Constituição nº 40, de 24/05/2000)
Dos Serviços Públicos

Art. 40 – Incumbe ao Estado, às entidades da administração
indireta e ao particular delegado assegurar, na prestação de
serviços públicos, a efetividade:
I – dos requisitos, dentre outros, de eficiência, segurança
e continuidade dos serviços públicos, e do preço ou tarifa justa
e compensada;
II – dos direitos do usuário.
§ 1º – A delegação da execução de serviço público será
precedida de licitação, na forma da lei.
§ 2º – A lei disporá sobre:
I – o regime das empresas concessionárias e permissionárias
de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de
sua prorrogação e as condições de exclusividade do serviço,
caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou da
permissão;
II – a política tarifária;
III – a obrigação de o concessionário e o permissionário
manterem serviço adequado.
§ 3º – É facultado ao Poder Público ocupar e usar
temporariamente bens e serviços, na hipótese de calamidade,
situação em que o Estado responderá pela indenização, em
dinheiro e imediatamente após a cessação do evento, dos danos e
custos decorrentes.
§ 4º – As reclamações relativas à prestação de serviço
público serão disciplinadas em lei.
§ 5º – A lei estabelecerá tratamento especial em favor do
usuário de baixa renda.

Seção VIII (Renumerada pela Emenda à
Constituição nº 40, de 24/05/2000)
Da Regionalização
Subseção I
Disposições Gerais

Art. 41 – O Estado articulará regionalmente a ação
administrativa, com o objetivo de:
I – integrar o planejamento a organização e a execução de
funções públicas de interesse comum, em área de intensa
urbanização;
II – contribuir para a redução das desigualdades regionais,
mediante execução articulada de planos, programas e projetos
regionais e setoriais dirigidos ao desenvolvimento global das
coletividades do mesmo complexo geoeconômico e social;
III – assistir os Municípios de escassas condições de
propulsão sócio-econômica, situados na região, para que se
integrem no processo de desenvolvimento.

Subseção II
Da Região Metropolitana, Aglomeração Urbana e Microrregião

Art. 42 – O Estado poderá instituir, mediante lei
complementar, região metropolitana e aglomeração urbana
constituídas por agrupamento de Municípios limítrofes do mesmo
complexo geoeconômico e social, para integrar o planejamento, a
organização e a execução de funções públicas de interesse comum.
Parágrafo único – A gestão de interesses comuns terá em
vista, ainda, equilibrar o desenvolvimento dos núcleos
populacionais abrangidos pela unidade regional, mediante a
adoção de instrumentos específicos de integração, a partir da
política de desconcentração planejada de desenvolvimento
econômico, e a partilha de benefícios e recursos comunitários
compensatórios dos efeitos da polarização.

Art. 43 – Consideram-se funções públicas de interesse
comum:
I – transporte intermunicipal e sistema viário de âmbito
metropolitano;
II – segurança pública;
III – saneamento básico, notadamente abastecimento de água,
destinação de esgoto sanitário e coleta de lixo urbano, drenagem
pluvial e controle de vetores;
IV – uso do solo metropolitano;
V – aproveitamento dos recursos hídricos;
VI – produção e distribuição de gás canalizado;
VII – cartografia e informações básicas;
VIII – preservação e proteção do meio ambiente e combate à
poluição;
IX – habitação;
X – planejamento integrado do desenvolvimento
sócioeconômico;
XI – outras, definidas em lei complementar.
Parágrafo único – As diretrizes do planejamento integrado
do desenvolvimento econômico e social, incluídas as das funções
públicas de interesse comum, serão objeto de plano diretor
metropolitano elaborado pela Assembléia Metropolitana.

Art. 44 – A instituição de região metropolitana se fará com
base em avaliação do conjunto dos seguintes dados ou fatores,
dentre outros, objetivamente apurados:
I – população e crescimento demográfico, com projeção
quinquenal;
II – grau de conurbação e fluxos migratórios;
III – atividade econômica e perspectivas de
desenvolvimento;
IV – fatores de polarização;
V – deficiência dos serviços públicos, em um ou mais
Municípios, com implicação no desenvolvimento da região.
Parágrafo único – A execução das funções públicas de
interesse comum competirá ao Estado e aos Municípios da região
metropolitana, na forma da lei complementar.

Art. 45 – Incumbe à Assembléia Metropolitana, dentre outras
atribuições:
I – exercer o poder normativo regulamentar de integração do
planejamento, da organização e da execução das funções públicas
de interesse comum;
II – zelar pela observância das normas, mediante mecanismos
específicos de fiscalização e controle dos órgãos e entidades
metropolitanas;
III – elaborar e aprovar o plano diretor metropolitano e
suas modificações, e fiscalizar e controlar sua implantação;
IV – aprovar os planos plurianuais de investimento e as
diretrizes orçamentárias da região metropolitana;
V – aprovar seu próprio orçamento anual;
VI – estabelecer as diretrizes da política tarifária dos
serviços públicos metropolitanos;
VII – administrar o Fundo de Desenvolvimento Metropolitano.
§ 1º – Cada Município da região metropolitana será
representado na Assembléia Metropolitana:
I – por seu Prefeito; e
II – por Vereadores da Câmara Municipal, por ela indicados,
em número e proporcionalidade fixados em lei complementar.
§ 2º – Integrarão ainda a Assembléia Metropolitana:
I – um representante da Assembléia Legislativa, por ela
indicado; e
II – um representante do Poder Executivo, indicado pelo
Governador do Estado.

Art. 46 – Ao Estado incumbe:
I – assegurar, por órgão do Poder Executivo ou entidade de
sua administração indireta, a execução dos planos, programas ou
projetos relacionados com as funções públicas de interesse
comum;
II – supervisionar ou orientar, coordenar e controlar a
execução de que trata o inciso anterior, observados os
critérios, diretrizes e normas regulamentares estabelecidos pela
Assembléia Metropolitana.

Art. 47 – Fica instituído o Fundo de Desenvolvimento
Metropolitano, destinado a promover investimentos e
financiamentos de projetos nas regiões metropolitanas, cuja
composição da receita será definida em lei complementar.

Art. 48 – A instituição de aglomeração urbana, observada a
avaliação dos fatores de que trata o art. 44, requer, ainda,
população mínima de trezentos mil habitantes, no complexo
geoeconômico e social integrado por três ou mais Municípios.

Art. 49 – A lei complementar de instituição de microrregião
é de iniciativa da Comissão de Assuntos Municipais da Assembléia
Legislativa, por provocação dos Municípios.
§ 1º – Entre as funções públicas de interesse comum aos
Municípios da microrregião se incluem as relativas a:
I – procedimentos contábeis;
II – aperfeiçoamento administrativo;
III – abertura e conservação de caminho ou estrada
vicinais;
IV – solução de problemas jurídicos comuns;
V – execução integrada de serviços comuns.
§ 2º – O Estado garantirá à microrregião a assistência
técnica que solicitar.

Art. 50 – Lei complementar disporá sobre:
I – as atribuições complementares, a organização e o
funcionamento da Assembléia Metropolitana;
II – o regime de organização para o planejamento e a
execução das funções públicas de interesse comum da região
metropolitana, da aglomeração urbana e da microrregião;
III – os critérios de compatibilização do plano diretor de
cada área de que trata o inciso anterior com os dos Municípios
que a integrem.

Subseção III
Das Regiões de Desenvolvimento

Art. 51 – O Estado instituirá autarquias territoriais para
planejamento e orientação da execução articulada de funções e
serviços públicos com a finalidade de desenvolvimento global em
favor da população do mesmo complexo geoeconômico e social.
§ 1º – Entre outras atribuições, incumbe à autarquia
territorial de desenvolvimento:
I – coordenar a elaboração dos planos, programas e projetos
permanentes de desenvolvimento integrado da região, orientando,
fiscalizando e controlando-lhes a execução, observadas as
diretrizes do Governo;
II – articular, no âmbito regional, a ação dos organismos
estaduais, para que se integrem no processo de consecução
racionalizada dos objetivos comuns da justiça social e
desenvolvimento;
III – executar, em articulação com os organismos estaduais,
funções públicas e serviços essenciais da infra-estrutura de
desenvolvimento do complexo geoeconômico e social;
IV – articular-se com organismo federal, ou internacional,
para a captação de recursos de investimento ou financiamento na
região;
V – promover a cultura e preservar as tradições da região.
§ 2º – É obrigatória a inclusão, nas propostas
orçamentárias e nos planos plurianuais de despesas de capital,
de dotações especificamente destinadas às regiões de
desenvolvimento, que serão administradas pelas respectivas
autarquias.
§ 3º – Lei complementar disporá sobre as autarquias
territoriais de desenvolvimento, sua organização e
funcionamento.
§ 4º – A lei criará o Fundo de Desenvolvimento Regional.

CAPÍTULO II
DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES
Seção I
Do Poder Legislativo
Subseção I
Da Assembléia Legislativa

Art. 52 – O Poder Legislativo é exercido pela Assembléia
Legislativa, que se compõe de representantes do povo mineiro,
eleitos na forma da lei.
§ 1º – O número de Deputados corresponde ao triplo da
representação do Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o
número de trinta e seis, será acrescido de tantos quantos forem
os Deputados Federais acima de doze.
§ 2º – O número de Deputados não vigorará na legislatura em
que for fixado.
§ 3º – Cada legislatura terá a duração de quatro anos.

Art. 53 – A Assembléia Legislativa se reunirá, em sessão
ordinária, na Capital do Estado, independentemente de
convocação, de quinze de fevereiro a trinta de junho e de
primeiro de agosto a quinze de dezembro de cada ano.
§ 1º – As reuniões previstas para as datas fixadas neste
artigo serão transferidas para o primeiro dia útil subsequente,
quando recaírem em sábado, domingo ou feriado.
§ 2º – A sessão legislativa ordinária não será interrompida
sem a aprovação do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias.
§ 3º – No início de cada legislatura, haverá reuniões
preparatórias, a partir de primeiro de fevereiro, com a
finalidade de:
I – dar posse aos Deputados diplomados;
II – eleger a Mesa da Assembléia para mandato de dois anos,
vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição subsequente.
§ 4º – Por motivo de conveniência pública e deliberação da
maioria de seus membros, poderá a Assembléia Legislativa reunir-
se, temporariamente, em qualquer cidade do Estado.
§ 5º – A convocação de sessão extraordinária da Assembléia
Legislativa será feita:
I – pelo Governador do Estado, em caso de urgência ou de
interesse público relevante;
II – por seu Presidente, quando ocorrer intervenção em
Município, para o compromisso e a posse do Governador e do Vice-
Governador do Estado, ou, em caso de urgência ou de interesse
público relevante, a requerimento da maioria de seus membros.
§ 6º – Na sessão extraordinária, a Assembléia Legislativa
somente deliberará sobre a matéria para a qual tenha sido
convocada.
§ 7º – ………………………………………..
(Suprimido pela Emenda à Constituição 21, de 3/7/97).
Dispositivo suprimido:
“§ 7º – Durante o recesso, haverá uma comissão representativa
da Assembléia Legislativa, atendida em sua composição, tanto
quanto possível, a proporcionalidade das representações
partidárias, observado o seguinte:
I – seus membros são eleitos na última reunião de cada
período da sessão legislativa ordinária e inelegíveis para o
recesso subseqüente;
II – suas atribuições serão definidas no Regimento Interno;
III – o Presidente da Assembléia será seu membro e a
presidirá.”

Art. 54 – A Assembléia Legislativa ou qualquer de suas
comissões poderão convocar Secretário de Estado, dirigente de
entidade da administração indireta ou titular de órgão
diretamente subordinado ao Governador do Estado para prestarem,
pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado,
sob pena de responsabilidade, no caso de ausência
injustificada.(Redação dada pela Emenda à Constituição 19, de
20/12/1996).
§ 1º – O Secretário de Estado poderá comparecer à
Assembléia Legislativa ou a qualquer de suas comissões, por sua
iniciativa e após entendimento com a Mesa da Assembléia, para
expor assunto de relevância de sua Secretaria.
§ 2º – A Mesa da Assembléia poderá encaminhar ao Secretário
de Estado pedido escrito de informação, e a recusa, ou o não-
atendimento no prazo de trinta dias, ou a prestação de
informação falsa importam crime de responsabilidade.
§ 3º – A Mesa da Assembléia poderá encaminhar pedido de
informação a dirigente de entidade da administração indireta, ao
Comandante Geral da Polícia Militar e a outras autoridades
estaduais, e a recusa, ou o não-atendimento no prazo de trinta
dias, ou a prestação de informação falsa constituem infração
administrativa, sujeita a responsabilização.

Art. 55 – Salvo disposição constitucional em contrário, as
deliberações da Assembléia Legislativa e de suas comissões serão
tomadas por maioria de votos, presente a maioria de seus
membros.

Subseção II
Dos Deputados

Art. 56 – O Deputado é inviolável por suas opiniões,
palavras e votos.
§ 1º – O Deputado não pode, desde a expedição do diploma,
ser preso, salvo em flagrante de crime inafiançável, nem
processado criminalmente, sem prévia licença da Assembléia
Legislativa.
§ 2º – O indeferimento do pedido de licença ou a ausência
de deliberação suspende a prescrição, enquanto durar o mandato.
§ 3º – No caso de flagrante de crime inafiançável, os autos
serão remetidos, dentro de vinte e quatro horas, à Assembléia
Legislativa, para que, pelo voto secreto da maioria de seus
membros, resolva sobre a prisão e autorize ou não a formação de
culpa.
§ 4º – O Deputado será submetido a julgamento pelo Tribunal
de Justiça.
§ 5º – O Deputado não será obrigado a testemunhar sobre
informação recebida ou prestada em razão do exercício do
mandato, nem sobre as pessoas que lhe tenham confiado ou dele
recebido informação.
§ 6º – Aplicam-se ao Deputado as regras da Constituição da
República não inscritas nesta Constituição sobre sistema
eleitoral, inviolabilidade, imunidade, remuneração, perda de
mandato, licença, impedimento e incorporação às Forças Armadas.

Art. 57 – O Deputado não pode:
I – desde a expedição do diploma:
a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito
público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista
ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando o
contrato obedecer a cláusulas uniformes;
b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado,
incluídos os de que seja demissível “ad nutum”, nas entidades
indicadas na alínea anterior;
II – desde a posse:
a) ser proprietário, controlador ou diretor de empresa que
goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de
direito público, ou nela exercer função remunerada;
b) ocupar cargo ou função de que seja demissível “ad nutum”
nas entidades indicadas no inciso I, “a”;
c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das
entidades a que se refere o inciso I, “a”;
d) ser titular de mais de um cargo ou mandato público
eletivo.

Art. 58 – Perderá o mandato o Deputado:
I – que infringir proibição estabelecida no artigo
anterior;
II – cujo procedimento for declarado incompatível com o
decoro parlamentar;
III – que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa,
à terça parte das reuniões ordinárias, salvo licença ou missão
autorizada pela Assembléia Legislativa;
IV – que perder os direitos políticos ou os tiver
suspensos;
V – quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos
previstos na Constituição da República;
VI – que sofrer condenação criminal em sentença transitada
em julgado.
§ 1º – É incompatível com o decoro parlamentar, além dos
casos definidos no Regimento Interno, o abuso de prerrogativa
assegurada ao Deputado ou a percepção de vantagem indevida.
§ 2º – Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda de mandato
será decidida pela Assembléia Legislativa por voto secreto e
maioria de seus membros, por provocação da Mesa ou de partido
político representado na Assembléia Legislativa, assegurada
ampla defesa.
§ 3º – Nos casos dos incisos III, IV e V, a perda será
declarada pela Mesa da Assembléia, de ofício ou por provocação
de qualquer de seus membros ou de partido político representado
na Assembléia Legislativa, assegurada ampla defesa.

Art. 59 – Não perderá o mandato o Deputado:
I – investido em cargo de Ministro de Estado, Governador de
Território, Secretário de Estado, do Distrito Federal, de
Território, de Prefeitura de Capital ou de chefe de missão
diplomática temporária;
II – licenciado por motivo de doença ou para tratar, sem
remuneração, de interesse particular, desde que, neste caso, o
afastamento não ultrapasse cento e vinte dias por sessão
legislativa.
§ 1º – O suplente será convocado nos casos de vaga, de
investidura em cargo mencionado neste artigo, ou de licença
superior a cento e vinte dias.
§ 2º – Se ocorrer vaga e não houver suplente, far-se-á
eleição para preenchê-la, se faltarem mais de quinze meses para
o término do mandato.
§ 3º – Na hipótese do inciso I, o Deputado poderá optar
pela remuneração do mandato.

Subseção III
Das Comissões

Art. 60 – A Assembléia Legislativa terá comissões
permanentes e temporárias, constituídas na forma do Regimento
Interno e com as atribuições nele previstas, ou conforme os
termos do ato de sua criação.
§ 1º – Na constituição da Mesa e na de cada comissão é
assegurada, tanto quanto possível, a participação proporcional
dos partidos políticos ou dos blocos parlamentares representados
na Assembléia Legislativa.
§ 2º – Às comissões, em razão da matéria de sua
competência, cabe:
I – discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma
do Regimento Interno, a competência do Plenário, salvo se houver
recurso de um décimo dos membros da Assembléia;
II – realizar audiência pública com entidade da sociedade
civil;
III – realizar audiência pública em regiões do Estado, para
subsidiar o processo legislativo, observada a disponibilidade
orçamentária;
IV – convocar, além das autoridades a que se refere o art.
54, outra autoridade estadual para prestar informação sobre
assunto inerente às suas atribuições, constituindo infração
administrativa a recusa ou o não-atendimento no prazo de trinta
dias;
V – receber petição, reclamação, representação ou queixa de
qualquer pessoa contra ato ou omissão de autoridade ou entidade
públicas;
VI – solicitar depoimento de qualquer autoridade ou
cidadão;
VII – apreciar plano de desenvolvimento e programa de obras
do Estado, da região metropolitana, de aglomeração urbana e de
microrregião;
VIII – acompanhar a implantação dos planos e programas de
que trata o inciso anterior e exercer a fiscalização dos
recursos estaduais neles investidos.
§ 3º – As Comissões Parlamentares de Inquérito, observada a
legislação específica, no que couber, terão poderes de
investigação próprios das autoridades judiciárias, além de
outros previstos no Regimento Interno, e serão criadas a
requerimento de um terço dos membros da Assembléia Legislativa,
para apuração de fato determinado e por prazo certo, e suas
conclusões, se for o caso, serão encaminhadas ao Ministério
Público, ou a outra autoridade competente, para que se promova a
responsabilidade civil, criminal ou administrativa do infrator.

Subseção IV
Das Atribuições da Assembléia Legislativa

Art. 61 – Cabe à Assembléia Legislativa, com a sanção do
Governador, não exigida esta para o especificado no art. 62,
dispor sobre todas as matérias de competência do Estado,
especificamente:
I – plano plurianual e orçamentos anuais;
II – diretrizes orçamentárias;
III – sistema tributário estadual, arrecadação e
distribuição de rendas;
IV – dívida pública, abertura e operação de crédito;
V – plano de desenvolvimento;
VI – normas gerais relativas ao planejamento e execução de
funções públicas de interesse comum, a cargo da região
metropolitana, aglomeração urbana e microrregião;
VII – fixação e modificação dos efetivos da Polícia
Militar e do Corpo de Bombeiros Militar;(Redação dada pela Emenda
à Constituição 39, de 02/6/1999)
VIII – criação, transformação e extinção de cargo, emprego
e função públicos na administração direta, autárquica e
fundacional e fixação de remuneração, observados os parâmetros
estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias;
IX – servidor público da administração direta, autárquica e
fundacional, seu regime jurídico único, provimento de cargos,
estabilidade e aposentadoria de civil e reforma e transferência
de militar para a inatividade;
X – fixação do quadro de empregos das empresas públicas,
sociedades de economia mista e demais entidades sob controle
direto ou indireto do Estado;
XI – criação, estruturação e definição de atribuições das
Secretarias de Estado;
XII – organização do Ministério Público, da Advocacia do
Estado, da Defensoria Pública, do Tribunal de Contas, da Polícia
Militar, da Polícia Civil e dos demais órgãos da Administração
Pública;
XIII – organização e divisão judiciárias;
XIV – bens do domínio público;
XV – aquisição onerosa e alienação de bem imóvel do Estado;
XVI – transferência temporária da sede do Governo Estadual;
XVII – matéria decorrente da competência comum prevista no
art. 23 da Constituição da República;
XVIII – matéria de legislação concorrente, de que trata o
art. 24 da Constituição da República;
XIX – matéria da competência reservada ao Estado Federado
no § 1º do art. 25 da Constituição da República.

Art. 62 – Compete privativamente à Assembléia Legislativa:
I – eleger a Mesa e constituir as comissões;
II – elaborar o Regimento Interno;
III – dispor sobre sua organização, funcionamento e
polícia;
IV – dispor sobre criação, transformação ou extinção de
cargo, emprego e função de seus serviços e de sua administração
indireta e fixação da respectiva remuneração, observados os
parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias;
V – aprovar crédito suplementar ao orçamento de sua
Secretaria, nos termos desta Constituição;
VI – conceder licença para processar Deputado;
VII – fixar, em cada legislatura, para ter vigência na
subsequente, a remuneração do Deputado;
VIII – fixar, para cada exercício financeiro, a remuneração
do Governador, do Vice-Governador e do Secretário de Estado;
IX – dar posse ao Governador e ao Vice-Governador do
Estado;
X – conhecer da renúncia do Governador e do Vice-Governador
do Estado;
XI – conceder licença ao Governador do Estado para
interromper o exercício de suas funções;
XII – autorizar o Governador a ausentar-se do Estado, e o
Vice-Governador, do País, quando a ausência exceder quinze dias;
XIII – autorizar, por dois terços de seus membros, a
instauração de processo contra o Governador e o Vice-Governador
do Estado, nos crimes de responsabilidade, e, contra o
Secretário de Estado, nos crimes de responsabilidade não conexos
com os do Governador;
XIV – processar e julgar o Governador e o Vice-Governador
do Estado nos crimes de responsabilidade, e, o Secretário de
Estado, nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles;
XV – processar e julgar o Procurador Geral de Justiça e o
Procurador Geral do Estado nos crimes de responsabilidade;
XVI – aprovar, por maioria de seus membros e por voto
secreto, a exoneração, de ofício, do Procurador Geral de
Justiça, antes do término de seu mandato;
XVII – destituir, na forma da lei orgânica do Ministério
Público, por maioria de seus membros e voto secreto, o
Procurador Geral de Justiça;
XVIII – destituir do cargo o Governador e o Vice-Governador
do Estado, após condenação por crime comum ou de
responsabilidade;
XIX – proceder à tomada de contas do Governador do Estado
não apresentadas dentro de sessenta dias da abertura da sessão
legislativa;
XX – julgar, anualmente, as contas prestadas pelo
Governador do Estado, e apreciar os relatórios sobre a execução
dos planos de governo;
XXI – escolher cinco dos sete Conselheiros do Tribunal de
Contas;
XXII – apreciar, anualmente, as contas do Tribunal de
Contas;
XXIII – aprovar, previamente, por voto secreto, após
argüição pública, a escolha:(Redação dada pela Emenda à
Constituição 26, de 9/7/1997).
a) dos Conselheiros e Auditores do Tribunal de Contas
indicados pelo Governador do Estado; (Redação dada pela
Emenda à Constituição 26, de 9/7/1997)
b) dos membros do Conselho de Governo indicados pelo
Governador do Estado, do Conselho Estadual de Educação e do
Conselho de Defesa Social;(Redação dada pela Emenda à
Constituição 26, de 9/7/1997)
c) de Interventor em Município;(Redação dada pela
Emenda à Constituição 26, de 9/7/1997).
d) dos Presidentes das entidades da administração pública
indireta, dos Presidentes e dos Diretores do sistema financeiro
estadual;(Redação dada pela Emenda à Constituição 26, de
9/7/1997).(Argüida a inconstitucionalidade – ADIN 1642. Liminar
deferida em 16/12/1998, para o fim de restringir o disposto na
alínea às autarquias e fundações públicas).
e) de titular de cargo, quando a lei o determinar; (Redação
dada pela Emenda à Constituição 26, de 9/7/1997).
XXIV – eleger os quatro membros do Conselho de Governo a
que se refere o inciso V do art. 94;
XXV – autorizar celebração de convênio pelo Governo do
Estado com entidade de direito público ou privado e ratificar o
que, por motivo de urgência, ou de interesse público, for
efetivado sem essa autorização, desde que encaminhado à
Assembléia Legislativa nos dez dias úteis subsequentes à sua
celebração; (Declarada a inconstitucionalidade em 7/8/97 –
ADIN 165. Acórdão publicado em 26/09/97).
XXVI – aprovar convênio intermunicipal para modificação de
limites;
XXVII – solicitar a intervenção federal;
XXVIII – aprovar ou suspender a intervenção em Município;
XXIX – suspender, no todo ou em parte, a execução de ato
normativo estadual declarado, incidentalmente, inconstitucional
por decisão definitiva do Tribunal de Justiça, quando a decisão
de inconstitucionalidade for limitada ao texto da Constituição
do Estado;
XXX – sustar os atos normativos do Poder Executivo que
exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação
legislativa;
XXXI – fiscalizar e controlar os atos do Poder Executivo,
incluídos os da administração indireta;
XXXII – dispor sobre limites e condições para a concessão
de garantia do Estado em operações de crédito;
XXXIII – zelar pela preservação de sua competência
legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes;
XXXIV – aprovar, previamente, a alienação ou a concessão de
terra pública, ressalvados: (Redação dada e inclusão das
alíneas pela Emenda à Constituição 34, de 8/7/1998).
a) os casos previstos no § 2º do art. 246 e nos §§ 3º e 8º
do art. 247; (Redação dada e inclusão das alíneas pela Emenda à
Constituição 34, de 8/7/1998).
b) a alienação ou a concessão de terras públicas e
devolutas rurais previstas no art. 247, com área de até 100ha
(cem hectares);(Redação dada pela Emenda à Constituição nº 34,
8/7/1998).
XXXV – mudar temporariamente sua sede;
XXXVI – dispor sobre o sistema de previdência e assistência
social dos seus membros e dos servidores de sua Secretaria,
observado, ainda, o disposto no art. 31, III;
XXXVII – manifestar-se, perante o Congresso Nacional, após
resolução aprovada pela maioria de seus membros, na hipótese de
incorporação, subdivisão ou desmembramento de área do território
do Estado, nos termos do art. 48, VI, da Constituição da
República;
XXXVIII – autorizar referendo e convocar nas questões de
competência do Estado. (Acrescido pela Emenda à Constituição nº
46, de 27/12/2000).
§ 1º – No caso previsto no inciso XIV, a condenação, que
somente será proferida por dois terços dos votos da Assembléia
Legislativa, se limitará à perda do cargo, com inabilitação, por
oito anos, para o exercício de função pública, com prejuízo das
demais sanções judiciais cabíveis.
§ 2º – A representação judicial da Assembléia Legislativa é
exercida por sua Procuradoria Geral, à qual cabe também a
consultoria jurídica do Poder Legislativo.
§ 3º – O não-encaminhamento, à Assembléia Legislativa, dos
convênios a que se refere o inciso XXV, nos dez dias úteis
subsequentes à sua celebração, implica a nulidade dos atos já
praticados em virtude de sua execução.
§ 4º – O exercício da competência a que se refere o inciso
XXXVIII dar-se-á nos termos da lei. (Acrescido pela Emenda à
Constituição nº 46, de 27/12/2000).

Subseção V
Do Processo Legislativo

Art. 63 – O processo legislativo compreende a elaboração
de:
I – Emenda à Constituição;
II – lei complementar;
III – lei ordinária;
IV – lei delegada; ou
V – resolução.

Art. 64 – A Constituição pode ser emendada por proposta:
I – de, no mínimo, um terço dos membros da Assembléia
Legislativa;
II – do Governador do Estado; ou
III – de, no mínimo, 100 (cem) Câmaras Municipais,
manifestada pela maioria de cada uma delas.(Redação dada pela
Emenda à Constituição 23, de 7/7/1997).
§ 1º – As regras de iniciativa privativa pertinentes a
legislação infraconstitucional não se aplicam à competência para
a apresentação da proposta de que trata este artigo.
§ 2º – A Constituição não pode ser emendada na vigência de
estado de sítio ou estado de defesa, nem quando o Estado estiver
sob intervenção federal.
§ 3º – A proposta será discutida e votada em dois turnos e
considerada aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos
votos dos membros da Assembléia Legislativa.
§ 4º – A Emenda à Constituição, com o respectivo número de
ordem, será promulgada pela Mesa da Assembléia.
§ 5º – A matéria constante de proposta de emenda rejeitada
ou havida por prejudicada não pode ser reapresentada na mesma
sessão legislativa.

Art. 65 – A iniciativa de lei complementar e ordinária cabe
a qualquer membro ou comissão da Assembléia Legislativa, ao
Governador do Estado, ao Tribunal da Justiça, ao Tribunal de
Contas, ao Procurador Geral de Justiça e aos cidadãos, na forma
e nos casos definidos nesta Constituição.
§ 1º – A lei complementar é aprovada por maioria dos
membros da Assembléia Legislativa.
§ 2º – Consideram-se lei complementar, entre outras
matérias previstas nesta Constituição:
I – o Código de Finanças Públicas e o Código Tributário;
II – a Lei de Organização e Divisão Judiciárias;
III – o Estatuto dos Servidores Públicos Civis e o Estatuto
dos Servidores Públicos Militares; e
IV – as leis orgânicas do Ministério Público, do Tribunal
de Contas, da Advocacia do Estado, da Defensoria Pública, da
Polícia Civil e da Polícia Militar.

Art. 66 – São matérias de iniciativa privativa, além de
outras previstas nesta Constituição:
I – da Mesa da Assembléia:
a) o Regimento Interno da Assembléia Legislativa;
b) a remuneração do Deputado, em cada legislatura, para a
subsequente, observado o disposto nos arts. 150, II, 153, III, e
153, § 2º, I, da Constituição da República;
c) a remuneração, para cada exercício financeiro, do
Governador, do Vice-Governador e do Secretário de Estado,
observado o disposto nos arts. 150, II, 153, III, e 153, § 2º,
I, da Constituição da República;
d) o regulamento geral, que disporá sobre a organização da
Secretaria da Assembléia Legislativa, seu funcionamento, sua
polícia, criação, transformação ou extinção de cargo, emprego e
função, regime jurídico de seus servidores e fixação da
respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos
na Lei de Diretrizes Orçamentárias e o disposto nos arts. 24, §§
1º e 2º, e 32;
e) a criação de entidade da administração indireta da
Assembléia Legislativa;
f) a autorização para o Governador ausentar-se do Estado, e
o Vice-Governador, do País, quando a ausência exceder quinze
dias;
g) a mudança temporária da sede da Assembléia Legislativa;
II – do Tribunal de Contas, por seu Presidente, a criação e
a extinção de cargo e função públicos e a fixação de vencimentos
de seus membros e dos servidores da Secretaria, observados os
parâmetros da Lei de Diretrizes Orçamentárias;
III – do Governador do Estado:
a) a fixação e a modificação dos efetivos da Polícia
Militar e do Corpo de Bombeiros Militar;(Redação dada pela Emenda
à Constituição 39, de 02/6/99).
b) a criação de cargo e função públicos da administração
direta, autárquica e fundacional e a fixação da respectiva
remuneração, observados os parâmetros da Lei de Diretrizes
Orçamentárias;
c) o regime jurídico único dos servidores públicos dos
órgãos da administração direta, autárquica e fundacional,
incluído o provimento de cargo, estabilidade e aposentadoria,
reforma e transferência de militar para a inatividade;
d) o quadro de empregos das empresas públicas, sociedades
de economia mista e demais entidades sob controle direto ou
indireto do Estado;
e) a criação, estruturação e extinção de Secretaria de
Estado, órgão autônomo e entidade da administração indireta;
f) a organização da Advocacia do Estado, da Defensoria
Pública, da Polícia Civil, da Polícia Militar e dos demais
órgãos da Administração pública, respeitada a competência
normativa da União;
g) os planos plurianuais;
h) as diretrizes orçamentárias;
i) os orçamentos anuais;
IV – do Tribunal de Justiça, por seu Presidente:
a) a criação e a organização de tribunal e juízo inferiores
e vara judiciária, a fixação de vencimentos de seus membros, dos
juízes, inclusive dos tribunais inferiores, dos serviços
auxiliares e dos juízos que lhe forem vinculados, observados os
parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias e o
disposto nos arts. 24, §§ 1º e 2º, e 32;
b) a criação, transformação ou extinção de cargo e função
públicos de sua Secretaria e das Secretarias dos Tribunais de
Alçada, sob o regime jurídico único dos servidores civis, e a
fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros
estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias e o disposto
nos arts. 24, §§ 1º e 2º, e 32;
c) a organização e a divisão judiciárias e suas alterações.
§ 1º – A iniciativa de que tratam as alíneas do inciso I é
formalizada por meio de projeto de resolução.
§ 2º – Ao Procurador-Geral de Justiça é facultada, além do
disposto no art. 125, a iniciativa de projetos sobre a criação,
transformação e extinção de cargo e função públicos do
Ministério Público e dos serviços auxiliares e a fixação da
respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos
na Lei de Diretrizes Orçamentárias e o disposto nos arts. 24, §§
1º e 2º, e 32. (Declarada a constitucionalidade – ADIN 153.
Decisão publicada em 7/4/1995. Acórdão não publicado até a data
desta reimpressão).

Art. 67 – Salvo nas hipóteses de iniciativa privativa e de
matéria indelegável, previstas nesta Constituição, a iniciativa
popular pode ser exercida pela apresentação à Assembléia
Legislativa de projeto de lei, subscrito por, no mínimo, dez mil
eleitores do Estado, em lista organizada por entidade
associativa legalmente constituída, que se responsabilizará pela
idoneidade das assinaturas.
§ 1º – Das assinaturas, no máximo vinte e cinco por cento
poderão ser de eleitores alistados na Capital do Estado.
§ 2º – …………………………………………
(Suprimido pela Emenda à Constituição 32, de 18/3/1998).
Dispositivo suprimido:
“§ 2º – Em cada sessão legislativa, o número de proposições
populares é limitado a cinco projetos de lei.”)

Art. 68 – Não será admitido aumento da despesa prevista:
I – nos projetos de iniciativa do Governador do Estado,
ressalvada a comprovação da existência de receita e o disposto
no art. 160, III;
II – nos projetos sobre organização dos serviços
administrativos da Assembléia Legislativa, dos Tribunais e do
Ministério Público.

Art. 69 – O Governador do Estado poderá solicitar urgência
para apreciação de projeto de sua iniciativa.
§ 1º – Se a Assembléia Legislativa não se manifestar em até
quarenta e cinco dias sobre o projeto, será ele incluído na
ordem do dia, sobrestando-se a deliberação quanto aos demais
assuntos, para que se ultime a votação.
§ 2º – O prazo estabelecido no § 1º não corre em período de
recesso da Assembléia Legislativa nem se aplica a projeto que
dependa de “quorum” especial para aprovação, a projeto de lei
orgânica, estatutária ou equivalente a código e a projeto relativo
a plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamento anual ou
crédito adicional.(Redação dada pela Emenda à Constituição nº 42,
de 14/11/2000).

Art. 70 – A proposição de lei, resultante de projeto
aprovado pela Assembléia Legislativa, será enviada ao Governador
do Estado, que, no prazo de quinze dias úteis, contados da data
de seu recebimento:
I – se aquiescer, sanciona-la-á; ou;
II – se a considerar, no todo ou em parte, inconstitucional
ou contrária ao interesse público, veta-la-á total ou
parcialmente.
§ 1º – O silêncio do Governador do Estado, decorrido o
prazo, importa sanção.
§ 2º – A sanção expressa ou tácita supre a iniciativa do
Poder Executivo no processo legislativo.
§ 3º – O Governador do Estado publicará o veto e, dentro de
quarenta e oito horas, comunicará seus motivos ao Presidente da
Assembléia Legislativa.
§ 4º – O veto parcial abrangerá texto integral de artigo,
de parágrafo, de inciso ou de alínea.
§ 5º – A Assembléia Legislativa, dentro de trinta dias
contados do recebimento da comunicação do veto, sobre ele
decidirá, em escrutínio secreto, e sua rejeição só ocorrerá pelo
voto da maioria de seus membros.
§ 6º – Se o veto não for mantido, será a proposição de lei
enviada ao Governador do Estado para promulgação.
§ 7º – Esgotado o prazo estabelecido no § 5º, sem
deliberação, o veto será incluído na ordem do dia da reunião
imediata, sobrestadas as demais proposições, até votação final,
ressalvada a matéria de que trata o § 1º do artigo anterior.
§ 8º – Se, nos casos dos §§ 1º e 6º, a lei não for, dentro
de quarenta e oito horas, promulgada pelo Governador do Estado,
o Presidente da Assembléia Legislativa a promulgará, e, se este
não o fizer em igual prazo, caberá ao Vice-Presidente fazê-lo.

Art. 71 – A matéria constante de projeto de lei rejeitado
somente poderá constituir objeto de novo projeto na mesma sessão
legislativa por proposta da maioria dos membros da Assembléia
Legislativa.

Art. 72 – As leis delegadas serão elaboradas pelo
Governador do Estado, por solicitação à Assembléia Legislativa.
§ 1º – Não podem constituir objeto de delegação os atos de
competência privativa da Assembléia Legislativa, a matéria
reservada a lei complementar e a legislação sobre:
I – organização do Poder Judiciário, do Ministério Público
e do Tribunal de Contas, a carreira e a garantia de seus
membros, bem assim a carreira e a remuneração dos servidores de
suas Secretarias;
II – planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e
orçamentos.
§ 2º – A delegação ao Governador do Estado terá a forma de
resolução da Assembléia Legislativa, que especificará seu
conteúdo e os termos de seu exercício.
§ 3º – Se a resolução determinar a apreciação do projeto
pela Assembléia Legislativa, esta o fará em votação única,
vedada qualquer emenda.

Subseção VI
Da Fiscalização e dos Controles

Art. 73 – A sociedade tem direito a governo honesto,
obediente à lei e eficaz.
§ 1º – Os atos das unidades administrativas dos Poderes do
Estado e de entidade da administração indireta se sujeitarão a:
I – controles internos, exercidos, de forma integrada, pelo
próprio Poder e a entidade envolvida;
II – controle externo, a cargo da Assembléia Legislativa,
com o auxílio do Tribunal de Contas; e
III – controle direto, pelo cidadão e associações
representativa da comunidade, mediante amplo e irrestrito
exercício do direito de petição e representação perante órgão de
qualquer Poder e entidade da administração indireta.
§ 2º – É direito da sociedade manter-se correta e
oportunamente informada de ato, fato ou omissão, imputáveis a
órgão, agente político, servidor público ou empregado público e
de que tenham resultado ou possam resultar:
I – ofensa à moralidade administrativa, ao patrimônio
público e aos demais interesse legítimos, coletivos ou difusos;
II – prestação de serviço público insuficiente, tardia ou
inexistente;
III – propaganda enganosa do Poder Público;
IV – inexecução ou execução insuficiente ou tardia de
plano, programa ou projeto de governo e de programas e projetos
priorizados em audiências públicas regionais; ou(Redação dada pela
Emenda à Constituição 36, de 29/12/98).
V – ofensa a direito individual ou coletivo consagrado
nesta Constituição.

Art. 74 – A fiscalização contábil, financeira,
orçamentária, operacional e patrimonial do Estado e das
entidades da administração indireta é exercida pela Assembléia
Legislativa, mediante controle externo, e pelo sistema de
controle interno de cada Poder e entidade.
§ 1º – A fiscalização e o controle de que trata este artigo
abrangem:
I – a legalidade, legitimidade, economicidade e
razoabilidade de ato gerador de receita ou determinante de
despesa e do de que resulte nascimento ou extinção de direito ou
obrigação;
II – a fidelidade funcional do agente responsável por bem
ou valor públicos; e
III – o cumprimento de programa de trabalho expresso em
termos monetários, a realização de obra e a prestação de
serviço e a execução orçamentária de propostas priorizadas em
audiências públicas regionais.(Redação alterada pela Emenda à
Constituição 36, de 29/12/1998)
§ 2º – Prestará contas a pessoa física ou jurídica que:
I – utilizar, arrecadar, guardar, gerenciar ou administrar
dinheiro, bem ou valor públicos ou pelos quais responda o Estado
ou entidade da administração indireta; ou
II – assumir, em nome do Estado ou de entidade da
administração indireta, obrigações de natureza pecuniária.
§ 3º – As unidades administrativas dos Poderes do Estado e
as entidades da administração indireta publicarão, mensalmente,
no órgão oficial e, facultativamente, em jornais locais, resumo
do demonstrativo das despesas orçamentárias executadas no
período.

Art. 75 – As disponibilidades de caixa do Estado e dos
órgãos ou entidades da administração direta e indireta serão
depositadas nas instituições financeiras oficiais do Estado,
ressalvados os casos previstos em lei federal.

Art. 76 – O controle externo, a cargo da Assembléia
Legislativa, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas,
ao qual compete:
I – apreciar as contas prestadas anualmente pelo Governador
do Estado e sobre elas emitir parecer prévio, em sessenta dias,
contados de seu recebimento;
II – julgar as contas dos administradores e demais
responsáveis por dinheiro, bem ou valor públicos, de órgão de
qualquer dos Poderes ou de entidade da administração indireta,
facultado valer-se de certificado de auditoria passado por
profissional ou entidade habilitados na forma da lei e de
notória idoneidade técnica;
III – fixar a responsabilidade de quem tiver dado causa a
perda, extravio ou outra irregularidade de que tenha resultado
prejuízo ao Estado ou a entidade da administração indireta;
IV – promover a tomada de contas, nos casos em que não
tenham sido prestadas no prazo legal;
V – apreciar, para o fim de registro, a legalidade dos atos
de admissão de pessoal, a qualquer título, pelas administrações
direta e indireta, excluídas as nomeações para cargo de
provimento em comissão ou para função de confiança;
VI – apreciar, para o fim de registro, a legalidade dos
atos de concessão de aposentadoria, reforma e pensão,
ressalvadas as melhorias posteriores que não tenham alterado o
fundamento legal do ato concessório;
VII – realizar, por iniciativa própria, ou a pedido da
Assembléia Legislativa ou de comissão sua, inspeção e auditoria
de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e
patrimonial em órgão de qualquer dos poderes e em entidade da
administração indireta;
VIII – emitir parecer, quando solicitado pela Assembléia
Legislativa, sobre empréstimo e operação de crédito que o Estado
realize, e fiscalizar a aplicação dos recursos deles
resultantes;
IX – emitir, na forma da lei, parecer em consulta sobre
matéria que tenha repercussão financeira, contábil,
orçamentária, operacional e patrimonial;
X – fiscalizar as contas estaduais das empresas, incluídas
as supranacionais, de cujo capital social o Estado participe de
forma direta ou indireta, nos termos do ato constitutivo ou de
tratado;
XI – fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos
repassados ou recebidos pelo Estado, por força de convênio,
acordo, ajuste ou instrumento congênere;
XII – prestar as informações solicitadas pela Assembléia
Legislativa, no mínimo por um terço de seus membros, ou por
comissão sua, sobre assunto de fiscalização contábil,
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, e sobre os
resultados de auditoria e inspeção realizadas em órgão de
qualquer dos Poderes ou entidade da administração indireta;
XIII – aplicar ao responsável, em caso de ilegalidade de
despesa ou irregularidade de contas, a sanção prevista em lei,
que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao
dano causado ao erário;
XIV – examinar a legalidade de ato dos procedimentos
licitatórios, de modo especial dos editais, das atas de
julgamento e dos contratos celebrados;
XV – apreciar a legalidade, legitimidade, economicidade e
razoabilidade de contrato, convênio, ajuste ou instrumento
congênere que envolvam concessão, cessão, doação ou permissão de
qualquer natureza, a título oneroso ou gratuito, de
responsabilidade do Estado, por qualquer de seus órgãos ou
entidade da administração indireta;
XVI – estabelecer prazo para que o órgão ou entidade tome
as providências necessárias ao comprimento da lei, se apurada
ilegalidade;
XVII – sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado
e comunicar a decisão à Assembléia Legislativa;
XVIII – representar ao Poder competente sobre
irregularidade ou abuso apurados;
XIX – acompanhar e fiscalizar a aplicação das
disponibilidades de caixa do Tesouro Estadual no mercado
financeiro nacional de títulos públicos e privados de renda
fixa, e sobre ela emitir parecer para apreciação da Assembléia
Legislativa.
§ 1º – No caso de contrato, o ato de sustação será
praticado diretamente pela Assembléia Legislativa, que, de
imediato, solicitará ao Poder competente a medida cabível.
§ 2º – Caso a medida a que se refere o parágrafo anterior
não seja efetivada no prazo de noventa dias, o Tribunal decidirá
a respeito.
§ 3º – A decisão do Tribunal de que resulte imputação de
débito ou multa terá eficácia de título executivo.
§ 4º – O Tribunal encaminhará à Assembléia Legislativa,
trimestral e anualmente, relatório de suas atividades.
§ 5º – O Tribunal prestará contas à Assembléia Legislativa.
§ 6º – Funcionará no Tribunal, na forma da lei, uma Câmara
de Licitação, à qual incumbirá apreciar conclusivamente a
matéria a que se refere o inciso XIV deste artigo, cabendo
recurso de sua decisão ao Plenário. (Redação dada pela
Emenda à Constituição 24, de 7/7/97).

Art. 77 – O Tribunal de Contas, com sede na Capital do
Estado, é composto de sete Conselheiros e tem quadro próprio de
pessoal e jurisdição em todo o território do Estado.
§ 1º – A lei disporá sobre a organização do Tribunal, que
poderá ser dividido em Câmaras, observado o disposto no § 6º do
artigo anterior e no § 2º deste artigo.
§ 2º – Haverá uma câmara composta de três Conselheiros,
renovável anualmente, para o exercício exclusivo da fiscalização
financeira e orçamentária dos Municípios.
§ 3º – Ao Tribunal de Contas compete privativamente:
I – elaborar seu Regimento Interno, por iniciativa de seu
Presidente, eleger seu órgão diretivo e organizar sua
Secretaria;
II – submeter à Assembléia Legislativa projeto de lei
relativo a criação e extinção de cargo e a fixação de
vencimentos de seus membros e dos servidores de sua Secretaria,
observados os parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes
Orçamentárias;
III – conceder licença, férias e outros afastamentos a seus
membros, aos seus servidores e aos que lhe forem imediatamente
vinculados.

Art. 78 – Os Conselheiros do Tribunal de Contas são
escolhidos dentre brasileiros que satisfaçam os seguintes
requisitos:
I – mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos
de idade;
II – idoneidade moral e reputação ilibada;
III – notórios conhecimentos jurídicos, contábeis,
econômicos, financeiros ou de administração pública; e
IV – mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva
atividade profissional que exijam os conhecimentos mencionados
no inciso anterior.
§ 1º – Os Conselheiros do Tribunal de Contas são nomeados:
I – dois pelo Governador do Estado, precedida a nomeação de
aprovação da Assembléia Legislativa; e
II – cinco pela Assembléia Legislativa.
§ 2º – Alternadamente, cabe ao Governador prover uma e à
Assembléia duas ou três vagas de Conselheiro.
§ 3º – Das duas vagas a serem providas pelo Governador, uma
será preenchida por livre escolha, e a outra, alternadamente,
por Auditor e membro do Ministério Público junto do Tribunal,
por este indicados em lista tríplice, segundo os critérios de
antigüidade e merecimento.
§ 4º – O Conselheiro do Tribunal de Contas tem as mesmas
garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens
do Desembargador e somente pode aposentar-se com as vantagens do
cargo quando o tiver exercido efetivamente por mais de cinco
anos.

Art. 79 – Os Auditores do Tribunal de Contas, em número de
sete, são nomeados pelo Governador do Estado, depois de aprovada
a escolha pela Assembléia Legislativa, cumpridos os seguintes
requisitos: (Declarada a inconstitucionalidade do “caput”, dos
incisos I a IV e da primeira expressão “os mesmos direitos”
contida no § 1º – ADIN 1.067. Acórdão publicado em 21/11/1997).
I – ter título de curso superior de Direito, Ciências
Econômicas, Ciências Contábeis ou Administração
Pública;(Declarada a inconstitucionalidade do “caput”, dos
incisos I a IV e da primeira expressão “os mesmos direitos”
contida no § 1º – ADIN 1.067. Acórdão publicado em 21/11/97).
II – ter mais de cinco anos de exercício de função ou de
efetiva atividade profissional que exijam os conhecimentos da
formação mencionada no inciso anterior; (Declarada a
inconstitucionalidade do “caput”, dos incisos I a IV e da
primeira expressão “os mesmos direitos” contida no § 1º – ADIN
1.067. Acórdão publicado em 21/11/1997).
III – ter idoneidade moral e reputação ilibada; e
(Declarada a inconstitucionalidade do “caput”, dos incisos I a
IV e da primeira expressão “os mesmos direitos” contida no § 1º –
ADIN 1.067. Acórdão publicado em 21/11/1997).
IV – ter, no mínimo, trinta, e no máximo, sessenta e cinco
anos de idade na data da indicação. (Declarada a
inconstitucionalidade do “caput”, dos incisos I a IV e da
primeira expressão “os mesmos direitos” contida no § 1º – ADIN
1.067. Acórdão publicado em 21/11/1997).
§ 1º – O Auditor tem garantias e impedimentos do Juiz do
Tribunal de Alçada e, quando em substituição a Conselheiro, os
mesmos direitos, garantias e impedimentos deste. (Declarada a
inconstitucionalidade do “caput”, dos incisos I a IV e da
primeira expressão “os mesmos direitos” contidos no § 1º – ADIN
1.067. Acórdão publicado em 21/11/1997).
§ 2º – O Auditor somente pode aposentar-se com as vantagens
do cargo quando o tiver efetivamente exercido, no Tribunal de
Contas, por mais de cinco anos.

Art. 80 – A Comissão Permanente a que se refere o art. 164
pode, diante de indício de despesa não autorizada, ainda que sob
a forma de investimento não programado ou de subsídio não
aprovado, solicitar à autoridade responsável que, no prazo de
cinco dias, preste os esclarecimentos necessários.
§ 1º – Não prestados os esclarecimentos, ou considerados
insuficientes, a Comissão solicitará ao Tribunal de Contas
pronunciamento conclusivo sobre a matéria, no prazo de trinta
dias.
§ 2º – Se o Tribunal entender irregular a despesa, a
Comissão proporá à Assembléia Legislativa a sua sustação.

Art. 81 – Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e
as entidades da administração indireta manterão, de forma
integrada, sistema de controle interno, com a finalidade de:
I – avaliar o cumprimento das metas previstas nos
respectivos planos plurianuais e a execução dos programas de
governo e orçamentos;
II – comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quando
à eficácia e eficiência, da gestão orçamentária, financeira e
patrimonial dos órgãos da administração direta e das entidades
da administração indireta, e da aplicação de recursos públicos
por entidade de direito privado;
III – exercer o controle de operações de crédito, avais e
garantias, e o de seus direitos e haveres;
IV – apoiar o controle externo no exercício de sua missão
institucional.
Parágrafo único – Os responsáveis pelo controle interno, ao
tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade,
dela darão ciência ao Tribunal de Contas, sob pena de
responsabilidade solidária.

Art. 82 – Qualquer cidadão, partido político, associação
legalmente constituída ou sindicato é parte legítima para, na
forma da lei, denunciar irregularidade ou ilegalidade de ato de
agente público.
Parágrafo único – A denúncia poderá ser feita, em qualquer
caso, à Assembléia Legislativa, ou, sobre assunto da respectiva
competência, ao Ministério Público ou ao Tribunal de Contas.

Seção II
Do Poder Executivo
Subseção I
Disposições Gerais

Art. 83 – O Poder Executivo é exercido pelo Governador do
Estado, auxiliado pelos Secretários de Estado.

Art. 84 – A eleição do Governador e do Vice-Governador do
Estado, para mandato de quatro anos, se realizará noventa dias
antes do término do mandato de seus antecessores, e a posse
ocorrerá no dia primeiro de janeiro do ano subsequente,
observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77 da Constituição
da República.
Parágrafo único – Perderá o mandato o Governador do Estado
que assumir outro cargo ou função na administração pública
direta ou indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso
público e observado o disposto no art. 26, I, IV e V.

Art. 85 – A eleição do Governador do Estado importará, para
mandato correspondente, a do Vice-Governador com ele registrado.
§ 1º – O Vice-Governador substituirá o Governador do
Estado, no caso de impedimento, e lhe sucederá, no de vaga.
§ 2º – O Vice-Governador, além de outras atribuições que
lhe forem conferidas por lei complementar, auxiliará o
Governador do Estado, sempre que por ele convocado para missões
especiais.

Art. 86 – O Governador e o Vice-Governador do Estado
tomarão posse em reunião da Assembléia Legislativa, prestando o
seguinte compromisso: “Prometo manter, defender e cumprir a
Constituição da República e a do Estado, observar as leis,
promover o bem geral do povo mineiro e sustentar a integridade e
a autonomia de Minas Gerais.”

Art. 87 – No caso de impedimento do Governador e do Vice-
Governador do Estado ou no de vacância dos respectivos cargos,
serão sucessivamente chamados ao exercício do Governo o
Presidente da Assembléia Legislativa e o do Tribunal de Justiça.
§ 1º – Vagando os cargos de Governador e Vice-Governador do
Estado, far-se-á eleição noventa dias depois de aberta a última
vaga.
§ 2º – Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do
mandato governamental, a eleição para ambos os cargos será feita
trinta dias depois da última vaga, pela Assembléia Legislativa,
na forma de lei complementar.
§ 3º – Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar
o período de seus antecessores.

Art. 88 – Se, decorridos dez dias da data fixada para a
posse, o Governador ou o Vice-Governador do Estado, salvo motivo
de força maior, não tiver assumido o cargo, este será declarado
vago.

Art. 89 – O Governador residirá na Capital do Estado e não
poderá, sem autorização da Assembléia Legislativa, ausentar-se
do Estado por mais de quinze dias consecutivos, sob pena de
perder o cargo.
Parágrafo único – O Governador e o Vice-Governador do
Estado, no ato da posse e ao término do mandato, farão
declaração pública de seus bens, em cartório de títulos e
documentos, sob pena de responsabilidade.

Subseção II
Das Atribuições do Governador do Estado

Art. 90 – Compete privativamente ao Governador do Estado:
I – nomear e exonerar o Secretário de Estado;
II – exercer, com o auxílio dos Secretários de Estado, a
direção superior do Poder Executivo;
III – prover e extinguir os cargos públicos do Poder
Executivo, observado o disposto nesta Constituição;
IV – prover os cargos de direção ou administração superior
das autarquias e fundações públicas;
V – iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos
previstos nesta Constituição;
VI – fundamentar os projetos de lei que remeter à
Assembléia Legislativa;
VII – sancionar, promulgar e fazer publicar as leis e, para
sua fiel execução, expedir decretos e regulamentos;
VIII – vetar proposições de lei, total ou parcialmente;
IX – elaborar leis delegadas;
X – remeter mensagem e planos de governo à Assembléia
Legislativa, quando da reunião inaugural da sessão legislativa
ordinária, expondo a situação do Estado;
XI – enviar à Assembléia Legislativa o plano plurianual de
ação governamental, o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias
e as propostas de orçamento, previstos nesta Constituição;
XII – prestar, anualmente, à Assembléia Legislativa, dentro
de sessenta dias da abertura da sessão legislativa ordinária, as
contas referentes ao exercício anterior;
XIII – extinguir cargo desnecessário, desde que vago ou
ocupado por servidor público não estável, na forma da lei;
XIV – dispor, na forma da lei, sobre a organização e a
atividade do Poder Executivo;
XV – decretar intervenção em Município e nomear
Interventor;
XVI – celebrar convênio com entidade de direito público ou
privado, observado o disposto no art. 62, XXV; (Declarada a
inconstitucionalidade da expressão “observado o disposto no art.
62, XXV” – ADIN 165. Acórdão publicado em 26/9/1997).
XVII – conferir condecoração e distinção honorífica;
XVIII – contrair empréstimo externo ou interno e fazer
operação ou acordo externo de qualquer natureza, após
autorização da Assembléia Legislativa, observados os parâmetros
de endividamento regulados em lei, dentro dos princípios da
Constituição da República;
XIX – solicitar intervenção federal, ressalvado o disposto
nesta Constituição;
XX – convocar extraordinariamente a Assembléia Legislativa;
XXI – apresentar ao órgão federal competente o plano de
aplicação dos créditos concedidos pela União, a título de
auxílio, e prestar as contas respectivas;
XXII – prover um quinto dos lugares dos Tribunais do
Estado, observado o disposto no art. 94 e seu parágrafo da
Constituição da República;
XXIII – nomear Conselheiros e os Auditores do Tribunal de
Contas e os Juízes do Tribunal de Justiça Militar, nos termos
desta Constituição;
XXIV – nomear dois dos membros do Conselho de Governo, a
que se refere o inciso V do art. 94;
XXV – exercer o comando superior da Polícia Militar e
do Corpo de Bombeiros Militar, promover seus oficiais e nomeá-
los para os cargos que lhes são privativos;(Redação dada pela
Emenda à Constituição 39, de 02/6/1999)
XXVI – nomear o Procurador Geral de Justiça, o Procurador
Geral do Estado, o Procurador Geral da Fazenda Estadual e o
Defensor Público Geral, nos termos desta Constituição;
XXVII – exercer outras atribuições previstas nesta
Constituição;
XXVIII – relevar, atenuar ou anular penalidades
administrativas impostas a servidores civis e a militares do
Estado, quando julgar conveniente.(Acrescido pela Emenda à
Constituição 39, de 02/6/1999).

Subseção III
Da Responsabilidade do Governador do Estado

Art. 91 – São crimes de responsabilidade os atos do
Governador do Estado que atentem contra a Constituição da
República, esta Constituição e, especialmente, contra:
I – a existência da União;
II – o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder
Judiciário e do Ministério Público, da União e do Estado;
III – o exercício dos direitos políticos, individuais,
coletivos e sociais;
IV – a segurança interna do País e do Estado;
V – a probidade na administração;
VI – a lei orçamentária;
VII – o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
§ 1º – Os crimes de que trata este artigo são definidos em
lei federal especial, que estabelece as normas de processo e
julgamento.
§ 2º – É permitido a todo cidadão denunciar o Governador
perante a Assembléia Legislativa por crime de responsabilidade.
§ 3º – Nos crimes de responsabilidade, o Governador do
Estado será submetido a processo e julgamento perante a
Assembléia Legislativa, se admitida a acusação por dois terços
de seus membros.

Art. 92 – O Governador do Estado será submetido a processo
e julgamento perante o Superior Tribunal de Justiça, nos crimes
comuns.
§ 1º – O Governador será suspenso de suas funções:
I – nos crimes comuns, se recebida a denúncia ou a queixa
pelo Superior Tribunal de Justiça; e
II – nos crimes de responsabilidade, se admitida a acusação
e instaurado o processo, pela Assembléia Legislativa.
§ 2º – Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, se o
julgamento não estiver concluído no prazo de cento e oitenta
dias, cessará o afastamento do Governador do Estado, sem
prejuízo do regular prosseguimento do processo.
§ 3º – Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nos
crimes comuns, o Governador não estará sujeito a prisão.
(Declarada a inconstitucionalidade em 19/10/1995 – ADIN 1.018.
Acórdão publicado em 17/11/95. Republicado em 24/11/1995).
§ 4º – O Governador não pode, na vigência de seu mandato,
ser responsabilizado por ato estranho ao exercício de suas
funções. (Declarada a inconstitucionalidade em 19/10/1995 – ADIN
1.018. Acórdão publicado em 17/11/1995. Republicado em
24/11/1995).

Subseção IV
Do Secretário de Estado

Art. 93 – O Secretário de Estado será escolhido dentre
brasileiros maiores de vinte e um anos de idade no exercício dos
direitos políticos.
§ 1º – Compete ao Secretário de Estado, além de outras
atribuições conferidas em lei:
I – exercer a orientação, coordenação e supervisão dos
órgãos de sua Secretaria e das entidades da administração
indireta a ela vinculadas;
II – referendar ato e decreto do Governador;
III – expedir instruções para a execução de lei, decreto e
regulamento;
IV – apresentar ao Governador do Estado relatório anual de
sua gestão, que será publicado no órgão oficial do Estado;
V – comparecer à Assembléia Legislativa, nos casos e para
os fins indicados nesta Constituição;
VI – praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe
forem outorgadas ou delegadas pelo Governador do Estado.
§ 2º – Nos crimes comuns e nos de responsabilidade, o
Secretário será processado e julgado pelo Tribunal de Justiça e,
nos de responsabilidade conexos com os do Governador do Estado,
pela Assembléia Legislativa.
§ 3º – O Secretário de Estado está sujeito aos mesmos
impedimentos do Deputado Estadual, ressalvado o exercício de um
cargo de magistério.

Subseção V
Do Conselho de Governo

Art. 94 – O Conselho de Governo é o órgão superior de
consulta do Governador do Estado, sob sua presidência, e dele
participam:
I – o Vice-Governador do Estado;
II – o Presidente da Assembléia Legislativa;
III – os líderes da maioria e da minoria na Assembléia
Legislativa;
IV – o Secretário de Estado da Justiça;
V – seis cidadãos brasileiros natos, com mais de trinta e
cinco anos de idade, dois dos quais nomeados pelo Governador do
Estado e quatro eleitos pela Assembléia Legislativa, todos com
mandato de dois anos, vedada a recondução.

Art. 95 – Compete ao Conselho pronunciar-se sobre questões
relevantes suscitadas pelo Governo Estadual, incluídos a
estabilidade das instituições e os problemas emergentes de grave
complexidade e implicações sociais.
Parágrafo único – A lei regulará a organização e o
funcionamento do Conselho.

Seção III
Do Poder Judiciário
Subseção I
Disposições Gerais

Art. 96 – São órgãos do Poder Judiciário:
I – o Tribunal de Justiça;
II – os Tribunais de Alçada;
III – o Tribunal e os Conselhos de Justiça Militar;
IV – os Tribunais do Júri;
V – os Juízes de Direito;
VI – os Juizados Especiais.

Art. 97 – Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia
administrativa e financeira.
Parágrafo único – Quando o regular exercício das funções do
Poder Judiciário for impedido pela não-satisfação oportuna das
dotações que lhe correspondam, caberá ao Tribunal de Justiça,
pela maioria de seus membros, solicitar ao Supremo Tribunal
Federal intervenção da União no Estado.

Art. 98 – Compete ao Tribunal de Justiça a iniciativa da
Lei de Organização e Divisão Judiciárias do Estado e de suas
alterações, observados os seguintes princípios:
I – ingresso na carreira, cujo cargo inicial é o de Juiz
Substituto, mediante concurso público de provas e títulos, com a
participação da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Estado
de Minas Gerais, em todas as suas fases, obedecendo-se, nas
nomeações, à ordem de classificação;
II – promoção de entrância para entrância, por antigüidade
e merecimento, alternadamente, observado o seguinte:
a) na apuração da antigüidade, o Tribunal de Justiça poderá
recusar o Juiz mais antigo pelo voto motivado de dois terços de
seus membros, conforme procedimento próprio, repetindo-se a
votação até fixar-se a indicação;
b) a promoção por merecimento pressupõe dois anos de
exercício na respectiva entrância, desde que integre o Juiz a
primeira quinta parte da lista de antigüidade desta, salvo se
não houver, com tais requisitos, quem aceite o lugar vago;
c) a promoção por merecimento, atendido o disposto na
alínea anterior, resultará de lista tríplice organizada pelo
Tribunal de Justiça, composta pelos nomes mais votados dentre os
que tenham obtido maioria de votos dos membros do órgão, e se
procederá, para alcançá-la, a até três votações, examinados, em
primeiro lugar, os remanescentes de lista anterior;
d) adotar-se-ão como critérios de aferição do merecimento a
presteza e a segurança no exercício da jurisdição, a freqüência
e o aproveitamento em cursos de aperfeiçoamento reconhecidos e o
funcionamento regular dos serviços judiciais na comarca;
e) é obrigatória a promoção do Juiz que figure por três
vezes consecutivas ou cinco alternadas em lista de merecimento;
f) o Juiz não poderá ser promovido ou removido enquanto
houver processo paralisado, pendente de despacho, decisão ou
sentença de sua competência;
III – o acesso aos tribunais de segundo grau se fará por
antigüidade e merecimento, alternadamente, apurados na última
entrância em Tribunal de Alçada, quando se tratar de promoção
para o Tribunal de Justiça, de acordo com o inciso II e a
classe de origem;
IV – instituição de cursos oficiais de preparação e
aperfeiçoamento de magistrados como requisitos para ingresso e
promoção na carreira;
V – a aposentadoria com vencimentos integrais é compulsória
por invalidez, ou aos setenta anos de idade, e facultativa aos
trinta anos de serviço, após cinco anos de efetivo exercício na
judicatura;
VI – o Juiz titular residirá na respectiva comarca;
VII – a criação ou restauração de comarca ou vara importará
a previsão das respectivas estruturas administrativa,
judiciária, notarial e de registro definidas na Lei de
Organização e Divisão Judiciárias;
VIII – o ato de remoção, disponibilidade ou aposentadoria
de magistrado, por interesse público, fundar-se-á em decisão,
pelo voto de dois terços do Tribunal de Justiça, assegurada
ampla defesa;
IX – todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário
serão públicos, e, todas as decisões, fundamentadas, sob pena de
nulidade, podendo a lei, se o interesse público o exigir,
limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a
seus advogados, ou somente a estes;
X – as decisões administrativas dos tribunais serão
motivadas, e, as disciplinares, tomadas pelo voto da maioria de
seus membros, ou do órgão especial, se houver;
XI – nos tribunais com número superior a vinte e cinco
julgadores, poderá ser constituído órgão especial, com o mínimo
de onze e o máximo de vinte e cinco membros, para o exercício
das atribuições administrativas e jurisdicionais da competência
do tribunal pleno.

Art. 99 – Um quinto dos lugares dos tribunais de segundo
grau será composto de membros do Ministério Público com mais de
dez anos de carreira e de advogados de notório saber jurídico e
de reputação ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade
profissional, indicados pelos órgãos de representação das
respectivas classes em lista sêxtupla.
Parágrafo único – Recebidas as indicações, o Tribunal
formará lista tríplice e a enviará ao Governador do Estado, que,
nos vinte dias subsequentes, escolherá um de seus integrantes
para nomeação.

Art. 100 – São garantias do Magistrado:
I – vitaliciedade, adquirida:
a) pelos Juízes nomeados para os tribunais de segundo grau,
a partir da posse;
b) pelos magistrados de carreira, após dois anos de
exercício no cargo;
II – inamovibilidade, salvo a remoção compulsória, por
motivo de interesse público, ou a movimentação do Juiz de uma
para outra vara da mesma comarca, se o interesse da prestação
jurisdicional o recomendar, observado o inciso VIII do art. 98;
(Argüida a inconstitucionalidade – ADIN 367. Liminar não
requerida).
III – irredutibilidade de vencimentos, na forma da
Constituição da República.
§ 1º – O magistrado vitalício somente perderá o cargo em
decorrência de sentença judicial transitada em julgado.
§ 2º – O Tribunal de Justiça poderá, pelo voto da maioria
de seus membros e assegurada ampla defesa, por ato ou por
omissão ocorridos durante o biênio do estágio, decidir pela
exoneração do magistrado de carreira: (Argüida a
inconstitucionalidade – ADIN 367. Liminar não requerida).
I – manifestamente negligente no cumprimento dos deveres do
cargo;
II – de procedimento incompatível com a dignidade, a honra
e o decoro das suas funções; ou
III – de insuficiente capacidade de trabalho ou cujo
proceder funcional seja incompatível com o bom desempenho das
atividades do Poder Judiciário.
§ 3º – Dar-se-á exoneração, com automático afastamento das
funções, ainda que o ato respectivo seja publicado após o
biênio. (Argüida a inconstitucionalidade – ADIN 367. Liminar não
requerida).
§ 4º – Em caso de extinção da comarca ou mudança de sede do
juízo, será facultado ao magistrado remover-se para outra
comarca de igual entrância, ou obter a disponibilidade com
vencimentos integrais, até seu aproveitamento na magistratura.

Art. 101 – Os vencimentos do magistrado serão fixados com
diferença não superior a dez por cento de uma para outra das
categorias da carreira, não podendo exceder, a qualquer título,
os de Ministro do Supremo Tribunal Federal.
§ 1º – Os vencimentos do Desembargador, excluídas as
vantagens de caráter pessoal, manterão sempre a equivalência
resultante do disposto nos arts. 24, § 1º, e 32.
§ 2º – Alterada a remuneração dos membros dos demais
Poderes, o Tribunal de Justiça proporá à Assembléia Legislativa
o reajustamento dos vencimentos do magistrado, observado o
disposto neste artigo.
§ 3º – O magistrado se sujeita aos impostos gerais,
inclusive o de renda, aos extraordinários e aos descontos
fixados em lei, observada a isonomia com os membros dos demais
Poderes.
§ 4º – Os proventos do magistrado na inatividade serão
pagos na mesma data e revistos segundo os mesmos índices dos
vencimentos do magistrado em atividade.
§ 5º – Em caso de morte do magistrado, ativo ou inativo, é
assegurado o benefício de pensão correspondente à totalidade da
remuneração ou proventos, observado o disposto no parágrafo
anterior.

Art. 102 – Ao magistrado é vedado:
I – exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou
função, salvo uma de magistério;
II – receber, a qualquer título ou pretexto, custas, ou
participação em processo;
III – dedicar-se a atividade político-partidária.

Art. 103 – Compete privativamente:
I – aos tribunais de segundo grau:
a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus regimentos
internos com observância das normas de processo e das garantias
processuais das partes e dispondo sobre a competência e o
funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais e
administrativos;
b) organizar suas secretarias, seus serviços auxiliares e
os dos juízos que lhes forem vinculados, velando pelo exercício
da atividade correcional respectiva;
c) prover, por concurso público de provas, ou de provas e
títulos, os cargos necessários à administração da Justiça,
exceto os de confiança assim definidos em lei; e
d) conceder licença, férias e outros afastamentos a seus
membros e aos juízes e servidores que lhes forem imediatamente
vinculados;
II – ao Tribunal de Justiça:
a) prover os cargos de juiz de carreira da respectiva
jurisdição;
b) expedir decisão normativa em matéria administrativa de
economia interna do Poder Judiciário, ressalvada a autonomia
administrativa dos tribunais inferiores;
c) por iniciativa de seu Presidente, elaborar o Regimento
Interno e organizar sua Secretaria e os serviços auxiliares, e
os dos juízos que lhe forem vinculados.
Parágrafo único – Para a eleição a que se refere a alínea
“a” do inciso I terão direito a voto todos os membros do
Tribunal.

Art. 104 – Compete privativamente ao Tribunal de Justiça
propor ao Poder Legislativo, observadas as limitações desta
Constituição:
I – a alteração do número de seus membros e dos membros dos
tribunais inferiores;
II – a criação e a extinção de cargo e a fixação de
vencimentos de seus membros, dos Juízes, inclusive dos tribunais
inferiores, dos serviços auxiliares e os dos juízos que lhes
forem vinculados;
III – a criação ou a extinção dos tribunais inferiores;
IV – a revisão da organização e da divisão judiciárias,
bienalmente.

Subseção II
Do Tribunal de Justiça

Art. 105 – O Tribunal de Justiça, com jurisdição em todo o
Estado e sede na Capital, compor-se-á de desembargadores em
número fixado em lei de sua iniciativa, com competência definida
nesta Constituição e na legislação pertinente.

Art. 106 – Compete ao Tribunal de Justiça, além das
atribuições previstas nesta Constituição:
I – processar e julgar originariamente, ressalvada a
competência das justiças especializadas:
a) o Vice-Governador do Estado, o Deputado Estadual, o
Procurador Geral do Estado e o Procurador Geral de Justiça, nos
crimes comuns;
b) o Secretário de Estado, ressalvado o disposto no § 2º do
art. 93, os Juízes dos Tribunais de Alçada e de Justiça Militar,
os Juízes de Direito, os membros do Ministério Público, o
Comandante-Geral da Polícia Militar e o do Corpo de Bombeiros
Militar e os Prefeitos Municipais, nos crimes comuns e nos de
responsabilidade;(Redação dada pela Emenda à Constituição 39, de
02/6/1999).
c) o mandado de segurança contra ato do Governador do
Estado, da Mesa e da Presidência da Assembléia Legislativa, do
próprio Tribunal ou de seus órgãos diretivos e colegiados, de
Juiz de Direito, nas causas de sua competência recursal, de
Secretário de Estado, do Presidente do Tribunal de Contas, do
Procurador Geral de Justiça e do Procurador Geral do Estado;
d) “habeas-corpus”, nos processos cujos recursos forem de
sua competência ou quando o coator ou paciente for autoridade
diretamente sujeita à sua jurisdição;
e) “habeas-data” contra ato de autoridade diretamente
sujeita à sua jurisdição;
f) mandado de injunção, quando a elaboração da norma
regulamentadora for atribuição de órgão, de entidade ou de
autoridade estadual da administração direta ou indireta;
g) ação rescisória de julgado seu e revisão criminal em
processo de sua competência;
h) ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato
normativo estaduais em face desta Constituição, ou municipais,
em face desta e da Constituição da República; e (Argüida a
inconstitucionalidade da expressão “e da Constituição da
República” – ADIN 508. Liminar deferida em 14/6/1991 e publicada
em 23/8/1991).
i) conflito de competência entre Juízes de Direito, em
matéria de sua competência recursal;
j) as causas e os conflitos entre o Estado e os municípios,
entre estes e entre as respectivas entidades da administração
indireta.(Acrescida pela Emenda à Constituição 38, de 07/1/1999).
II – julgar, em grau de recurso:
a) ação cível em que for autor, réu, assistente ou oponente
o Estado, o Município e respectivas entidades da administração
indireta;
b) decisão proferida por Juiz de Menores;
c) causa relativa a família, sucessão, estado e capacidade
das pessoas;
d) causa relativa a registro público;
e) causa relativa a falência e concordata;
f) causa relativa a matéria fiscal;
g) causa relativa a proteção do meio ambiente e do
patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e
paisagístico;
h) causa relativa a infração penal a que seja cominada pena
de reclusão, isolada, cumulativa ou alternativamente, excetuada
a relativa a crime contra o patrimônio;
i) causa relativa a crime falimentar, a crime contra a
Administração Pública, a crime relativo a tóxico ou entorpecente
e a crime de responsabilidade;
j) causa relativa a crime de competência do Tribunal do
Júri;
l) decisão sobre “habeas-corpus” e “habeas-data” proferida
por Juiz de Direito e relacionada com causa de sua competência
recursal;
III – solicitar a intervenção no Estado e em Município, nos
casos previstos nesta e na Constituição da República.
§ 1º – Nos casos de conexão ou continência entre ações de
competência do Tribunal de Justiça e do Tribunal de Alçada,
prorrogar-se-á a do primeiro, o mesmo ocorrendo quando, em
matéria penal, houver desclassificação para crime de competência
do último.
§ 2º – Compete ao Presidente do Tribunal de Justiça expedir
ato de nomeação, remoção, promoção, disponibilidade e
aposentadoria de magistrado de carreira da respectiva
jurisdição.

Subseção III
Dos Tribunais de Alçada

Art. 107 – Os Tribunais de Alçada terão a jurisdição, a
sede e os juízes que a lei determinar.

Art. 108 – Compete aos Tribunais de Alçada:
I – processar e julgar originariamente:
a) mandado de segurança e “habeas-corpus” contra ato e
decisão de Juiz de primeira instância, desde que relacionados
com causa cujo julgamento, em grau de recurso, seja da sua
competência;
b) ação rescisória de julgado seu e revisão criminal em
processo de sua competência;
II – julgar em grau de recurso causa não atribuída
expressamente à competência do Tribunal de Justiça ou a órgão
recursal dos juizados especiais.

Subseção IV
Da Justiça Militar

Art. 109 – A Justiça Militar é constituída, em primeiro
grau, pelos Conselhos de Justiça e, em segundo, pelo Tribunal de
Justiça Militar.

Art. 110 – O Tribunal de Justiça Militar, com sede na Capital
e jurisdição em todo o território do Estado, compõe-se de juízes
Oficiais da ativa, do mais alto posto da Polícia Militar ou do
Corpo de Bombeiros Militar, e de juízes civis, em número ímpar,
fixado na Lei de Organização e Divisão Judiciárias, excedendo o
número de juízes Oficiais ao de juízes civis em uma
unidade.(Redação dada pela Emenda à Constituição 39, de
02/6/1999).
§ 1º – Os juízes Oficiais da ativa e os integrante do
quinto constitucional serão nomeados por ato do Governador do
Estado, obedecendo-se à regra do art. 99.
§ 2º – O Juiz do Tribunal de Justiça Militar e o Juiz
Auditor gozam, respectivamente, dos mesmos direitos, vantagens e
vencimentos do Juiz dos Tribunais de Alçada e do Juiz de Direito
de entrância especial e se sujeitam às mesmas vedações.

Art. 111 – Compete à Justiça Militar processar e julgar o
policial militar e o bombeiro militar em crime militar
definido em lei, e ao Tribunal de Justiça Militar, decidir
sobre a perda do posto e da patente de oficial e da graduação de
praça.(Redação dada pela Emenda à Constituição 39, de 02/6/1999).

Subseção V
Do Tribunal do Júri

Art. 112 – Em cada comarca funcionará pelo menos um
Tribunal do Júri, com a composição e a organização que a lei
federal determinar, assegurados o sigilo das votações, a
plenitude da defesa e a soberania dos veredictos, e com
competência para julgar os crimes dolosos contra a vida.

Subseção VI
Do Juiz de Direito

Art. 113 – O Juiz de Direito exerce a jurisdição comum
estadual de primeiro grau e integra a carreira da magistratura
nas comarcas e juízes e com a competência que a Lei de
Organização e Divisão Judiciárias determinar.
Parágrafo único – Compete ao Juiz de Direito julgar mandado
de injunção quando a norma regulamentadora for atribuição do
Prefeito, da Câmara Municipal ou de sua Mesa Diretora, ou de
autarquia ou fundação pública municipais.

Art. 114 – Para conhecer e julgar conflito fundiário, será,
pelo Presidente do Tribunal de Justiça, designado Juiz de
entrância especial, com competência exclusiva para questão
agrária.
Parágrafo único – Sempre que necessário à eficiente
prestação jurisdicional, o juiz se fará presente no local do
litígio.

Art. 115 – O Tribunal de Justiça avaliará, periodicamente,
as comarcas e o volume dos trabalhos forenses e proporá, se
necessário, a reavaliação das entrâncias e a criação de novas
varas.

Subseção VII
Dos Juizados Especiais

Art. 116 – A competência e a composição dos juizados
especiais, inclusive dos órgãos de julgamento de seus recursos,
serão determinadas na Lei de Organização e Divisão
Judiciárias, observado o disposto no art. 98, I, da Constituição
da República, e, no que couber, no inciso VII do art. 98 desta
Constituição.

Subseção VIII
Da Justiça de Paz

Art. 117 – A lei disporá sobre a Justiça de Paz,
remunerada, composta de cidadãos eleitos pelo voto direto,
universal e secreto, com mandato de quatro anos e competência
para celebrar casamento, verificar, de ofício ou em face de
impugnação apresentada, o processo de habilitação e exercer
atribuições conciliatórias, sem caráter jurisdicional, além de
outras previstas na legislação.
Parágrafo único – A eleição do Juiz de Paz, observado o
sistema majoritário e a coincidência com as eleições municipais,
será disciplinada na lei.

Subseção IX
Do Controle de Constitucionalidade

Art. 118 – São partes legítimas para propor ação direta de
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo estadual ou
municipal, em face desta Constituição:
I – o Governador do Estado;
II – a Mesa da Assembléia;
III – o Procurador Geral de Justiça;
IV – o Prefeito ou a Mesa da Câmara Municipal;
V – o Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do
Estado de Minas Gerais;
VI – partido político legalmente instituído;
VII – entidade sindical ou de classe com base territorial
no Estado.
§ 1º – Aplica-se o disposto neste artigo à ação direta de
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo municipal em face
da Constituição da República. (Argüida a inconstitucionalidade
da expressão “em face da Constituição da República” – ADIN 508.
Liminar deferida em 14/6/1991 e publicada em 23/8/1991).
§ 2º – O Procurador Geral de Justiça será ouvido,
previamente, nas ações diretas de inconstitucionalidade.
§ 3º – Declarada a inconstitucionalidade, a decisão será
comunicada à Assembléia Legislativa ou à Câmara Municipal.
§ 4º – Reconhecida a inconstitucionalidade por omissão de
medida para tornar efetiva norma desta Constituição, a decisão
será comunicada ao Poder competente para adoção das providências
necessárias à prática do ato ou início do processo legislativo,
e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em
trinta dias, sob pena de responsabilidade.
§ 5º – Quando o Tribunal de Justiça apreciar a
inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo
estadual, citará, previamente, o Procurador Geral do Estado e
Procurador Geral da Assembléia Legislativa, que defenderão o ato
ou texto impugnado, ou, no caso de norma legal ou ato normativo
municipal, o Prefeito e o presidente da Câmara Municipal, para a
mesma finalidade.
§ 6º – Somente pelo voto da maioria de seus membros ou do
seu órgão especial poderão os Tribunais declarar
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo estadual ou
municipal, incidentalmente ou como objeto de ação direta.

Seção IV
Das Funções Essenciais à Justiça
Subseção I
Do Ministério Público

Art. 119 – O Ministério Público é instituição permanente,
essencial à função jurisdicional do Estado, a que incumbe a
defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses
sociais e individuais indisponíveis.
Parágrafo único – São princípios institucionais do
Ministério Público a unidade, a indivisibilidade e a
independência funcional.
Art. 120 – São funções institucionais do Ministério
Público:
I – promover, privativamente, a ação penal pública, na
forma da lei;
II – zelar pelo efeito respeito dos Poderes Públicos e dos
serviços de relevância pública aos direitos constitucionalmente
assegurados, promovendo as medidas necessárias a sua garantia;
III – promover inquérito civil e ação civil pública, para a
proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de
outros interesses difusos e coletivos;
IV – promover ação de inconstitucionalidade ou
representação para o fim de intervenção do Estado em Município,
nos casos previstos nesta Constituição;
V – expedir notificação nos procedimentos administrativos
de sua competência, requisitando informação e documento para
instruí-los, na forma da lei complementar respectiva;
VI – exercer o controle externo da atividade policial, na
forma da lei complementar respectiva;
VII – requisitar diligência investigatória e instauração de
inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas
manifestações processuais;
VIII – exercer outras funções que lhe forem conferidas,
desde que compatíveis com sua finalidade, vedada a representação
judicial e a consultoria jurídica de entidade pública.

Art. 121 – Além das funções previstas na Constituição da
República e nas leis, incumbe ao Ministério Público, nos termos
de sua lei complementar:
I – exercer a fiscalização de estabelecimento prisional ou
que abrigue idoso, menor, incapaz ou portador de deficiência;
II – participar de organismo estatal de defesa do meio
ambiente, do consumidor, de política penal e penitenciária e de
outros afetos à sua área de atuação.

Art. 122 – Ao Ministério Público é assegurada autonomia
funcional, administrativa e financeira, cabendo-lhe,
especialmente:
I – propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de seus
cargos e serviços auxiliares e a fixação dos vencimentos de seus
membros e servidores; (Declarada a constitucionalidade, em
30/3/1995 – ADIN 153. Decisão publicada em 7/4/1995).
II – expedir, nos termos desta Constituição, ato de
provimento de cargo inicial de carreira e dos serviços
auxiliares, de promoção, de remoção, de readmissão e de
reversão;
III – editar ato de aposentadoria, exoneração, demissão e
outros que importem vacância de cargo de carreira ou dos
serviços auxiliares;
IV – organizar suas secretarias e os serviços auxiliares
das Procuradorias e Promotorias de Justiça;
V – elaborar regimento interno.
Parágrafo único – Os atos de que tratam os incisos I, II e
III são da competência do Procurador Geral de Justiça.

Art. 123 – O Ministério Público Estadual é exercido:
I – pelo Procurador Geral de Justiça;
II – pelos Procuradores de Justiça;
III – pelos Promotores de Justiça.
§ 1º – Os membros do Ministério Público, em exercício, que
gozem de vitaliciedade, formarão lista tríplice entre os
Procuradores de Justiça de categoria mais elevada, na forma da
lei complementar, para escolha de seu Procurador Geral, que será
nomeado pelo Governador do Estado para mandato de dois anos,
permitida uma recondução, observado o mesmo procedimento.
§ 2º – Recebida a lista tríplice, o Governador do Estado,
nos vinte dias subsequentes, nomeará um dos seus integrantes e
lhe dará posse.
§ 3º – Caso o Governador do Estado não nomeie ou emposse o
procurador Geral de Justiça no prazo do parágrafo anterior, será
investido no cargo o mais votado entre os integrantes da lista,
para o exercício do mandato.
§ 4º – O Procurador Geral de Justiça poderá ser destituído
por deliberação da maioria dos membros do Poder Legislativo, na
forma da lei complementar respectiva.

Art. 124 – O Ministério Público junto do Tribunal de Contas
e do Tribunal de Justiça Militar será exercido por Procurador de
Justiça integrante do Ministério Público Estadual.

Art. 125 – É facultada ao Procurador Geral de Justiça a
iniciativa de lei complementar que disponha sobre:
I – organização, atribuições e Estatuto do Ministério
Público, observado o seguinte:
a) ingresso na carreira mediante concurso público de provas
e títulos, assegurada a participação da Ordem dos Advogados do
Brasil, Seção do Estado de Minas Gerais, em sua realização e
observada, nas nomeações, a ordem de classificação;
b) promoção, por antigüidade e merecimento, alternadamente,
de uma para outra entrância ou categoria, e da entrância mais
elevada para o cargo imediato de Procurador de Justiça,
aplicado, no que couber, o disposto no art. 98, II;
c) vencimentos fixados com diferença não excedente a dez
por cento de uma para outra das entrâncias ou categorias da
carreira, não podendo exceder, a qualquer título, os atribuídos
ao Procurador Geral de Justiça, cuja remuneração não poderá ser
superior à que perceber, a qualquer título, o Desembargador;
d) aposentadoria com proventos integrais, compulsória por
invalidez ou aos setenta anos de idade e facultativa aos trinta
anos de serviço, após cinco anos de exercício efetivo na
carreira, observado o disposto no art. 36, § 4º;
e) os direitos previstos no art. 7º, VIII, XII, XVII, XVIII
e XIX, da Constituição da República, nos incisos I, II e III do
art. 31 e no § 5º do art. 36 desta Constituição;
II – controle externo da atividade policial, por meio do
exercício das seguintes atribuições, entre outras:
a) fiscalizar o cumprimento dos mandados de prisão;
b) receber, diretamente da autoridade policial, os
inquéritos e quaisquer outras peças de informação;
c) fixar prazo para prosseguimento de inquérito policial;
d) requisitar diligência à autoridade policial;
e) inspecionar as unidades policiais civis ou militares;
f) receber cópia de ocorrência lavrada pela Polícia Civil
ou pela Polícia Militar;
g) avocar, excepcional e fundamentadamente, inquérito
policial em andamento;
III – procedimentos administrativos de sua competência;
IV – manutenção de curadorias especializadas para atuação
na defesa do meio ambiente, dos direitos do consumidor e do
patrimônio cultural do Estado.

Art. 126 – Aos membros do Ministério Público são
asseguradas as seguintes garantias:
I – vitaliciedade, após dois anos de exercício, não podendo
perder o cargo senão por sentença judicial transitada em
julgado;
II – inamovibilidade, salvo por motivo de interesse
público, mediante decisão do órgão colegiado competente do
Ministério Público, pelo voto de dois terços de seus membros,
assegurada ampla defesa;
III – irredutibilidade de vencimentos, observado, quanto à
remuneração, o disposto na Constituição da República.
Parágrafo único – Aplica-se aos casos de disponibilidade e
aposentadoria, por interesse público, o disposto no inciso II
deste artigo.

Art. 127 – Os membros do Ministério Público se sujeitam,
entre outras, às seguintes vedações:
I – receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto,
honorários, percentagens ou custas processuais;
II – exercer a advocacia;
III – exercer o comércio ou participar de sociedade
comercial, na forma da lei;
IV – exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra
função pública, salvo uma de magistério;
V – exercer atividade político-partidária, salvo exceção
prevista em lei.
Parágrafo único – As funções do ministério Público são
privativas dos integrantes da carreira, que deverão residir nas
comarcas da respectiva lotação.

Subseção II
Da Advocacia do Estado

Art. 128 – A Procuradoria Geral do Estado é instituição
diretamente subordinada ao Governador do Estado, incumbida da
representação judicial do Estado, da consultoria e do
assessoramento jurídicos do Poder Executivo.
§ 1º – Lei complementar organizará a Procuradoria Geral do
Estado e disporá sobre a carreira de Procurador do Estado, e o
ingresso nela depende de concurso público de provas e títulos,
realizado pela instituição, com a participação da Ordem dos
Advogados do Brasil, Seção do Estado de Minas Gerais.
§ 2º – Nos processos judicial e administrativo que tratem
de matéria tributária, a representação do Estado incumbe à
Procuradoria Geral da Fazenda Estadual, que a exercerá por seus
Procuradores.
§ 3º – Ao Procurador do Estado e ao Procurador da Fazenda
Estadual é vedado o exercício da advocacia fora de suas
atribuições institucionais.
§ 4º – O Procurador Geral do Estado e o Procurador Geral da
Fazenda Estadual são nomeados, em comissão, pelo Governador do
Estado dentre advogados, maiores de trinta e cinco anos, de
notável saber jurídico e de reputação ilibada.
§ 5º – No processo judicial que versar sobre ato praticado
pelo Poder Legislativo ou por sua administração a representação
do Estado incumbe à Procuradoria Geral da Assembléia
Legislativa, na forma do § 2º do art. 62.

Subseção III
Da Defensoria Pública

Art. 129 – A Defensoria Pública é instituição essencial à
função jurisdicional do Estado, a que incumbe a orientação
jurídica, a representação judicial e a defesa gratuitas, em
todos os graus, dos necessitados.

Art. 130 – Lei complementar organizará a Defensoria Pública
em cargos de carreira, providos na classe inicial mediante
concurso público de provas e títulos, realizado com participação
da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Estado de Minas
Gerais, assegurada aos seus integrantes a garantia de
inamovibilidade e vedado o exercício da advocacia fora de suas
atribuições institucionais.
§ 1º – O Defensor Público Geral da Defensoria Pública será
nomeado pelo Governador do Estado, escolhido dentre três
defensores públicos de classe final, indicados em lista tríplice
pelos integrantes da carreira, para mandato de dois anos,
permitida uma recondução.
§ 2º – É obrigatória a criação de órgão da Defensoria
Pública em todas as comarcas.

Art. 131 – Às carreiras disciplinadas nas Seções I, II, III
e Subseções I, II e III da Seção IV deste Capítulo se aplica o
princípio do art. 24, § 2º, e o do art. 32.

Subseção IV
Da Advocacia

Art. 132 – O advogado é indispensável à administração da
Justiça e inviolável por seus atos e manifestações no exercício
da profissão, nos limites da lei.
Parágrafo único – É obrigatória a representação das partes
por advogado, para ingresso ou defesa em Juízo, perante juiz ou
tribunal estadual.

Seção V
Da Segurança do Cidadão e da Sociedade
Subseção I
Da Defesa Social

Art. 133 – A defesa social, dever do Estado e direito e
responsabilidade de todos, organiza-se de forma sistêmica
visando a:
I – garantir a segurança pública, mediante a manutenção da
ordem pública, com a finalidade de proteger o cidadão, a
sociedade e os bens públicos e privados, coibindo os ilícitos
penais e as infrações administrativas;
II – prestar a defesa civil, por meio de atividades de
socorro e assistência, em casos de calamidade pública, sinistros
e outros flagelos;
III – promover a integração social, com a finalidade de
prevenir a violência e a criminalidade.

Art. 134 – O Conselho da Defesa Social é órgão consultivo
do Governador na definição da política de defesa social do
Estado e tem assegurada, em sua composição, a participação:
(Redação dada pela Emenda à Constituição nº 43, de 14/11/2000).
I – do Vice-Governador do Estado, que o presidirá;
II – do Secretário de Estado da Justiça e de Direitos
Humanos; (Redação dada pela Emenda à Constituição nº 43, de
14/11/2000).
III – do Secretário de Estado da Educação; (Redação dada
pela Emenda à Constituição nº 43, de 14/11/2000).
IV – de um membro do Poder Legislativo Estadual; (Redação
dada pela Emenda à Constituição nº 43, de 14/11/2000).
V – do Comandante-Geral da Polícia Militar; (Redação dada
pela Emenda à Constituição nº 43, de 14/11/2000
VI – do Chefe da Polícia Civil; (Redação dada pela Emenda à
Constituição nº 43, de 14/11/2000).
VII – de um representante da Defensoria Pública; (Redação
dada pela Emenda à Constituição nº 43, de 14/11/2000).
VIII – de um representante do Ministério Público; (Redação
dada pela Emenda à Constituição nº 43, de 14/11/2000).
IX – de três representantes da sociedade civil, sendo um da
Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Estado de Minas Gerais, um
da imprensa e um indicado na forma da lei. (Redação dada pela
Emenda à Constituição nº 43, de 14/11/2000).
§ 1º – Na definição da política a que se refere este
artigo, serão observadas as seguintes diretrizes:
I – valorização dos direitos individuais e coletivos;
II – estímulo ao desenvolvimento da consciência individual
e coletiva de respeito à lei e ao direito;
III – valorização dos princípios éticos e das práticas da
sociabilidade;
IV – prevenção e repressão dos ilícitos penais e das
infrações administrativas;
V – preservação da ordem pública;
VI – eficiência e presteza na atividade de colaboração para
a atuação jurisdicional da lei penal.
§ 2º – A lei disporá sobre a organização e o funcionamento
do Conselho de Defesa Social.

Art. 135 – A lei disporá sobre a criação e a organização de
serviços autônomos de assistência psicossocial e jurídica, a
cargo de profissionais com exercício de suas atividades junto
das unidades policiais.

Subseção II
Da Segurança Pública

Art. 136 – A segurança pública, dever do Estado e direito e
responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da
ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio,
através dos seguintes órgãos:
I – Polícia Civil;
II – Polícia Militar;
III – Corpo de Bombeiros Militar.(Acrescido pela Emenda à
Constituição 39, de 02/6/1999).

Art. 137 – A Polícia Civil, a Polícia Militar e o
Corpo de Bombeiros Militar se subordinam ao Governador do
Estado.(Redação dada pela Emenda à Constituição 39, de 02/6/1999).

Art. 138 – O Município pode constituir guardas municipais
para a proteção de seus bens, serviços e instalações, nos termos
do art. 144, § 8º, da Constituição da República.

Art. 139 – À Polícia Civil, órgão permanente do Poder
Público, dirigido por Delegado de Polícia de carreira e
organizado de acordo com os princípios da hierarquia e da
disciplina, incumbem, ressalvada a competência da União, as
funções de polícia judiciária e a apuração, do território do
Estado, das infrações penais, exceto as militares, e lhe são
privativas as atividades pertinentes a:
I – Polícia técnico-científica;
II – processamento e arquivo de identificação civil e
criminal;
III – registro e licenciamento de veículo automotor e
habilitação de condutor.

Art. 140 – A Polícia Civil é estruturada em carreiras, e as
promoções obedecerão ao critério alternado de antigüidade e
merecimento.
§ 1º – O ingresso na Polícia Civil se dará em classe
inicial das carreiras, mediante concurso público de provas ou de
provas e títulos, realizado privativamente pela Academia de
Polícia Civil.
§ 2º – O exercício de cargo policial civil é privativo de
integrantes das respectivas carreiras.
§ 3º – Para o ingresso na carreira de Delegado de Polícia,
é exigido o título de Bacharel em Direito e concurso público,
realizado com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil,
Seção do Estado de Minas Gerais, e exigido curso de nível
superior de escolaridade para a de Perito Criminal.
Art. 141 – O Chefe da Polícia Civil é livremente nomeado
pelo Governador do Estado dentre os integrantes, em atividade,
da classe final da carreira de Delegado de Polícia.

Art. 142 – A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros
Militar, forças públicas estaduais, são órgãos permanentes,
organizados com base na hierarquia e na disciplina militares
e comandados, preferencialmente, por oficial da ativa, do último
posto, competindo:(Redação dada pela Emenda à Constituição 29, de
22/10/1997 e pela Emenda à Constituição 39, de 2/6/1999).
I – à Polícia Militar, a polícia ostensiva de prevenção
criminal, de segurança, de trânsito urbano e rodoviário, de
florestas e de mananciais e as atividades relacionadas com a
preservação e a restauração da ordem pública, além da garantia do
exercício do poder de polícia dos órgãos e entidades públicos,
especialmente das áreas fazendária, sanitária, de proteção
ambiental, de uso e ocupação do solo e de patrimônio
cultural;(Redação dada pela Emenda à Constituição 39, de
2/6/1999)
II – ao Corpo de Bombeiros Militar, a coordenação e a
execução de ações de defesa civil, a prevenção e combate a
incêndio, perícias de incêndio, busca e salvamento e
estabelecimento de normas relativas à segurança das pessoas e de
seus bens contra incêndio ou qualquer tipo de catástrofe; (Redação
dada pela Emenda à Constituição 39, de 2/6/1999)
III – à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros Militar, a
função de polícia judiciária militar, nos termos da lei federal.
(Redação dada pela Emenda à Constituição 39, de 2/6/1999)
§ 1º – A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar
são forças auxiliares e reservas do Exército. (Parágrafo único
alterado para § 1º pela Emenda à Constituição 29, de
22/10/1997) (Redação dada pela Emenda à Constituição 39, de
2/6/1999)
§ 2º – Por decisão fundamentada do Governador do Estado, o
comando da Polícia Militar ou do Corpo de Bombeiros Militar
poderá ser exercido por oficial da reserva que tenha ocupado,
durante o serviço ativo e em caráter efetivo, cargo privativo
do último posto da corporação. (Dispositivo acrescentado pela
Emenda à Constituição 29, de 22/10/1997)(Redação alterada pela
Emenda à Constituição 39, de 02/6/1999)

Art. 143 – Lei complementar organizará a Polícia Militar e o
Corpo de Bombeiros Militar.(Redação dada pela Emenda à
Constituição 39, de 02/6/99).
Parágrafo único – Os regulamentos disciplinares das
corporações a que se refere o “caput” deste artigo serão revistos
periodicamente pelo Poder Executivo, com intervalos de no máximo
cinco anos, visando ao seu aprimoramento e atualização.(Acrescido
pela Emenda à Constituição 39, de 02/6/1999).

CAPÍTULO III
DAS FINANÇAS PÚBLICAS
Seção I
Da Tributação

Art. 144 – Ao Estado compete instituir:
I – imposto sobre:
a) transmissão “causa mortis” e doação, de bem ou direito;
b) operações relativas à circulação de mercadorias e sobre
prestações de serviços de transporte interestadual e
intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as
prestações se iniciem no Exterior;
c) propriedade de veículos automotores;
d) …………………………………………….
(Revogada pela Emenda à Constituição 10, de 2/9/1993.)
Dispositivo revogado:
“d) adicional de imposto de renda e proventos de qualquer
natureza, incidente sobre lucros, ganhos e rendimentos de capital,
em até cinco por cento do que for pago à União por pessoas físicas
ou jurídicas domiciliadas no território do Estado;”
II – taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou
pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos
específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos à
sua disposição;
III – contribuição de melhoria, decorrente de obras
públicas.
§ 1º – Sempre que possível, os impostos terão caráter
pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do
contribuinte, facultado à administração tributária,
especialmente para conferir efetividade a esses objetivos,
identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da
lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do
contribuinte.
§ 2º – As taxas não poderão ter base de cálculo própria de
imposto, ou integrar a receita corrente do órgão ou entidade
responsável por sua arrecadação.
§ 3º – A instituição do imposto previsto na alínea “a” do
inciso obedecerá ao disposto em lei complementar federal, nas
hipóteses mencionadas no inciso III do § 1º do art. 155 da
Constituição da República.

Art. 145 – O imposto previsto na alínea “a” do inciso I do
artigo anterior é devido ao Estado:
I – relativamente a bem imóvel e aos respectivos direitos,
quando situado no Estado;
II – relativamente a bem móvel, título e crédito, quando o
inventário ou arrolamento se processar em seu território, ou
nele tiver domicílio o doador.
Parágrafo único – O Estado respeitará, na fixação da
alíquota do imposto de que trata este artigo, o índice máximo
estabelecido pelo Senado Federal.

Art. 146 – Aplicam-se ao Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transportes
Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação as seguintes
normas:
I – será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em
cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestações
de serviços com o montante cobrado nas anteriores por este ou
outro Estado;
II – a isenção ou não-incidência, salvo determinação em
contrário da legislação:
a) não implicará crédito para compensação com o montante
devido nas operações ou prestações seguintes;
b) acarretará a anulação do crédito relativo às operações
anteriores;
III – poderá ser seletivo, em função da essencialidade das
mercadorias e dos serviços;
IV – as alíquotas estabelecidas em resolução do Senado
Federal serão aplicáveis a operações e prestações interestaduais
e de exportação;
V – o Estado fixará as alíquotas para as operações
internas, observado o seguinte:
a) limite mínimo não inferior ao estabelecido pelo Senado
Federal para as operações interestaduais, salvo:
1 – deliberação em contrário estabelecida na forma da lei
complementar federal, conforme previsto na alínea “g” do inciso
XII do § 2º do art. 155 da Constituição da República;
2 – por resolução do Senado Federal, na forma da alínea “a”
do inciso V do § 2º do art. 155 da Constituição da República;
b) limite máximo, na hipótese de resolução do Senado
Federal, para a solução de conflito específico que envolva
interesse do Estado;
VI – para as operações que destinem bens e serviços a
consumidor final localizado em outro Estado, adotar-se-á:
a) a alíquota interestadual, quando o destinatário for
contribuinte do imposto; ou
b) a alíquota interna, quando o destinatário não for
contribuinte dele;
VII – caberá ao Estado a diferença entre a alíquota interna
e a interestadual, nas operações e prestações interestaduais que
lhe destinem mercadorias e serviços para contribuinte do
imposto, na qualidade de consumidor final;
VIII – o imposto incidirá ainda:
a) sobre a entrada de mercadoria importada do Exterior,
ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo fixo
do estabelecimento, assim como sobre serviço prestado no
exterior, se no Estado estiver situado o estabelecimento
destinatário da mercadoria ou do serviço;
b) sobre o valor total da operação, quando mercadorias
forem fornecidas com serviços não compreendidos na competência
tributária do Município;
IX – não haverá incidência do imposto, ressalvada a
hipótese prevista no inciso XI;
a) sobre operação que destine ao Exterior produto
industrializado, salvo o semi-elaborado, assim definido em lei
complementar federal;
b) sobre operação que destine a outro Estado petróleo,
lubrificante, combustível líquido e gasoso dele derivados, e
energia elétrica;
c) sobre o ouro, quando definido em lei como ativo
financeiro ou instrumento cambial;
d) sobre encargo financeiro incorporado ao valor de operação de
venda a prazo, realizada mediante sistema de crediário,
diretamente a consumidor final;(Declarada a
inconstitucionalidade – ADIN 84. Acórdão publicado em
19/4/1996)
e) sobre a saída de leite “in natura”, para consumo, em
operação interna;(Declarada a inconstitucionalidade – ADIN
84. Acórdão publicado em 19/4/1996)
X – não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do
imposto sobre produtos industrializados, quando a operação
realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado a
industrialização ou a comercialização configure fato gerador dos
dois impostos;
XI – as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais
poderão ser concedidos ou revogados pelo Estado, na forma de lei
complementar federal;
XII – à exceção deste imposto, nenhum outro tributo
estadual poderá incidir sobre operações relativas a energia
elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo,
combustíveis e minerais. (Redação dada pela Emenda à
Constituição 10, de 2/9/1993)

Art. 147 – A saída de carvão vegetal será acobertada por
documento fiscal emitido no Município produtor e, quando
destinada a industrialização neste Estado, seu imposto poderá
ser diferido.

Art. 148 – A microempresa, assim definida em lei, gozará de
isenção do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de
Mercadorias para destinatário localizado neste ou em outro Estado
e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e
Intermunicipal e de Comunicação. (Declarada a
inconstitucionalidade – ADIN 84. Acórdão publicado em
19/4/1996)
Parágrafo único – Os benefícios estabelecidos neste artigo
serão aplicados ao pequeno e miniprodutor rural, assim
classificado pelas normas do Manual de Crédito Rural. (Declarada a
inconstitucionalidade – ADIN 84. Acórdão publicado em 19/4/1996).

Subseção I
Da Repartição das Receitas Tributárias

Art. 149 – Em relação aos impostos de competência da União,
na repartição das respectivas receitas, pertencem ao Estado:
I – o produto da arrecadação do imposto sobre a renda e
proventos de qualquer natureza, incidente na fonte sobre
rendimentos pagos, a qualquer título, pelo Estado, suas
autarquias e fundações públicas;
II – vinte por cento do produto da arrecadação do imposto
que a União instituir nos termos do art. 154, I, da Constituição
da República;
III – a quota-parte do produto da arrecadação do imposto
sobre a renda e proventos de qualquer natureza e sobre produtos
industrializados, na forma a que se refere o art. 159, I, “a”, e
II, da Constituição da República;
IV – trinta por cento do produto da arrecadação do imposto
de que trata o art. 153, § 5º, da Constituição da República.

Art. 150 – Na repartição das respectivas receitas, em
relação aos impostos de competência do Estado, pertencem aos
Municípios:
I – cinqüenta por cento do produto da arrecadação do
Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores;
II – vinte e cinco por cento do produto da arrecadação do
Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e
sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e
Intermunicipal e de Comunicação;
III – vinte e cinco por cento dos recursos recebidos pelo
Estado, em razão do disposto no inciso II do art. 159 da
Constituição da República, na forma estabelecida no § 1º deste
artigo.
§ 1º – As parcelas a que se referem os incisos serão
diretamente creditadas em contas próprias dos Municípios
beneficiários, em estabelecimento oficial de crédito, onde
houver, observados, quanto às indicadas nos incisos II e III, os
seguintes critérios:
I – três quartos, no mínimo, na proporção do valor
adicionado nas operações relativas à circulação de mercadorias e
nas prestações de serviços, realizadas em seus territórios;
II – até um quarto, de acordo com o que dispuser a lei.
§ 2º – As parcelas do imposto a que se refere o inciso I
serão transferidas pelo Poder Executivo Estadual aos Municípios
até o último dia do mês subsequente ao da arrecadação.
§ 3º – É vedada a retenção ou a restrição à entrega ou ao
emprego dos recursos atribuídos aos Municípios e previstos nesta
subseção, não estando impedido o Estado de condicionar a
entrega de recursos ao pagamento de seus créditos, inclusive de
suas autarquias.(Redação dada pela Emenda à Constituição 10, de
2/9/1993).

Art. 151 – O Estado divulgará, no órgão oficial, até o
último dia do mês subsequente ao da arrecadação, o montante de
cada um dos tributos arrecadados, os recursos recebidos e os
transferidos sob forma de convênio, os valores de origem
tributária entregues e a entregar e a expressão numérica dos
critérios de rateio.
Parágrafo único – Os dados divulgados pelo Estado serão
discriminados por Município.

Subseção II
Das Limitações ao Poder de Tributar

Art. 152 – É vedado ao Estado, sem prejuízo das garantias
asseguradas ao contribuinte e do disposto no art. 150 da
Constituição da República e na legislação complementar
específica:
I – instituir tributo que não seja uniforme em todo o
território estadual, ou que implique distinção ou preferência em
relação a Município em detrimento de outro, admitida a concessão
de incentivo fiscal destinado a promover o equilíbrio do
desenvolvimento sócioeconômico entre as diferentes regiões do
Estado;
II – instituir isenção de tributo da competência do
Município;
III – estabelecer diferença tributária entre bens e
serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou
destino.
§ 1º – Não será admitida, no período de noventa dias que
antecede o término da sessão legislativa, a apresentação de
projeto de lei que tenha por objeto a instituição ou a majoração
de tributo estadual. (Acrescido pela Emenda à Constituição nº 41,
de 8/11/2000).
§ 2º – O disposto no § 1º deste artigo não se aplica a
projeto de lei destinado exclusivamente a adaptar lei estadual a
norma federal. (Acrescido pela Emenda à Constituição nº 41, de
8/11/2000).

Seção II
Dos Orçamentos

Art. 153 – Leis de iniciativa do Poder Executivo
estabelecerão:
I – o plano plurianual de ação governamental;
II – as diretrizes orçamentárias;
III – o orçamento anual.

Art. 154 – A lei que instituir o plano plurianual de ação
governamental estabelecerá, de forma regionalizada, as
diretrizes, objetivos e metas da Administração Pública para as
despesas de capital e outras delas decorrentes e para as
relativas a programas de duração continuada.
Parágrafo único – O plano plurianual e os programas
estaduais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição
serão elaborados em consonância com o Plano Mineiro de
Desenvolvimento Integrado e submetidos à apreciação da
Assembléia Legislativa.

Art. 155 – A Lei de Diretrizes Orçamentárias, compatível
com o plano plurianual, compreenderá as metas e prioridades da
Administração Pública Estadual, incluirá as despesas correntes e
de capital para o exercício financeiro subsequente, orientará a
elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as
alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de
aplicação das agências financeiras oficiais.
§ 1º – O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, de
iniciativa do Governador do Estado, resultará das propostas
parciais de cada Poder, do Ministério Público e do Tribunal de
Contas, compatibilizadas em regime de colaboração.
§ 2º – Para proceder à compatibilização prevista no
parágrafo anterior e à efetiva verificação dos limites
estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias, será
constituída comissão permanente, composta de cinco membros,
indicados:
I – um, pela Mesa da Assembléia;
II – um, pelo Governador do Estado;
III – um, pelo Presidente do Tribunal de Justiça;
IV – um, pelo Procurador Geral de Justiça;
V – um, pelo Presidente do Tribunal de Contas.
§ 3º – A comissão a que se refere o parágrafo anterior, com
amplo acesso a todos os documentos pertinentes à sua função,
emitirá laudo conclusivo sobre a capacidade real do Estado de
arcar com os custos das propostas parciais e indicará, se for o
caso, os ajustes necessários ao equilíbrio da despesa com a
receita.
§ 4º – A lei definirá os critérios e a competência desta
comissão, que acompanhará e avaliará as receitas do Estado, para
o fim de se estabelecer a justa remuneração do servidor.
§ 5º – A Lei de Diretrizes Orçamentárias fixará percentual
não inferior a um por cento da receita orçamentária corrente
ordinária do Estado, destinado ao atendimento das propostas
priorizadas nas audiências públicas regionais, a ser incluído na
Lei Orçamentária Anual e executado, com o respectivo pagamento,
até o final do exercício financeiro correspondente, sob pena de
responsabilidade, nos termos do inciso VI do art. 91.(Acrescido
pela Emenda à Constituição 36, de 29/12/1998)

Art. 156 – As propostas orçamentárias dos Poderes
Legislativo e Judiciário serão elaboradas, respectivamente, pela
Assembléia Legislativa e pelo Tribunal de Justiça, ouvindo este
os tribunais inferiores, observados os limites estipulados
conjuntamente e incluídos na Lei de Diretrizes Orçamentárias.
Parágrafo único – O disposto neste artigo se aplica, no que
couber, ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas.

Art. 157 – A lei orçamentária anual compreenderá:
I – o orçamento fiscal referente aos Poderes do Estado,
seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e
indireta;
II – o orçamento de investimento das empresas em que o
Estado, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital
social com direito a voto.
§ 1º – Integrará a lei orçamentária demonstrativo
específico com detalhamento das ações governamentais, em nível
mínimo, de:
I – objetivos e metas especificados em subprojetos e
subatividades; (Redação dada pela Emenda à Constituição 27, de
4/9/1997)
II – fontes de recursos;
III – natureza da despesa;
IV – órgão ou entidade responsável pela realização da
despesa;
V – órgão ou entidade beneficiários;
VI – identificação dos investimentos, por região do Estado;
VII – identificação, de forma regionalizada, dos efeitos,
sobre as receitas e despesas, decorrentes de isenções,
remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira,
tributária e creditícia.
§ 2º – O orçamento, compatibilizado com o Plano Mineiro de
Desenvolvimento Integrado, terá, entre suas funções, a de
reduzir desigualdades entre as regiões do Estado, segundo
critério populacional.
§ 3º – A lei orçamentária anual não conterá disposição
estranha à previsão da receita e à fixação da despesa,
ressalvadas a autorização para a abertura de crédito suplementar
e a contratação de operação de crédito, ainda que por
antecipação de receita, nos termos da lei.
§ 4º – O Estado publicará, até o dia trinta do mês
subsequente ao da competência, balancetes mensais de sua
execução orçamentária e financeira. (Redação dada pela
Emenda à Constituição 4, de 29/5/1992)
§ 5º – Para subsidiar a elaboração do Plano Mineiro de
Desenvolvimento Integrado, do plano plurianual de ação
governamental e da proposta orçamentária anual, a Assembléia
Legislativa sistematizará e priorizará, em audiência pública
regional, realizada a cada dois anos, as propostas resultantes de
audiências públicas municipais realizadas pelos poderes públicos
locais, nos termos de regulamentação.(Acrescido pela Emenda à
Constituição 12, de 1º/9/1994, com a redação dada pela Emenda à
Constituição 36, de 29/12/1998)
§ 6º – O Tribunal de Contas, órgão auxiliar do Poder
Legislativo, o Poder Judiciário e o Poder Executivo, com a
finalidade de prestarem informações e colherem subsídios para as
ações pertinentes a seu âmbito de competência, participarão da
audiência pública regional a que se refere o § 5º.(Acrescido pela
Emenda à Constituição 12, de 1º/9/1994, com a redação dada pela
Emenda à Constituição 36, de 29/12/1998)
§ 7º –

(Suprimido pela Emenda à Constituição 36, de 29/12/1998)
Dispositivo suprimido:
“§ 7º – Os Poderes Executivo e Judiciário do Estado
promoverão, nos Municípios e nas datas designados para a
realização das audiências públicas regionais pela Assembléia
Legislativa, audiência pública a fim de prestar informações e
colher subsídios para as ações pertinentes a seus respectivos
âmbitos de competência.”

Art. 158 – A lei orçamentária assegurará investimentos
prioritários em programas de educação, saúde, habitação,
saneamento básico, proteção ao meio ambiente, fomento ao ensino,
à pesquisa científica e tecnológica, ao esporte e à cultura e
ao atendimento das propostas priorizadas nas audiências públicas
regionais.(Redação dada pela Emenda à Constituição 36, de
29/12/1998)
§ 1º – Os recursos para os programas de saúde não serão
inferiores aos destinados aos investimentos em transporte e
sistema viário. (Renumerado pela Emenda à Constituição 36, de
29/12/1998)
§ 2º – Tomando-se como referência as respectivas dotações
orçamentárias, o percentual executado e pago das despesas com
publicidade não será superior, em cada trimestre, ao percentual
executado e pago das despesas decorrentes das propostas
priorizadas nas audiências públicas regionais, ressalvados os
casos de despesas imprevisíveis e urgentes, decorrentes de
calamidade pública.(Acrescido pela Emenda à Constituição 36, de
29/12/1998)

Art. 159 – Cabe à lei complementar:
I – dispor sobre o exercício financeiro, a vigência, os
prazos, a elaboração e a organização do plano plurianual, da lei
de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual;
II – estabelecer normas de gestão financeira e patrimonial
da administração direta e indireta, e condições para a
instituição e funcionamento de fundo.

Art. 160 – Os projetos de lei relativos a plano plurianual,
às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e a crédito
adicional serão apreciados pela Assembléia Legislativa,
observado o seguinte:
I – caberá à Comissão Permanente de Fiscalização Financeira
e Orçamentária da Assembléia Legislativa:
a) examinar e emitir parecer sobre os projetos de que trata
este artigo e sobre as contas apresentadas anualmente pelo
Governador do Estado;
b) examinar e emitir parecer sobre os planos e programas
estaduais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição, e
exercer o acompanhamento e a fiscalização orçamentários, sem
prejuízo da atuação das demais comissões da Assembléia
Legislativa;
II – as emendas serão apresentadas na Comissão indicada no
inciso I, a qual sobre elas emitirá parecer, e apreciadas, na
forma regimental, pelo Plenário da Assembléia Legislativa;
III- as emendas ao projeto da lei do orçamento anual ou a
projeto que a modifique somente podem ser aprovadas caso:
a) sejam compatíveis com o plano plurianual e com a Lei de
Diretrizes Orçamentárias;
b) indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os
provenientes de anulação de despesa, excluídas as que incidam
sobre:
1) dotação para pessoal e seus encargos;
2) serviço da dívida;
3) transferência tributária constitucional para Município;
ou
c) sejam relacionadas:
1) com a correção de erro ou omissão; ou
2) com as disposições do projeto de lei.
§ 1º – O Governador do Estado poderá enviar mensagem à
Assembléia Legislativa, para propor modificação nos projetos a
que se refere este artigo, enquanto não iniciada, na Comissão a
que se refere o inciso I, a votação da parte cuja alteração for
proposta.
§ 2º – Os projetos de lei do plano plurianual das
diretrizes orçamentárias e do orçamento anual serão enviados
pelo Governador do Estado à Assembléia Legislativa, nos termos
da lei complementar a que se refere o art. 159.
§ 3º – Os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou
rejeição do projeto de lei orçamentária anual, ficarem sem
despesas correspondentes poderão ser utilizados, conforme o
caso, mediante créditos especiais ou suplementares, com prévia e
específica autorização legislativa.

Art. 161 – São vedados:
I – o início de programa ou projeto não incluídos na Lei
Orçamentária anual;
II – a realização de despesa ou assunção de obrigação
direta que excedam os créditos orçamentários ou adicionais;
III – a realização de operação de crédito que exceda o
montante das despesas de capital, ressalvada a autorizada
mediante crédito suplementar ou especial com finalidade precisa,
aprovados pelo Poder Legislativo, pela maioria de seus membros;
IV – a vinculação de receita de imposto a órgão, fundo ou
despesas, ressalvadas:
a) a repartição da arrecadação dos impostos a que se refere
o art. 149;
b) a destinação de recursos para manutenção e
desenvolvimento do ensino, como determinado pelo art. 201;
c) a prestação de garantias às operações de crédito por
antecipação de receita, prevista no art. 157, § 3º;
d) a destinação de recursos para o amparo e fomento à
pesquisa, prevista no art. 212;
e) a prestação de garantia ou contragarantia à União e para
pagamento de débitos para com esta; (Acrescida pela Emenda à
Constituição 10, de 2/9/1993)
f) a destinação de recursos para a Universidade do Estado de
Minas Gerais – UEMG – e para a Universidade Estadual de Montes
Claros – UNIMONTES -, prevista no art. 199. (Redação dada pela
Emenda à Constituição nº 47, de 27/12/2000).
V – a abertura de crédito suplementar ou especial sem
prévia autorização legislativa e sem indicação dos recursos
correspondentes;
VI – a transposição, o remanejamento ou a transferência de
recursos de uma categoria de programação para outra ou de um
órgão para outro sem prévia autorização legislativa;
VII – a concessão ou utilização de crédito ilimitado;
VIII – a utilização, sem autorização legislativa
específica, de recursos dos orçamentos previstos no art. 158,
para suprir necessidade ou cobrir “deficit” de empresa, fundação
pública ou fundo;
IX – a instituição de fundo de qualquer natureza, sem
prévia autorização legislativa;
X – o lançamento de títulos da dívida pública estadual e a
realização de operação de crédito interna e externa, sem prévia
autorização da Assembléia Legislativa;
XI – a aplicação de disponibilidade de caixa do Estado em
títulos, valores mobiliários e outros ativos de empresa privada.
§ 1º – Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um
exercício financeiro poderá, sob pena de crime de
responsabilidade, ser iniciado sem prévia inclusão no plano
plurianual ou sem lei que a autorize.
§ 2º – Os créditos especiais e extraordinários terão
vigência no exercício financeiro em que tenham sido autorizados,
salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro
meses daquele exercício, caso em que, reabertos nos limites de
seus saldos, serão incorporados ao orçamento do exercício
financeiro subsequente.
§ 3º – A abertura de crédito extraordinário somente será
admitida, ouvido o Conselho de Governo e “ad referendum” da
Assembléia Legislativa, por resolução, para atender a despesas
imprevisíveis e urgentes, decorrentes de calamidade pública.
§ 4º – É permitida a vinculação dos recursos de que trata o
art. 149 para os efeitos previstos no inciso IV, alínea “e”,
deste artigo. (Acrescido pela Emenda à Constituição 10, de
2/9/1993)

Art. 162 – Os recursos correspondentes às dotações
orçamentárias, aí compreendidos os créditos suplementares e
especiais destinados aos órgãos dos Poderes Legislativo e
Judiciário, do Ministério Público e do Tribunal de Contas, ser-
lhes-ão entregues em duodécimos até o dia (20) vinte de cada
mês. (Redação dada pela Emenda à Constituição 31, de 30/12/1997)
§ 1º – O repasse financeiro dos recursos a que se refere este
artigo será feito mediante crédito automático em conta própria de
cada órgão mencionado no “caput” deste artigo pela instituição
financeira centralizadora da receita do Estado.(Acrescido pela
Emenda à Constituição 31, de 30/12/1997) (Argüida a
inconstitucionalidade – ADIN 1.901) (Medida cautelar para
suspender os efeitos deferida em 18/11/1998)
§ 2º – É vedada a retenção ou restrição ao repasse ou
emprego dos recursos atribuídos aos órgãos mencionados no
“caput” deste artigo, sob pena de crime de
responsabilidade.(Acrescido pela Emenda à Constituição 31, de
30/12/1997) (Suspensa a eficácia da expressão “sob pena de crime
de responsabilidade” em 18/11/98 – ADIN 1.901)

Art. 163 – À exceção dos créditos de natureza alimentícia,
os pagamentos devidos pela Fazenda Estadual ou Municipal, em
virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na
ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos
créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de
pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais
abertos para este fim.
§ 1º – É obrigatória a inclusão, no orçamento das entidades
de direito público, de verba necessária ao pagamento de seus
débitos constantes de precatórios judiciários, apresentados até
primeiro de julho, data em que terão atualizados seus valores,
fazendo-se o pagamento até o final do exercício seguinte.
§ 2º – As dotações orçamentárias e os créditos abertos
serão consignados ao Poder Judiciário, recolhidas as
importâncias respectivas à repartição competente, cabendo ao
Presidente do Tribunal que proferir a decisão exequenda
determinar o pagamento segundo as possibilidades do depósito e
autorizar, a requerimento do credor e exclusivamente para o caso
de preterimento de seu direito de precedência, o seqüestro da
quantia necessária à satisfação do débito.

Art. 164 – Os projetos de lei de que trata esta seção serão
apreciados, na forma do Regimento, por comissão permanente da
Assembléia Legislativa, com a competência indicada no inciso I
do art. 160.

CAPÍTULO IV
DO MUNICÍPIO

Art. 165 – Os Municípios do Estado de Minas Gerais integram
a República Federativa do Brasil.
§ 1º – O Município, dotado de autonomia política,
administrativa e financeira, organiza-se e rege-se por sua Lei
Orgânica e demais leis que adotar, observados os princípios da
Constituição da República e os desta Constituição.
§ 2º – Ao Município incumbe gerir interesses da população
situada em área contínua do território do Estado, de extensão
variável, delimitada em lei.
§ 3º – O Município se sujeita às vedações do art. 19 da
Constituição da República.
§ 4º – Todo o poder do Município emana do povo, que o
exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos
termos de sua Lei Orgânica e da Constituição da República.
§ 5º – O Município pode subdividir-se em Distritos e,
estes, em Subdistritos.

Art. 166 – O Município tem os seguintes objetivos
prioritários:
I – gerir interesses locais, como fator essencial de
desenvolvimento da comunidade;
II – cooperar com a União e o Estado e associar-se a outros
Municípios, na realização de interesses comuns;
III – promover, de forma integrada, o desenvolvimento
social e econômico da população de sua sede e dos Distritos;
IV – promover plano, programas e projetos de interesse dos
segmentos mais carentes da sociedade;
V – estimular e difundir o ensino e a cultura, proteger o
patrimônio cultural e histórico e o meio ambiente e combater a
poluição;
VI – preservar a moralidade administrativa.

Art. 167 – Lei complementar estabelecerá os requisitos para
a criação, incorporação, fusão e desmembramento de Municípios,
observado o disposto no art. 18, § 4º, da Constituição da
República.

Art. 168 – O topônimo pode ser alterado em lei estadual,
verificado o seguinte:
I – resolução da Câmara Municipal, aprovada por, no mínimo,
dois terços de seus membros;
II – aprovação da população interessada, em plebiscito, com
manifestação favorável de, no mínimo, metade dos respectivos
eleitores.

Seção I
Da Competência do Município

Art. 169 – O Município exerce, em seu território,
competência privativa e comum ou suplementar, a ele atribuída
pela Constituição da República e por esta Constituição.

Art. 170 – A autonomia do Município se configura no
exercício de competência privativa, especialmente:
I – elaboração e promulgação de sua Lei Orgânica;
II – eleição de seu Prefeito, Vice-Prefeito e Vereadores;
III – instituição, decretação e arrecadação dos tributos de
sua competência e aplicação de suas rendas, sem prejuízo da
obrigação de prestar contas e publicar balancetes nos prazos
fixados em lei;
IV – criação, organização e supressão de Distrito,
observada a legislação estadual;
V – promoção do ordenamento territorial, mediante
planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do
solo urbano, ficando dispensada a exigência de alvará ou de
qualquer outro tipo de licenciamento para o funcionamento de
templo religioso e proibida limitação de caráter geográfico à sua
instalação; (Redação dada pela Emenda à Constituição nº 44, de
18/12/2000).
VI – organização e prestação de serviços públicos de
interesse local, diretamente ou sob regime de concessão,
permissão ou autorização, incluído o transporte coletivo de
passageiros, que tem caráter essencial.
Parágrafo único – No exercício da competência de que trata
este artigo, o Município observará a norma geral respectiva,
federal ou estadual.

Art. 171 – Ao Município compete legislar:
I – sobre assuntos de interesse local, notadamente:
a) o plano diretor;
b) o planejamento do uso, parcelamento e ocupação do solo,
a par de outras limitações urbanísticas gerais, observadas as
diretrizes do plano diretor;
c) a polícia administrativa de interesse local,
especialmente em matéria de saúde e higiene públicas,
construção, trânsito e tráfego, plantas e animais nocivos e
logradouros públicos;
d) a matéria indicada nos incisos I, III, IV, V e VI do
artigo anterior;
e) o regime jurídico único de seus servidores, observada a
diversificação quanto aos da administração direta, da autárquica
e da fundacional em relação aos das demais entidades da
administração indireta;
f) a organização dos serviços administrativos;
g) a administração, utilização e alienação de seus bens;
II – sobre os seguintes assuntos, entre outros, em caráter
regulamentar, observadas as peculiaridades dos interesses locais
e as normas gerais da União e as suplementares do Estado:
a) o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e os
orçamentos anuais;
b) caça, pesca, conservação da natureza e defesa do solo e
dos recursos naturais;
c) educação, cultura, ensino e desporto;
d) proteção à infância, à juventude, à gestante e ao idoso.
§ 1º – O Município se sujeita às limitações ao poder de
tributar de que trata o art. 150 da Constituição da República.
§ 2º – As diretrizes, metas e prioridades da administração
municipal serão definidas, por Distrito, nos planos de que trata
a alínea “a” do inciso II deste artigo.

Seção II
Da Lei Orgânica do Município

Art. 172 – A Lei Orgânica pela qual se regerá o Município
será votada e promulgada pela Câmara Municipal e observará os
princípios da Constituição da República e os desta Constituição.

Seção III
Dos Poderes

Art. 173 – São Poderes do Município, independentes e
harmônicos entre si, o Legislativo e o Executivo.
§ 1º – Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, é
vedado a qualquer dos Poderes delegar atribuições, e, a quem for
investido na função de um deles, exercer a de outro.
§ 2º – À Câmara Municipal cabe, entre outras matérias de
sua competência privativa, suspender, no todo ou em parte, a
execução de ato normativo municipal declarado, incidentalmente,
inconstitucional, por decisão definitiva do Tribunal de Justiça,
quando a decisão de inconstitucionalidade for limitada ao texto
da Constituição do Estado.

Art. 174 – O Prefeito, o Vice-Prefeito e os Vereadores
serão eleitos até noventa dias antes do término do mandato
daqueles a que devam suceder, em pleito direto e simultâneo,
realizado em todo o Estado, para mandato de quatro anos.
Parágrafo único – A posse dos Vereadores, do Prefeito e do
Vice-Prefeito será no dia primeiro de janeiro do ano subsequente
ao da eleição.

Subseção I
Do Poder Legislativo

Art. 175 – O Poder Legislativo é exercido pela Câmara
Municipal, que se compõe de Vereadores.
§ 1º – O número de Vereadores é proporcional à população do
Município, observados os limites estabelecidos na Constituição
da República.
§ 2º – No início e no término de cada mandato, o Vereador
apresentará, à Câmara Municipal, declaração de seus bens.
§ 3º – O Vereador se sujeita, no que couber, às proibições,
incompatibilidades e perda de mandato aplicáveis ao Deputado
Estadual.
§ 4º – Ao Vereador será assegurada ampla defesa em processo
no qual seja acusado, observados, entre outros requisitos de
validade, o contraditório, a publicidade e o despacho ou decisão
motivados.

Art. 176 – Compete privativamente à Câmara Municipal, no
que couber, o exercício das atribuições enumeradas no art. 62.

Subseção II
Do Poder Executivo

Art. 177 – O Poder Executivo é exercido pelo Prefeito
Municipal.
§ 1º – Substitui o Prefeito, no caso de impedimento, e lhe
sucede, no de vaga, o Vice-Prefeito.
§ 2º – Na posse e no término do mandato, o Prefeito e o
Vice-Prefeito apresentarão, à Câmara Municipal declaração de
seus bens, sem prejuízo do disposto no parágrafo único do art.
258.
§ 3º – A matéria de competência do Município, excluída a de
que trata o art. 176, será objeto de lei municipal, de
iniciativa do Prefeito, excetuados os atos privativos previstos
na Lei Orgânica. (Argüida a inconstitucionalidade – ADIN 322.
Liminar deferida em 8/8/1990)

Art. 178 – O Prefeito é processado e julgado
originariamente pelo Tribunal de Justiça, nos crimes comuns e
nos de responsabilidade.
Parágrafo único – Na forma da Lei Orgânica, compete à
Câmara Municipal o julgamento do Prefeito por infração político-
administrativa, observada a regra do § 4º do art. 175.

Subseção III
Da Remuneração do Prefeito e do Vereador

Art. 179 – A remuneração do Prefeito, do Vice-Prefeito e do
Vereador será fixada, em cada legislatura, para a subsequente,
pela Câmara Municipal.
Parágrafo único – Na hipótese de a Câmara Municipal deixar
de exercer a competência de que trata este artigo, ficarão
mantidos, na legislatura subsequente, os critérios de
remuneração vigentes em dezembro do último exercício da
legislatura anterior, admitida apenas a atualização dos valores.

Seção IV
Da Fiscalização

Art. 180 – A Câmara Municipal julgará as contas do
Prefeito, mediante parecer prévio do Tribunal de Contas, que
terá trezentos e sessenta dias de prazo, contados de seu
recebimento, para emiti-lo, na forma da lei.
§ 1º – Como procedimento fiscalizador e orientador, o
Tribunal de Contas realizará habitualmente inspeções locais nas
Prefeituras, Câmaras Municipais e demais órgãos e entidades da
administração direta e da indireta dos Municípios.
§ 2º – As decisões do Tribunal de Contas de que resulte
imputação de débito ou multa terão eficácia de título executivo.
§ 3º – No primeiro e no último ano de mandato do Prefeito
Municipal, o Município enviará ao Tribunal de Contas inventário
de todos os seus bens móveis e imóveis.
§ 4º – O Tribunal de Contas exercerá, em relação ao
Município e às entidades de sua administração indireta, as
atribuições previstas no art. 76 desta Constituição, observado o
disposto no art. 31 da Constituição da República.

Seção V
Da Cooperação
Subseção I
Disposições Gerais

Art. 181 – É facultado ao Município:
I – associar-se a outros, do mesmo complexo geoeconômico e
social, mediante convênio previamente aprovado pela Câmara
Municipal, para a gestão, sob planejamento, de funções públicas
ou serviços de interesse comum, de forma permanente ou
transitória; (Argüida a inconstitucionalidade das expressões
“previamente aprovado pela Câmara Municipal” e “previamente
aprovados pela Câmara Municipal”, contidas, respectivamente, nos
incisos I e II – ADIN 770. Liminar deferida em 26/8/1992)
II – cooperar com a União e o Estado, nos termos de
convênio ou consórcio previamente aprovados pela Câmara
Municipal, na execução de serviços e obras de interesse para o
desenvolvimento local; (Argüida a inconstitucionalidade das
expressões “e previamente aprovado pela Câmara Municipal” e
“previamente aprovados pela Câmara Municipal”, contidas,
respectivamente, nos incisos I e II – ADIN 770. Liminar deferida
em 26/8/1992)
III – participar, autorizado por lei municipal, da criação
de entidade intermunicipal para realização de obra, exercício de
atividade ou execução de serviço específico de interesse comum.

Art. 182 – A cooperação técnica e financeira do Estado,
para a manutenção de programas de educação pré-escolar e de
ensino fundamental e para a prestação de serviços de saúde de
que trata o art. 30, VI e VII, da Constituição da República,
obedecerá ao plano definido em lei estadual.
Parágrafo único – A cooperação somente se dará por força de
convênio que, em cada caso, assegure ao Município os recursos
técnicos e financeiros indispensáveis a manter os padrões de
qualidade dos serviços e a atender as necessidades
supervenientes da coletividade.

Subseção II
Da Assistência aos Municípios

Art. 183 – O Estado assegurará, com base em programas
especiais, ampla assistência técnica e financeira ao município
de escassas condições de desenvolvimento sócioeconômico, com
prioridade para o de população inferior a trinta mil habitantes.
§ 1º – A assistência, preservada a autonomia municipal,
inclui, entre outros serviços:
I – abertura e manutenção de estrada municipal ou caminho
vicinal;
II – instalação de equipamentos necessários para o ensino,
a saúde e o saneamento básico;
III – difusão intensiva das potencialidades da região;
IV – implantação de mecanismo de escoamento da produção
regional;
V – assistência técnica às Prefeituras, Câmaras Municipais
e microrregiões;
VI – implantação de política de colonização, a partir do
estímulo à execução de programa de reforma agrária;
VII – concessão de incentivos, com o objetivo de fixar o
homem no meio rural;
VIII – implantação de processo adequado para tratamento do
lixo urbano.
§ 2º – A coordenação da execução dos programas especiais
será confiada à autarquia territorial de desenvolvimento
implantada na região, assegurada na forma da lei a participação
de representantes dos Municípios envolvidos.
§ 3º – Na execução de programa especial, ter-se-á em vista
a participação das populações interessadas, por meio de órgãos
comunitários e regionais de consulta e acompanhamento.
§ 4º – A Polícia Militar poderá, por solicitação do
Município, incumbir-se da orientação à guarda municipal e de seu
treinamento, e da orientação aos corpos de voluntários para o
combate a incêndio e socorro em caso de calamidade.

Seção VI
Da Intervenção no Município

Art. 184 – O Estado não intervirá no Município, exceto
quando:
I – deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois
anos consecutivos, a dívida fundada;
II – não forem prestadas contas devidas, na forma da lei;
III – não tiverem sido aplicados, no ano, pelo menos vinte
e cinco por cento da a receita resultantes de impostos,
compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e
desenvolvimento do ensino; ou
IV – o Tribunal de Justiça der provimento a representação
para assegurar a observância de princípio indicado nesta
Constituição, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de
decisão judicial.
Parágrafo único – A intervenção será decretada e seus
efeitos cessarão na forma da Constituição da República.

TÍTULO IV
DA SOCIEDADE
CAPÍTULO I
DA ORDEM SOCIAL

Art. 185 – A ordem social tem como base o primado do
trabalho e como objetivo o bem-estar e a justiça sociais.

Seção I
Da Saúde

Art. 186 – A saúde é direito de todos, e a assistência a
ela é dever do Estado, assegurada mediante políticas sociais e
econômicas que visem à eliminação do risco de doenças e de
outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e
aos serviços para sua promoção, proteção e recuperação.
Parágrafo único – O direito à saúde implica a garantia de:
I – condições dignas de trabalho, moradia, alimentação,
educação, transporte, lazer e saneamento básico;
II – acesso às informações de interesse para a saúde,
obrigado o Poder Público a manter a população informada sobre os
riscos e danos à saúde e sobre as medidas de prevenção e
controle;
III – dignidade, gratuidade e boa qualidade no atendimento
e no tratamento de saúde;
IV – participação da sociedade, por intermédio de entidades
representativas, na elaboração de políticas, na definição de
estratégias de implementação e no controle das atividades com
impacto sobre a saúde.

Art. 187 – As ações e serviços de saúde são de relevância
pública, e cabem ao Poder Público sua regulamentação,
fiscalização e controle, na forma da lei.
Parágrafo único – A execução das ações e serviços será
feita pelo Poder Público e, complementarmente, por pessoa física
ou jurídica de direito privado.

Art. 188 – As ações e serviços públicos de saúde no âmbito
do Estado integram rede nacional regionalizada e
hierarquicamente constituída em sistema único, e se pautam
também pelas seguintes diretrizes:
I – descentralização com direção única, em nível estadual e
municipal;
II – regionalização de ações da competência do Estado;
III – integralidade na prestação de ações de saúde
adequadas à realidade epidemiológica, com prioridade para as
ações preventivas e consideradas as características
sócioeconômicas da população e de cada região, sem prejuízo dos
serviços assistenciais;
IV – participação da comunidade;
V – participação complementar das instituições privadas no
sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante
contrato de direito público ou convênio, assegurada a
preferência a entidades filantrópicas e às sem fins lucrativos;
VI – valorização do profissional da área da saúde, com a
garantia de planos de carreira e condições para reciclagem
periódica.

Art. 189 – O sistema único de saúde será financiado com
recursos provenientes dos orçamentos da seguridade social, da
União, do Estado, dos Municípios, e com os de outras fontes.

Art. 190 – Compete ao Estado, no âmbito do sistema único de
saúde, além de outras atribuições previstas em lei federal:
I – controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e
substâncias de interesse para a saúde e participar da produção
de medicamentos, equipamentos imunobiológicos, hemoderivados e
outros insumos;
II – executar as ações de vigilância sanitária e
epidemiológica, e as de saúde do trabalhador;
III – ordenar a formação de recursos humanos na área da
saúde;
IV – participar da formulação da política e da execução das
ações de saneamento básico;
V – incrementar em sua área de atuação o desenvolvimento
científico e tecnológico;
VI – fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o
controle de seu teor nutricional, e bebidas e águas para o
consumo humano;
VII – participar do controle e da fiscalização da produção,
do transporte, da guarda e da utilização de substâncias e
produtos psicoativos, tóxicos e radioativos;
VIII – colaborar na proteção do meio ambiente, nele
compreendido o de trabalho;
IX – adotar rígida política de fiscalização e controle da
infecção hospitalar e de endemias;
X – garantir o atendimento prioritário nos casos legais de
interrupção da gravidez;
XI – gerir o fundo especial de reserva de medicamentos
essenciais, na forma da lei;
XII – promover, quando necessária, a transferência do
paciente carente de recursos para outro estabelecimento de
assistência médica ou ambulatorial, integrante do sistema único
de saúde, mais próximo de sua residência;
XIII – promover a instalação de estabelecimentos de
assistência médica de emergência nas cidades-pólo;
XIV – executar as ações de prevenção, tratamento e
reabilitação, nos casos de deficiência física, mensal e
sensorial;
XV – implementar, em conjunto com os órgãos federais e
municipais, o sistema de informação na área da saúde.
Parágrafo único – O Estado instituirá instrumentos para
controle unificado dos bancos de sangue.

Art. 191 – A assistência à saúde é livre à iniciativa
privada.
§ 1º – É vedada a destinação de recursos públicos para
auxílio ou subvenção a instituição privada com fins lucrativos.
§ 2º – É vedada a participação direta ou indireta de
empresa ou capital estrangeiro na assistência à saúde no Estado,
salvo nos casos previstos em lei federal.
§ 3º – O Estado suplementará a legislação federal sobre as
condições que facilitem a remoção de órgãos, tecidos e
substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e
tratamento, e sobre coleta, processamento e transfusão de sangue
e seus derivados, vedado todo tipo de comercialização nos termos
do § 4º do art. 199 da Constituição da República.

Subseção Única
Do Saneamento Básico

Art. 192 – O Estado formulará a política e os planos
plurianuais estaduais de saneamento básico.
§ 1º – A política e os planos plurianuais serão submetidos
a um Conselho Estadual de Saneamento Básico. (Acrescido pela
Emenda à Constituição nº 47, de 27/12/2000).
§ 2º – O Estado proverá os recursos necessários para a
implementação da política estadual de saneamento básico.
(Acrescido pela Emenda à Constituição nº 47, de 27/12/2000).
§ 3º – A execução de programa de saneamento básico,
estadual ou municipal, será precedida de planejamento que atenda
aos critérios de avaliação do quadro sanitário e epidemiológico
estabelecidos em lei. (Renumerado pela Emenda à Constituição nº
47, de 27/12/2000).

Seção II
Da Assistência Social

Art. 193 – A assistência social será prestada pelo Estado a
quem dela necessitar, independentemente de contribuição, sem
prejuízo da assegurada no art. 203 da Constituição da República.

Art. 194 – As ações estaduais, na área de assistência
social, serão implementadas com recursos do orçamento do Estado
e de outras fontes, observadas as seguintes diretrizes:
I – desconcentração administrativa, segundo a política de
regionalização, com participação de entidade beneficente e de
assistência social;
II – participação da população, por meio de organizações
representativas, na formulação das políticas e no controle das
ações em todos os níveis.
Parágrafo único – O Estado promoverá plano de assistência
social às populações de áreas inundadas por reservatórios.

Seção III
Da Educação

Art. 195 – A educação, direito de todos, dever do Estado e
da família, será promovida e incentivada com a colaboração da
sociedade, com vistas ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu
preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o
trabalho.
Parágrafo único – Para assegurar o estabelecido neste
artigo, o Estado deverá garantir o ensino de Filosofia e de
Sociologia nas escolas públicas de segundo grau.

Art. 196 – O ensino será ministrado com base nos seguintes
princípios:
I – igualdade de condições para o acesso e freqüência à
escola e permanência nela;
II – liberdade de aprender, ensinar e pesquisar, e de
divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III – pluralismo de idéias e de concepções filosóficas,
políticas, estéticas, religiosas e pedagógicas, que conduza o
educando à formação de uma postura ética e social próprias;
IV – preservação dos valores educacionais regionais e
locais;
V – gratuidade do ensino público;
VI – valorização dos profissionais do ensino, com a
garantia, na forma da lei, de plano de carreira para o
magistério público, com piso de vencimento profissional e com
ingresso exclusivamente por concurso público de provas e
títulos, realizado periodicamente, sob o regime jurídico único
adotado pelo Estado para seus servidores;
VII – gestão democrática do ensino público, na forma da
lei;
VIII – seleção competitiva interna para o exercício de
cargo comissionado de Diretor e da função de Vice-Diretor de
escola pública, para período fixado em lei, prestigiadas, na
apuração objetiva do mérito dos candidatos, a experiência
profissional, a habilitação legal, a titulação, a aptidão para
liderança, a capacidade de gerenciamento, na forma da lei, e a
prestação de serviços no estabelecimento por dois anos, pelo
menos; (Declarada a inconstitucionalidade em 15/2/97 – ADIN 640.
Acórdão publicado em 11/4/97).
IX – garantia do princípio do mérito, objetivamente
apurado, na carreira do magistério;
X – garantia do padrão de qualidade, mediante:
a) avaliação cooperativa periódica por órgão próprio do
sistema educacional, pelo corpo docente e pelos responsáveis
pelos alunos;
b) condições para reciclagem periódica pelos profissionais
de ensino;
XI – coexistência de instituições públicas e privadas.
Parágrafo único – A gratuidade do ensino a cargo do Estado
inclui a de todo o material escolar e a da alimentação do
educando, quando na escola.

Art. 197 – A descentralização do ensino, por cooperação, na
forma da lei, submete-se às seguintes diretrizes:
I – atendimento prioritário à escolaridade obrigatória;
II – garantia de repasse de recursos técnicos e
financeiros.
Parágrafo único – A cessão de pessoal do magistério se dará
com todos os direitos e vantagens do cargo, como se em exercício
em unidade do sistema estadual de ensino.

Art. 198 – A garantia de educação pelo Poder Público se dá
mediante:
I – ensino fundamental, obrigatório e gratuito, mesmo para
os que não tiverem tido acesso a ele na idade própria, em
período de oito horas diárias para o curso diurno;
II – prioridade para o ensino médio, para garantir,
gradativamente, a gratuidade e a obrigatoriedade desse grau de
ensino;
III – atendimento educacional especializado ao portador de
deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino, com
garantia de recursos humanos capacitados e material e
equipamento públicos adequados, e de vaga em escola próxima à
sua residência;
IV – apoio às entidades especializadas, públicas e
privadas, sem fins lucrativos, para o atendimento ao portador de
deficiência;
V – cessão de servidores especializados para atendimento às
fundações públicas e entidades filantrópicas, confessionais e
comunitárias sem fins lucrativos, de assistência ao menor e ao
excepcional, como dispuser a lei;
VI – incentivo à participação da comunidade no processo
educacional, na forma da lei;
VII – preservação dos aspectos humanísticos e
profissionalizantes no ensino médio;
VIII – expansão e manutenção da rede de estabelecimentos
oficiais de ensino, com a dotação de infra-estrutura física e
equipamentos adequados;
IX – promoção da expansão da rede de estabelecimentos
oficiais que ofereçam cursos gratuitos de ensino técnico-
industrial, agrícola e comercial, observadas as peculiaridades
regionais e as características dos grupos sociais;
X – atendimento gratuito em creche e pré-escola à criança
de até seis anos de idade, em período diário de oito horas, com
a garantia de acesso ao ensino fundamental;
XI – propiciamento de acesso aos níveis mais elevados do
ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade
de cada um;
XII – expansão da oferta de ensino noturno regular e de
ensino supletivo, adequados às condições do educando;
XIII – criação de sistema integrado de bibliotecas, para
difusão de informações científicas e culturais;
XIV – programas específicos de atendimento à criança e ao
adolescente superdotados, na forma da lei;
XV – supervisão e orientação educacional nas escolas
públicas, em todos os níveis e modalidades de ensino, exercidas
por profissional habilitado;
XVI – atendimento ao educando, no ensino fundamental, por
meio de programas suplementares de fornecimento de material
didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde;
XVII – amparo ao menor carente ou infrator e sua formação
em curso profissionalizante.
§ 1º – O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito
público subjetivo.
§ 2º – O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder
Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da
autoridade competente.
§ 3º – Compete ao Estado recensear os educandos do ensino
fundamental e, mediante instrumentos de controle, zelar pela
freqüência à escola.
§ 4º – O ensino é livre à iniciativa privada, verificadas
as seguintes condições:
I – observância das diretrizes e bases da educação nacional
e da legislação concorrente em nível estadual;
II – autorização de funcionamento e supervisão e avaliação
de qualidades pelo Poder Público.

Art. 199 – As universidades gozam de autonomia didático-
científica e administrativa, incluída a gestão financeira e
patrimonial, observado o princípio de indissociabilidade entre
ensino, pesquisa e extensão.
§ 1º – O Estado destinará dotações e recursos à
operacionalização e à manutenção das atividades necessárias à
total implantação e desenvolvimento da Universidade do Estado de
Minas Gerais – UEMG – e da Universidade Estadual de Montes Claros
– UNIMONTES -, no valor de, no mínimo, 2% (dois por cento) da
receita orçamentária corrente ordinária do Estado, repassados em
parcelas mensais equivalentes a um doze avos do total, no mesmo
exercício. (Acrescido pela Emenda à Constituição nº 47, de
27/12/2000).
§ 2º – Dos recursos a que se refere o parágrafo anterior,
7,5% (sete e meio por cento) serão destinados prioritariamente à
criação e à implantação de cursos superiores nos vales do
Jequitinhonha e do Mucuri pela Universidade do Estado de Minas
Gerais – UEMG – e pela Universidade Estadual de Montes Claros –
UNIMONTES -, podendo, justificadamente, ser empregados na
manutenção de outras atividades das respectivas universidades.
(Acrescido pela Emenda à Constituição nº 47, de 27/12/2000).
§ 3º – Na instalação das unidades da
Universidade Estadual de Minas Gerais, ou na encampação de
entidades educacionais de ensino universitário, levar-se-ão em
conta, prioritariamente, regiões densamente povoadas não
atendidas por ensino público superior, observada a vocação
regional. (Renumerado pela Emenda à Constituição nº 47, de
27/12/2000).

Art. 200 – Respeitado o conteúdo mínimo do ensino
fundamental estabelecido pela União, o Estado lhe fixará
conteúdo complementar, com o objetivo de assegurar a formação
política, cultural e regional.
Parágrafo único – O ensino religioso, de matrícula
facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das
escolas públicas de ensino fundamental.

Art. 201 – O Estado aplicará, anualmente, nunca menos de
vinte e cinco por cento da receita resultante de seus impostos,
incluída a proveniente de transferências, na manutenção e
desenvolvimento do ensino.
§ 1º – A parcela de arrecadação de impostos transferida
pelo Estado aos Municípios não é considerada para efeito do
cálculo previsto neste artigo.
§ 2º – Para efeito de cumprimento do disposto neste artigo,
serão considerados o sistema estadual de ensino, os recursos
transferidos para o sistema municipal de ensino e os aplicados
na forma do art. 203.
§ 3º – A distribuição dos recursos públicos assegurará
prioridade ao atendimento das necessidades do ensino
obrigatório, nos termos do plano estadual de educação,
observadas as diretrizes nacionais da educação.
§ 4º – O ensino fundamental público terá como fonte
adicional de financiamento a contribuição social do salário-
educação, na forma da legislação federal.
§ 5º – O percentual mínimo a que se refere este artigo será
obtido de acordo com os valores reais dos recursos na data de
sua arrecadação.

Art. 202 – O Estado publicará no órgão oficial, até o dia
dez de março de cada ano, demonstrativo da aplicação dos
recursos previstos no artigo anterior, por Município e por
atividade.

Art. 203 – Os recursos públicos serão destinados às escolas
públicas e podem ser dirigidos às escolas comunitárias,
confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que:
I – comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus
excedentes financeiros em educação;
II – assegurem a destinação do seu patrimônio a outra
escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder
Público, no caso de encerramento de suas atividades.
§ 1º – Os recursos de que trata este artigo poderão ser
destinados a bolsas de estudo para ensino fundamental e médio,
na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de
recursos, quando houver falta de vagas e de cursos regulares da
rede pública na localidade da residência do educando, obrigado o
Poder Público a investir prioritariamente na expansão de sua
rede na localidade.
§ 2º – As atividades universitárias de pesquisa e extensão
poderão receber apoio financeiro do Poder Público.

Art. 204 – O plano estadual de educação, de duração
plurianual, visará à articulação e ao desenvolvimento do ensino
em seus diversos níveis, à integração das ações do Poder Público
e à adaptação ao plano nacional, com os objetivos de:
I – erradicação do analfabetismo;
II – universalização do atendimento escolar;
III – melhoria da qualidade do ensino;
IV – formação para o trabalho;
V – promoção humanística, científica e tecnológica.
Parágrafo único – Os planos de educação serão encaminhados,
para apreciação da Assembléia Legislativa, até o dia trinta e um
de agosto do ano imediatamente anterior ao do início de sua
execução.

Art. 205 – É defeso ao Estado auxiliar, com recursos
financeiros e humanos, o Município que deixe de comprovar a
regular e eficaz aplicação, no ano imediatamente anterior, do
mínimo constitucional na manutenção e desenvolvimento do ensino.

Art. 206 – Compete ao Conselho Estadual de Educação, sem
prejuízo de outras atribuições a ele conferidas em lei e
observadas as diretrizes e bases estabelecidas pela União:
I – baixar normas disciplinadoras dos sistemas estadual e
municipal de ensino;
II – interpretar a legislação de ensino;
III – autorizar e supervisionar o funcionamento do ensino
particular e avaliar-lhe a qualidade;
IV – desconcentrar suas atribuições, por meio de comissões
de âmbito municipal.
Parágrafo único – A competência, a organização e as
diretrizes do funcionamento do Conselho serão estabelecidas em
lei.

Seção IV
Da Cultura

Art. 207 – O Poder Público garante a todos o pleno
exercício dos direitos culturais, para o que incentivará,
valorizará e difundirá as manifestações culturais da comunidade
mineira, mediante, sobretudo:
I – definição e desenvolvimento de política que articule,
integre e divulgue as manifestações culturais das diversas
regiões do Estado;
II – criação e manutenção de núcleos culturais regionais e
de espaços públicos equipados, para a formação e difusão das
expressões artístico-culturais;
III – criação e manutenção de museus e arquivos públicos
regionais que integrem o sistema de preservação da memória do
Estado, franqueada a consulta da documentação governamental a
quantos dela necessitem;
IV – adoção de medidas adequadas à identificação, proteção,
conservação, revalorização e recuperação do patrimônio cultural,
histórico, natural e científico do Estado;
V – adoção de incentivos fiscais que estimulem as empresas
privadas a investirem na produção cultural e artística do
Estado, e na preservação do seu patrimônio histórico, artístico
e cultural;
VI – adoção de ação impeditiva da evasão, destruição e
descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor
histórico, científico, artístico e cultural;
VII – estímulo às atividades de caráter cultural e
artístico, notadamente as de cunho regional e as folclóricas.
§ 1º – O Estado, com a colaboração da comunidade, prestará
apoio para a preservação das manifestações culturais locais,
especialmente das escolas e bandas musicais, guardas de congo e
cavalhadas.
§ 2º – O Estado manterá fundo de desenvolvimento cultural
como garantia de viabilização do disposto neste artigo.

Art. 208 – Constituem patrimônio cultural mineiro os bens
de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em
conjunto, que contenham referência à identidade, à ação e à
memória dos diferentes grupos formadores da sociedade mineira,
entre os quais se incluem:
I – as formas de expressão;
II – os modos de criar, fazer e viver;
III – as criações científicas, tecnológicas e artísticas;
IV – as obras, objetos, documentos, edificações e demais
espaços destinados a manifestações artístico-culturais;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico,
paisagístico, artístico, arqueológico, espeleológico,
paleontológico, ecológico e científico.

Art. 209 – O Estado, com a colaboração da comunidade,
protegerá o patrimônio cultural por meio de inventários,
registros, vigilância, tombamento e desapropriação, de outras
formas de acautelamento e preservação e, ainda, de repressão aos
danos e às ameaças a esse patrimônio.
Parágrafo único – A lei estabelecerá plano permanente para
proteção do patrimônio cultural do Estado, notadamente dos
núcleos urbanos mais significativos.

Art. 210 – A lei disporá sobre a fixação de datas
comemorativas de fatos relevantes para a cultura estadual.

Seção V
Da Ciência e Tecnologia

Art. 211 – O Estado promoverá e incentivará o
desenvolvimento científico, a pesquisa, a difusão e a
capacitação tecnológicas.
§ 1º – A pesquisa básica receberá tratamento prioritário do
Estado, com vistas ao bem público e ao progresso do conhecimento
e da ciência.
§ 2º – A pesquisa e a difusão tecnológicas se voltarão
preponderantemente para a solução de problemas regionais e para
o desenvolvimento produtivo do Estado, com prioridade para o
consumo interno.
§ 3º – O Estado apoiará a formação de recursos humanos nas
áreas de ciência, pesquisa e tecnologia e concederá aos que dela
se ocupem meios e condições especiais de trabalho.

Art. 212 – O Estado manterá entidade de amparo e fomento à
pesquisa e lhe atribuirá dotações e recursos necessários à sua
efetiva operacionalização, a serem por ela privativamente
administrados, correspondentes a, no mínimo, um por cento da
receita orçamentária corrente ordinária do Estado, os quais
serão repassados em parcelas mensais equivalentes a um doze avos
no mesmo exercício. (Redação dada pela Emenda à Constituição 17,
de 20/12/1995)
Parágrafo único – A entidade destinará os recursos de que
trata este artigo prioritariamente a projetos que se ajustem às
diretrizes básicas estabelecidas pelo Conselho Estadual de
Ciência e Tecnologia – CONECIT -, definidos como essenciais ao
desenvolvimento científico e tecnológico do Estado, e à
reestruturação da capacidade técnico-científica das instituições
de pesquisa do Estado, em conformidade com os princípios
definidos nos Planos Mineiros de Desenvolvimento Integrado –
PMDIs – e contemplados nos Programas dos Planos Plurianuais de
Ação Governamental – PPAGs. (Redação dada pela Emenda à
Constituição 17, de 20/12/1995)

Art. 213 – Entre outros estímulos, a lei disporá, observado
o art. 146, XI, sobre concessão de isenções, incentivos e
benefícios fiscais a empresas brasileiras de capital nacional,
com sede e administração no Estado, que concorram para a
viabilização da autonomia tecnológica nacional, especialmente:
I – as do setor privado:
a) que tenham sua produção voltada para o mercado interno,
em particular as dedicadas à produção de alimentos, com
utilização de tecnologia indicada para a exploração dos recursos
naturais e para a preservação do meio ambiente;
b) que promovam pesquisa tecnológica e desenvolvimento
experimental no âmbito da medicina preventiva e terapêutica,
publiquem e divulguem seus resultados e produzam equipamentos
especializados destinados ao uso de portador de deficiência;
c) que promovam pesquisa tecnológica voltada para o
desenvolvimento de métodos e técnicas apropriadas à geração,
interpretação e aplicação de dados minero-geológicos, além de
criação, desenvolvimento, inovação e adaptação técnica, em
equipamentos;
d) que promovam pesquisa tecnológica no desenvolvimento e
adaptação de equipamentos eletro-eletrônicos;
II – as empresas públicas e sociedades de economia mista
cujos investimentos em pesquisa científica e criação de
tecnologia se revelem necessários e relevantes ao
desenvolvimento sócioeconômico estadual;
III – as empresas que promovam a pesquisa e a utilização de
tecnologias alternativas.

Seção VI
Do Meio Ambiente

Art. 214 – Todos têm direito a meio ambiente ecologicamente
equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia
qualidade de vida, e ao Estado e à coletividade é imposto o
dever de defendê-lo e conservá-lo para as gerações presentes e
futuras.
§ 1º – Para assegurar a efetividade do direito a que se
refere este artigo, incumbe ao Estado, entre outras atribuições:
I – promover a educação ambiental em todos os níveis de
ensino e disseminar, na forma da lei, as informações necessárias
à conscientização pública para a preservação do meio ambiente;
II – assegurar, na forma da lei, o livre acesso às
informações básicas sobre o meio ambiente;
III – prevenir e controlar a poluição, a erosão, o
assoreamento e outras formas de degradação ambiental;
IV – exigir, na forma da lei, prévia anuência do órgão
estadual de controle e política ambiental, para início,
ampliação ou desenvolvimento de atividades, construção ou
reforma de instalações capazes de causar, sob qualquer forma,
degradação do meio ambiente, sem prejuízo de outros requisitos
legais, preservado o sigilo industrial;
V – proteger a fauna e a flora, a fim de assegurar a
diversidade das espécies e dos ecossistemas e a preservação e o
patrimônio genético, vedadas, na forma da lei, as práticas que
provoquem a extinção das espécies ou submetam os animais a
crueldade;
VI – definir mecanismos de proteção à fauna e à flora
nativas e estabelecer, com base em monitoramento contínuo, a
lista de espécies ameaçadas de extinção e que mereçam proteção
especial;
VII – controlar a produção, a comercialização e o emprego
de técnicas, métodos e substâncias que importem riscos para a
vida, a qualidade de vida, o meio ambiente, bem como o
transporte e o armazenamento dessas substâncias em seu
território;
VIII – criar parques, reservas, estações ecológicas e
outras unidades de conservação, mantê-los sob especial proteção
e dotá-los da infra-estrutura indispensável às suas finalidades;
IX – estabelecer, através de órgão colegiado, com
participação da sociedade civil, normas regulamentares e
técnicas, padrões e demais medidas de caráter operacional, para
proteção do meio ambiente e controle da utilização racional dos
recursos ambientais;
X – manter instituição de pesquisa, planejamento e execução
que assegure ao órgão indicado no inciso anterior o suporte
técnico e operacional necessário ao cumprimento de sua
finalidade;
XI – preservar os recursos bioterapêuticos regionais.
§ 2º – O licenciamento de que trata o inciso IV do
parágrafo anterior dependerá, nos casos de atividade ou obra
potencialmente causadora de significativa degradação do meio
ambiente, de estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará
publicidade.
§ 3º – Parte dos recursos estaduais previstos no art. 20, §
1º, da Constituição da República será aplicada de modo a
garantir o disposto no § 1º, sem prejuízo de outras dotações
orçamentárias.
§ 4º – Quem explorar recurso ambiental fica obrigado a
recuperar o meio ambiente degradado, na forma da lei.
§ 5º – A conduta e a atividade consideradas lesivas ao meio
ambiente sujeitarão o infrator, pessoa física ou jurídica, a
sanções administrativas, sem prejuízo das obrigações de reparar
o dano e das cominações penais cabíveis.
§ 6º – São indisponíveis as terras devolutas, ou
arrecadadas pelo Estado, necessárias às atividades de recreação
pública e à instituição de parques e demais unidades de
conservação, para a proteção dos ecossistemas naturais.
§ 7º – Os remanescentes da Mata Atlântica, as veredas, os
campos rupestres, as cavernas, as paisagens notáveis e outras
unidades de relevante interesse ecológico constituem patrimônio
ambiental do Estado e sua utilização se fará, na forma da lei,
em condições que assegurem sua conservação.

Art. 215 – É obrigação das instituições do Poder Executivo,
com atribuições diretas ou indiretas de proteção e controle
ambiental, informar o Ministério Público sobre ocorrência de
conduta ou atividade considerada lesiva ao meio ambiente.

Art. 216 – O Estado criará mecanismos de fomento a:
I – reflorestamento com a finalidade de suprir a demanda de
produtos lenhosos e de minimizar o impacto da exploração dos
adensamentos vegetais nativos;
II – programas de conservação de solos, para minimizar a
erosão e o assoreamento de corpos d’água interiores naturais ou
artificiais;
III – programas de defesa e recuperação da qualidade das
águas e do ar;
IV – projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico
para a utilização de espécies nativas nos programas de
reflorestamento.
§ 1º – O Estado promoverá o inventário, o mapeamento e o
monitoramento das coberturas vegetais nativas e de seus recursos
hídricos, para adoção de medidas especiais de proteção.
§ 2º – O Estado auxiliará o Município na implantação e na
manutenção de hortos florestais destinados à recomposição da
flora nativa.

Art. 217 – As atividades que utilizem produtos florestais
como combustível ou matéria-prima, deverão, para o fim de
licenciamento ambiental e na forma estabelecida em lei,
comprovar que possuem disponibilidade daqueles insumos, capaz de
assegurar, técnica e legalmente, o respectivo suprimento.
Parágrafo único – É obrigatória a reposição florestal pelas
empresas consumidoras, nos limites do Estado, preferencialmente
no território do Município produtor de carvão vegetal.

Seção VII
Do Desporto e do Lazer

Art. 218 – O Estado garantirá, por intermédio da rede
oficial de ensino e em colaboração com entidades desportivas, a
promoção, o estímulo, a orientação e o apoio à prática e difusão
da educação física e do desporto, formal e não formal, com:
I – a destinação de recursos públicos à promoção
prioritária do desporto educacional e, em situações específicas,
do desporto de alto rendimento;
II – a proteção e incentivo às manifestações esportivas de
criação mineira;
III – o tratamento diferenciado para desporto profissional
e não profissional;
IV – a obrigatoriedade de reserva de áreas destinadas a
praças e campos de esporte nos projetos de urbanização e de
unidades escolares, e a de desenvolvimento de programas de
construção de áreas para a prática do esporte comunitário.
Parágrafo único – O Poder Público garantirá ao portador de
deficiência atendimento especializado no que se refere à
educação física e à prática de atividades desportivas, sobretudo
no âmbito escolar.

Art. 219 – O clube e a associação que fomentem práticas
esportivas propiciarão ao atleta integrante de seus quadros
formas adequadas de acompanhamento médico e de exames.

Art. 220 – O Poder Público apoiará e incentivará o lazer, e
o reconhecerá como forma de promoção social.
Parágrafo único – O Estado incentivará, mediante benefícios
fiscais e na forma da lei, o investimento da iniciativa privada
no desporto.

Seção VIII
Da Família, da Criança, do Adolescente, do Portador de
Deficiência e do Idoso

Art. 221 – A família receberá proteção do Estado, na forma
da lei.
Parágrafo único – O Estado, isoladamente ou em cooperação,
manterá programas destinados à assistência à família, com o
objetivo de assegurar:
I – o livre exercício do planejamento familiar;
II – a orientação psicossocial às famílias de baixa renda;
III – a prevenção da violência no âmbito das relações
familiares;
IV – o acolhimento, preferentemente em casa especializada,
de mulher, criança, adolescente e idoso, vítimas de violência no
âmbito da família ou fora dele.

Art. 222 – É dever do Estado promover ações que visem
assegurar à criança e ao adolescente, com prioridade, o direito
à vida, saúde, alimentação, educação, lazer, profissionalização,
cultura, dignidade, respeito, liberdade, convivência familiar e
comunitária, e colocá-los a salvo de toda forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
§ 1º – O Estado estimulará, mediante incentivos fiscais,
subsídios e menções promocionais, nos termos da lei, o
acolhimento ou a guarda de criança ou adolescente órfão ou
abandonado.
§ 2º – O Estado destinará recursos à assistência materno-
infantil.
§ 3º – A prevenção da dependência de drogas e afins é dever
do Estado, que prestará atendimento especializado à criança e ao
adolescente dependentes, desenvolvendo ações que auxiliem sua
integração na comunidade, na forma da lei.

Art. 223 – As ações do Estado de proteção à infância e à
juventude serão organizadas na forma da lei, com base nas
seguintes diretrizes:
I – desconcentração do atendimento;
II – valorização dos vínculos familiar e comunitário, como
medida preferencial para a integração social da criança e do
adolescente;
III – atendimento prioritário em situações de risco,
definidas em lei, observadas as características culturais e
sócioeconômicas locais;
IV – participação da sociedade, mediante organizações
representativas, na formulação de políticas e programas e no
acompanhamento e fiscalização de sua execução.
Parágrafo único – O Estado manterá programas sócio-
educativos destinados à criança e ao adolescente privados das
condições fundamentais necessárias ao seu pleno desenvolvimento
e estimulará, por meio de apoio técnico e financeiro, os de
igual natureza de iniciativa de entidade filantrópica.

Art. 224 – O Estado assegurará condições de prevenção das
deficiências física, sensorial e mental, com prioridade para a
assistência pré-natal e à infância, e de integração social do
portador de deficiência, em especial do adolescente, e a
facilitação do acesso a bens e serviços coletivos, com
eliminação de preconceitos e remoção de obstáculos
arquitetônicos.
§ 1º – Para assegurar a implementação das medidas indicadas
neste artigo, incumbe ao Poder Público:
I – estabelecer normas de construção e adaptação de
logradouros e edifícios de uso público e de adaptação de
veículos de transporte coletivo;
II – celebrar convênio com entidade profissionalizante sem
fins lucrativos, com vistas à formação profissional e à
preparação para o trabalho;
III – estimular a empresa, mediante adoção de mecanismos,
inclusive incentivos fiscais, a absorver a mão-de-obra de
portador de deficiência;
IV – criar centros profissionalizantes para treinamento,
habilitação e reabilitação profissional do portador de
deficiência e do acidentado no trabalho, e assegurar a
integração entre saúde, educação e trabalho;
V – implantar sistemas especializados de comunicação em
estabelecimento da rede oficial de ensino de cidade-pólo
regional, de modo a atender às necessidades educacionais e
sociais de portador de deficiência visual ou auditiva;
VI – criar programas de assistência integral para
excepcional não reabilitável;
VII – promover a participação das entidades representativas
do segmento na formulação da política de atendimento ao portador
de deficiência e no controle das ações desenvolvidas, em todos
os níveis, pelos órgãos estaduais responsáveis pela política de
proteção ao portador de deficiência;
VIII – assegurar, nas emissoras oficiais de televisão do
Estado, tradução, por intérprete, para portador de deficiência
auditiva, dos noticiários e comunicações oficiais;
IX – promover a formação dos policiais militares e demais
servidores públicos responsáveis pela segurança do trânsito,
para habilitá-los ao atendimento das necessidades do portador de
deficiência;
X – destinar, na forma da lei, recursos às entidades de
amparo e de assistência ao portador de deficiência.
§ 2º – Ao servidor público que passe à condição de
deficiente no exercício de cargo ou função pública, o Estado
assegurará assistência médica e hospitalar, medicamentos,
aparelhos e equipamentos necessários ao tratamento e à sua
adaptação às novas condições de vida.

Art. 225 – O Estado promoverá condições que assegurem
amparo à pessoa idosa, no que respeite à sua dignidade e ao seu
bem-estar.
§ 1º – O amparo ao idoso será, quanto possível, exercido no
próprio lar.
§ 2º – Para assegurar a integração do idoso na comunidade e
na família, serão criados centros diurnos de lazer e de amparo à
velhice e programas de preparação para a aposentadoria, com a
participação de instituições dedicadas a essa finalidade.
§ 3º – Aos maiores de 65 (sessenta e cinco) anos é
garantida a gratuidade nos transportes coletivos urbanos
mediante apresentação da carteira de identidade ou de trabalho,
sendo vedada a exigência de qualquer outra forma de
identificação. (Acrescido pela Emenda à Constituição 28, de
1º/10/1997)

Art. 226 – Para assegurar a efetiva participação da
sociedade, nos termos do disposto nesta seção, serão criados o
Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, o
Conselho Estadual de Defesa dos Direitos do Portador de
Deficiência e o Conselho Estadual do Idoso. (Redação dada pela
Emenda à Constituição 6, de 21/12/1992)
Parágrafo único – O Conselho Estadual de Defesa dos
Direitos do Portador de Deficiência e o Conselho Estadual do
Idoso serão instituídos até o dia 15 de março de 1993. (Acrescido
pela Emenda à Constituição 6, de 21/12/1992)

Seção IX
Da Comunicação Social

Art. 227 – A manifestação do pensamento, a criação, a
expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou
veículo, não sofrerão restrição, observado o disposto na
Constituição da República e nesta Constituição.
Parágrafo único – Nenhuma lei ou ato do Poder Público
poderão constituir embaraço à plena liberdade de informação
jornalística em veículo de comunicação social, observado o
seguinte:
I – é livre a manifestação do pensamento, vedado o
anonimato;
II – é assegurado o direito de resposta proporcional ao
agravo, além de indenização por danos material, moral ou à
imagem;
III – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra
e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização por
dano, material ou moral, decorrente de sua violação;
IV – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou
profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei
federal estabelecer;
V – a publicação de veículo impresso de comunicação
independe de licença de autoridade;
VI – é vedada toda e qualquer censura de natureza política,
ideológica e artística.

Art. 228 – A produção e a programação das emissoras de
rádio e de televisão oficiais atenderão aos seguintes
princípios:
I – preferência a finalidades educativas, artísticas,
culturais e informativas;
II – promoção das culturas nacional e regional e estímulo a
produção independente que objetive sua divulgação;
III – regionalização de produções culturais artística e
jornalística, nos percentuais estabelecidos em lei federal;
IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da
família.
Parágrafo único – As emissoras de rádio e de televisão sob
controle do Estado ou de entidade de administração indireta
reservarão horário para a divulgação das atividades dos Poderes
do Estado, conforme dispuser a lei.

Art. 229 – Os veículos de comunicação social da
administração direta e indireta do Estado são obrigados a:
I – manter conselhos editoriais integrados paritariamente
por representantes do Poder Público e da sociedade civil;
II – manter comissões de redação compostas de
representantes dos profissionais habilitados, eleitos
diretamente por seus pares.

Art. 230 – Para os efeitos do disposto nesta seção, o
Estado instituirá, como órgão auxiliar, o Conselho Estadual de
Comunicação Social, composto de representantes da sociedade
civil, na forma da lei.

CAPÍTULO II
DA ORDEM ECONÔMICA
Seção I
Do Desenvolvimento Econômico

Art. 231 – O Estado, para fomentar o desenvolvimento
econômico, observados os princípios da Constituição da República
e os desta Constituição, estabelecerá e executará o Plano
Mineiro de Desenvolvimento Integrado, que será proposto pelo
Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e aprovado em
lei.
§ 1º – Na composição do Conselho será assegurada a
participação da sociedade civil.
§ 2º – O Plano terá, entre outros, os seguintes objetivos:
I – o desenvolvimento sócioeconômico integrado do Estado;
II – a racionalização e a coordenação das ações do Governo;
III – o incremento das atividades produtivas do Estado;
IV – a expansão social do mercado consumidor;
V – a superação das desigualdades sociais e regionais do
Estado;
VI – a expansão do mercado de trabalho;
VII – o desenvolvimento dos Municípios de escassas
condições de propulsão sócioeconômica;
VIII – o desenvolvimento tecnológico do Estado.
§ 3º – Na fixação das diretrizes para a consecução dos
objetivos previstos no parágrafo anterior, deve o Estado
respeitar e preservar os valores culturais.
§ 4º – O planejamento governamental terá caráter indicativo
para o setor privado.

Art. 232 – A exploração, pelo Estado, de atividade
econômica não será permitida, salvo quando motivada por
relevante interesse coletivo.
§ 1º – As entidades de administração indireta no exercício
de atividade econômica não poderão gozar de privilégio fiscal
não extensivo ao setor privado.
§ 2º – A lei disciplinará as relações, entre si, do Estado,
de suas entidades e da sociedade.

Art. 233 – O Estado adotará instrumentos para:
I – restrição ao abuso do poder econômico;
II – defesa, promoção e divulgação dos direitos do
consumidor, educação para o consumo e estímulo à organização de
associações voltadas para esse fim;
III – fiscalização e controle de qualidade, de preços e de
pesos e medidas dos bens e serviços produzidos e comercializados
em seu território;
IV – eliminação de entrave burocrático que embarace o
exercício da atividade econômica;
V – apoio à pequena e à microempresa;
VI – apoio ao associativismo e estímulo à organização da
atividade econômica em cooperativas, mediante tratamento
jurídico diferenciado.
§ 1º – O Estado dispensará tratamento jurídico diferenciado
à microempresa e à empresa de pequeno porte, assim definidas em
lei, com a simplificação de suas obrigações administrativas,
tributárias e creditícias, ou com a eliminação ou a redução
destas por meio de lei.
§ 2º – O Estado, para consecução dos objetivos mencionados
no parágrafo anterior, poderá adotar sistema tarifário
diferenciado, na forma da lei.
§ 3º – O Poder Público manterá órgão especializado para a
execução da política de defesa do consumidor.

Art. 234 – O serviço público estadual de fomento ao
desenvolvimento econômico do Estado será executado por
instituições creditícias oficiais.

Art. 235 – Fica criado fundo destinado ao fomento e ao
desenvolvimento sócioeconômico do Estado, voltado para as
médias, pequenas e microempresas e para as cooperativas, na
forma da lei.

Seção II
Do Sistema Financeiro Estadual

Art. 236 – O sistema financeiro público estadual,
estruturado de modo a promover o desenvolvimento equilibrado do
Estado e a servir aos interesses da coletividade, com a função
precípua de democratizar o crédito e permitir à população o
acesso aos serviços bancários, é constituído pelas instituições
financeiras oficiais estaduais.

Art. 237 – As instituições financeiras estaduais são órgãos
de execução da política de crédito do Governo do Estado, sendo
constituídas nos segmentos do sistema financeiro que convierem
ao desenvolvimento financeiro estadual.

Art. 238 – A transformação, a fusão, a cisão, a
incorporação ou a extinção das instituições financeiras oficiais
estaduais dependerão de prévia autorização da Assembléia
Legislativa.
Parágrafo único – Ainda que ocorra modificação na estrutura
das instituições de que trata este artigo, o Estado deterá, no
mínimo, cinqüenta e um por cento das ações com direito a voto
nas constituídas sob a forma de sociedade anônima.

Art. 239 – Sem prejuízo do sistema de centralização das
receitas públicas, os recolhimentos de tributos e de demais
receitas públicas estaduais serão efetuados nas instituições
financeiras, públicas ou privadas, autorizadas pela administração
fazendária. (Redação dada pela Emenda à Constituição 16, de
1º/12/1995)

Art. 240 – Os recursos captados pelas instituições oficiais
estaduais serão integralmente aplicados no interesse do
desenvolvimento do Estado.

Art. 241 – O Conselho Diretor de cada instituição
financeira estadual terá, entre seus membros, um Diretor
representante dos servidores, com direito a voz e voto e por
estes eleito livremente.
§ 1º – O Diretor representante dos servidores não executará
funções operacionais, cabendo-lhe promover e incentivar a
participação dos servidores na melhor gestão da empresa.
§ 2º – O Diretor representante dos servidores terá
estabilidade no emprego durante o período de representação e por
mais um ano depois de terminado o mandato.

Seção III
Do Turismo

Art. 242 – O Estado apoiará e incentivará o turismo como
atividade econômica, reconhecendo-o como forma de promoção e
desenvolvimento, social e cultural.

Art. 243 – O Estado, juntamente com o órgão colegiado
representativo dos segmentos do setor, definirá a política
estadual de turismo, observadas as seguintes diretrizes e ações:
I – adoção de plano integrado e permanente, estabelecido em
lei, para o desenvolvimento do turismo no Estado, observado o
princípio da regionalização;
II – incentivo ao turismo para a população de baixa renda,
inclusive mediante estímulos fiscais e criação de colônias de
férias, observado o disposto no inciso anterior;
III – desenvolvimento de infra-estrutura e conservação dos
parques estaduais, reservas biológicas, cavernas e abrigos sob
rocha e de todo potencial natural que venha a ser de interesse
turístico;
IV – estímulo à produção artesanal típica de cada região do
Estado, mediante política de redução ou de isenção de tarifas
devidas por serviços estaduais, conforme especificação em lei;
V – apoio a programas de orientação e divulgação do turismo
regional e ao desenvolvimento de projetos turísticos municipais;
VI – criação de fundo de assistência ao turismo, em
benefício das cidades históricas, estâncias hidrominerais e
outras localidades com reconhecido potencial turístico
desprovidas de recursos;
VII – regulamentação do uso, ocupação e fruição dos bens
naturais e culturais de interesse turístico;
VIII – manutenção e aparelhamento das estâncias
hidrominerais;
IX – proteção do patrimônio ecológico e histórico-cultural
do Estado;
X – apoio à iniciativa privada no desenvolvimento de
programas de lazer e entretenimento para a população;
XI – apoio a eventos turísticos, na forma da lei.
Parágrafo único – O Estado incentivará o turismo social,
mediante benefícios fiscais, na forma da lei.

Seção IV
Da Política Urbana

Art. 244 – Compete ao Estado participar do processo de
execução das diretrizes dos planos diretores, na forma deste
artigo.
§ 1º – As atividades e serviços a cargo do Estado e de suas
entidades de administração indireta, no âmbito urbano, serão
articulados com os do Município, visando a harmonizar e
racionalizar a execução das diretrizes do respectivo plano
diretor, em favor do objetivo comum de ordenar o pleno
desenvolvimento das funções sociais da cidade e de garantir o
bem-estar de seus habitantes.
§ 2º – A articulação de que trata o parágrafo anterior será
incumbência de órgão constituído, paritariamente, por
representantes dos Poderes Públicos estadual e municipal.
§ 3º – As entidades da Administração Pública Estadual,
concessionárias dos serviços públicos relativos a equipamentos
urbanos, obrigam-se a realizar e instalar os respectivos
serviços de infra-estrutura urbana nos loteamentos novos, no
prazo de cento e oitenta dias contados de sua aprovação pelas
autoridades municipais.

Art. 245 – O Estado assistirá os Municípios que o
solicitarem na elaboração dos planos diretores.
§ 1º – Na liberação de recursos do erário estadual e na
concessão de outros benefícios em favor de objetivos de
desenvolvimento urbano e social, o Estado atenderá,
prioritariamente, ao Município já dotado de plano diretor,
incluídas, entre suas diretrizes, as de:
I – ordenamento do território, sob os requisitos de
zoneamento, uso, parcelamento e ocupação do solo urbano;
II – aprovação e fiscalização de edificações, observadas as
condições geológicas, minerais e hídricas e respeitado o
patrimônio cultural a que se refere o art. 208, entre outros
requisitos compatibilizados com o disposto neste inciso;
III – preservação do meio ambiente e da cultura;
IV – garantia do saneamento básico;
V – urbanização, regularização e titulação das áreas
deterioradas, preferencialmente sem remoção dos moradores;
VI – participação das entidades comunitárias no
planejamento e controle da execução dos programas a elas
pertinentes;
VII – manutenção de sistema de limpeza urbana, coleta,
tratamento e destinação final do lixo urbano;
VIII – reserva de áreas urbanas para implantação de
projetos de cunho social.
§ 2º – O Estado incentivará, mediante assistência técnica,
a criação de cidades-satélites, para expansão urbana de cidades
consideradas históricas, com o objetivo de preservação do núcleo
cultural.
§ 3º – Adotar-se-á o mapeamento geológico básico como
subsídio técnico para a planificação do uso e ocupação do solo.

Art. 246 – O Poder Público adotará instrumentos para
efetivar o direito de todos à moradia, em condições dignas,
mediante políticas habitacionais que considerem as
peculiaridades regionais e garantam a participação da sociedade
civil.
§ 1º – O direito à moradia compreende o acesso aos
equipamentos urbanos. (Renumerado pela Emenda à Constituição 34,
de 8/7/1998)
§ 2º – A legitimação de terras devolutas situadas no
perímetro urbano ou na zona de expansão urbana, assim
considerada a faixa externa contígua ao perímetro urbano de até
2km (dois quilômetros) de largura, compatibilizada com o plano
urbanístico municipal ou metropolitano, é limitada,
respectivamente, a 500m2 (quinhentos metros quadrados) e a
2.000m2 (dois mil metros quadrados), permitida ao ocupante a
legitimação da área remanescente, quando esta for insuficiente à
constituição de um novo lote. (Acrescido pela Emenda à
Constituição 34, de 8/7/1998)
§ 3º – Será onerosa a legitimação:
I – de terreno ocupado por proprietário de outro imóvel
urbano ou rural no mesmo município;
II – de área superior a 1.000m2 (mil metros quadrados),
situada em zona de expansão urbana;
III – da área remanescente. (Acrescido pela Emenda à
Constituição 34, de 8/7/1998)
§ 4º – O Poder Executivo poderá delegar aos municípios, nos
termos da lei, a discriminação e a legitimação das terras
devolutas situadas no perímetro urbano e na zona de expansão
urbana.(Acrescido pela Emenda à Constituição 34, de 8/7/1998)
§ 5º – A legitimação onerosa efetuada pelo município
obedecerá à tabela de preços previamente aprovada pela Câmara
Municipal. (Acrescido pela Emenda à Constituição 34, de 8/7/1998)
§ 6º – Das áreas arrecadadas pelo município em processo
discriminatório administrativo ou ação judicial discriminatória,
30% (trinta por cento) continuarão a pertencer ao Estado e serão
destinadas, prioritariamente, a: (Acrescido pela Emenda à
Constituição 34, de 8/7/1998)
I – construção de habitações populares;
II – implantação de equipamentos comunitários;
III – preservação do meio ambiente;
IV – instalação de obras e serviços municipais, estaduais e
federais.
§ 7º – Serão encaminhados à Assembléia Legislativa:
(Acrescido pela Emenda à Constituição 34, de 8/7/1998)
I – relatório anual das atividades relacionadas com a
alienação ou a concessão administrativa, sem prévia autorização
legislativa, de terras públicas e devolutas;
II – relação das terras públicas e devolutas a serem
legitimadas administrativamente, com antecedência mínima de 90
(noventa) dias da expedição do título.

Seção V
Da Política Rural

Art. 247 – O Estado adotará programas de desenvolvimento
rural destinados a fomentar a produção agropecuária, organizar o
abastecimento alimentar, promover o bem-estar do homem que vive
do trabalho da terra e fixá-lo no campo, compatibilizados com a
política agrícola e com o plano de reforma agrária estabelecidos
pela União.
§ 1º – Para a consecução dos objetivos indicados neste
artigo, será assegurada, no planejamento e na execução da
política rural, na forma da lei, a participação dos setores de
produção, envolvendo produtores e trabalhadores rurais, e dos
setores de comercialização, armazenamento, transporte e
abastecimento, levando-se em conta, especialmente:
I – os instrumentos creditícios e fiscais;
II – o incentivo à pesquisa tecnológica e científica e à
difusão de seus resultados;
III – a assistência técnica e a extensão rural;
IV – o seguro agrícola;
V – o cooperativismo;
VI – a eletrificação rural e a irrigação;
VII – a habitação para o trabalhador rural;
VIII – o cumprimento da função social da propriedade;
IX – a alienação ou a concessão, a qualquer título, de
terra pública para assentamento de trabalhador rural ou produtor
rural, pessoa física ou jurídica, ainda que por interposta
pessoa, compatibilizadas com os objetivos da reforma agrária e
limitadas a 100ha (cem hectares). (Redação dada pela Emenda à
Constituição 34, de 8/7/1998)
§ 2º – A alienação ou concessão de que trata o inciso IX do
parágrafo anterior será permitida uma única vez a cada
beneficiário, ainda que a negociação se verifique após o prazo
fixado no § 4º.
§ 3º – Independem da prévia autorização legislativa:
(Redação dada pela Emenda à Constituição 34, de 8/7/1998)
I – a alienação ou a concessão de terra pública previstas
no plano de reforma agrária estadual, aprovado em lei;
II – a concessão gratuita do domínio de área devoluta rural
não superior a 50ha (cinqüenta hectares) a quem, não sendo
proprietário de imóvel rural ou urbano, a possua como sua, por 5
(cinco) anos ininterruptos, sem oposição, tenha nela sua moradia
e a tenha tornado produtiva.
§ 4º – Será outorgado título de domínio ou de concessão de
uso, inegociável pelo prazo de dez anos, ao beneficiário do
disposto no inciso IX do § 1º que comprovar exploração efetiva e
vinculação pessoal à terra, nos termos e condições previstas em
lei.
§ 5º – O título de domínio e a concessão de uso serão
conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente
do estado civil, nos termos e nas condições previstos em lei.
§ 6º – Quem tornar economicamente produtiva terra devoluta
estadual e comprovar sua vinculação pessoal a ela terá
preferência para adquirir-lhe o domínio, até a área de duzentos
e cinqüenta hectares, contra o pagamento do seu valor, acrescido
dos emolumentos.
§ 7º – São vedadas a alienação e a concessão de terra
pública:
I – a membro dos Poderes Executivo, Judiciário e
Legislativo e a dirigente de órgão e entidade de administração
pública direta e indireta;
II – a servidor de órgão ou entidade da Administração
Pública vinculado ao sistema de política rural do Estado;
III – a proprietário de mais de duzentos e cinqüenta
hectares;
IV – a pessoa jurídica cuja titularidade do poder decisório
seja de estrangeiro;
V – a cônjuge ou a parente consangüíneo ou afim, até o
terceiro grau, ou por adoção, das autoridades e do servidor
indicados, respectivamente, nos incisos I e II e de beneficiário
de terra pública rural em área contígua à do beneficiário.
(Redação dada pela Emenda à Constituição 34, de 8/7/1998)
§ 8º – Na ação judicial discriminatória, o Estado poderá
firmar acordo com a legitimação de terra devoluta rural com área
de até 250ha (duzentos e cinqüenta hectares), atendidos os
seguintes requisitos: (Acrescido pela Emenda à Constituição
34, de 8/7/1998)
I – cumprimento da função social, nos termos do art. 186 da
Constituição Federal; e
II – devolução, pelo ocupante, da área remanescente.
§ 9º – Serão encaminhados à Assembléia Legislativa:
(Acrescido pela Emenda à Constituição 34, de 8/7/1998)
I – relatório anual das atividades relacionadas com a
alienação ou a concessão administrativa, sem prévia autorização
legislativa, de terras públicas e devolutas;
II – relação das terras públicas e devolutas a serem
legitimadas ou concedidas administrativamente, com antecedência
mínima de 90 (noventa) dias da expedição do título ou da
celebração do contrato.

Art. 248 – O Estado formulará, mediante lei, a política
rural, conforme a regionalização prevista nesta constituição,
observadas as peculiaridades locais, para desenvolver e
consolidar a diversificação e a especialização regionais,
asseguradas as seguintes medidas:
I – implantação e manutenção de núcleos gratuitos de
profissionalização específica;
II – criação e manutenção de fazendas-modelo e de serviços
de preservação e controle da saúde animal;
III – divulgação de dados técnicos relevantes concernentes
à política rural;
IV – oferta, pelo Poder Público, de infra-estrutura de
armazenagem, de garantia de mercado na área estadual e de
sistema viário adequado ao escoamento da produção;
V – repressão ao uso de anabolizante e ao uso
indiscriminado de agrotóxico;
VI – incentivo, com a participação do Município, à criação
de granja, sítio e chácara em núcleo rural, em sistema familiar;
VII – estímulo à organização participativa da população
rural;
VIII – adoção de treinamento de prática preventiva de
medicinas humana e veterinária e de técnicas de exploração e de
reposição florestal, compatibilizadas com a exploração do solo e
a preservação do meio ambiente;
IX – oferta, pelo Poder Público, de escolas, postos de
saúde, centros de lazer e centros de treinamento de mão-de-obra
rural, e de condições para implantação de instalações de
saneamento básico;
X – incentivo ao uso de tecnologias adequadas ao manejo do
solo;
XI – programas de fornecimento de insumos básicos e de
serviços de mecanização agrícola;
XII – programas de controle de erosão, de manutenção de
fertilidade e de recuperação de solos degradados;
XIII – assistência técnica e extensão rural, com
atendimento gratuito aos pequenos produtores rurais e suas
formas associativas e aos beneficiários de projeto de reforma
agrária;
XIV – prioridade para o abastecimento interno, notadamente
no que diz respeito ao apoio aos produtores de gêneros
alimentícios básicos;
XV – criação e manutenção de núcleos de demonstração e
experimentação de tecnologia apropriada à pequena produção;
XVI – apoio às iniciativas de comercialização direta entre
pequenos produtores rurais e consumidores.

Seção VI
Da Política Hídrica e Minerária

Art. 249 – A política hídrica e minerária executada pelo
Poder Público se destina ao aproveitamento racional, em seus
múltiplos usos, e à proteção dos recursos hídricos e minerais,
observada a legislação federal.

Art. 250 – Para assegurar a efetividade do objetivo do
artigo anterior, o Poder Público, por meio de sistema estadual
de gerenciamento de recursos hídricos e sistema estadual de
gerenciamento de recursos minerários, observará, entre outros,
os seguintes preceitos:
I – adoção da bacia hidrográfica como base de gerenciamento
e de classificação dos recursos hídricos;
II – proteção e utilização racional das águas superficiais
e subterrâneas, as nascentes e sumidouros e das áreas úmidas
adjacentes;
III – criação de incentivo a programas nas áreas de turismo
e saúde, com vistas ao uso terapêutico das águas minerais e
termais na prevenção e no tratamento de doenças;
IV – conservação dos ecossistemas aquáticos;
V – fomento das práticas náuticas, de pesca desportiva e de
recreação pública em rios de preservação permanente;
VI – fomento à pesquisa, à exploração racional e ao
beneficiamento dos recursos minerais do subsolo, por meio das
iniciativas pública e privada;
VII – adoção de instrumentos de controle dos direitos de
pesquisa e de exploração dos recursos minerais e energéticos;
VIII – adoção de mapeamento geológico básico, como suporte
para o gerenciamento e a classificação de recursos minerais;
IX – democratização das informações cartográficas, de
geociências e de recursos naturais;
X – estímulo à organização das atividades de garimpo, sob a
forma de cooperativas, com vistas à promoção sócioeconômica de
seus membros, ao incremento da produtividade e à redução de
impactos ambientais decorrentes dessa atividade.
§ 1º – Para a execução do gerenciamento previsto no inciso
I, o Estado instituirá circunscrições hidrográficas integrantes
do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos, na
forma da lei.
§ 2º – Para preservação dos recursos hídricos do Estado, a
lei estabelecerá as hipóteses em que será exigido o lançamento
de efluentes industriais a montante do ponto de captação.
§ 3º – Para cumprimento do disposto no inciso V, a lei
instituirá sistema estadual de rios de preservação permanente.

Art. 251 – A exploração de recursos hídricos e minerais do
Estado não poderá comprometer os patrimônios natural e cultural,
sob pena de responsabilidade, na forma da lei.

Art. 252 – Os recursos financeiros destinados ao Estado,
resultantes de sua participação na exploração de recursos
minerais em seu território ou e compensação financeira
correspondente, serão, prioritariamente, aplicados de forma a
garantir o disposto no art. 253, sem prejuízo da destinação
assegurada no § 3º do art. 214.

Art. 253 – O Estado assistirá, de modo especial, o
Município que se desenvolva em torno de atividade mineradora,
tendo em vista a diversificação de sua economia e a garantia de
permanência de seu desenvolvimento sócioeconômico.
§ 1º – A assistência de que trata este artigo será objeto
de plano de integração e de assistência aos Municípios
mineradores, a se efetivar, tanto quanto possível, por meio de
associação que os congregue.
§ 2º – A lei que estabelecer o critério de rateio da parte
disponível do imposto a que se refere o art. 144, I, “b”,
reservará percentual específico para os Municípios considerados
mineradores.
§ 3º – A lei criará o Fundo de Exaustão e Assistência aos
Municípios Mineradores, formado por recursos oriundos do Estado
e dos Municípios interessados, cuja gestão dará prioridade à
diversificação de atividades econômicas desses Municípios, na
forma de lei complementar.

Art. 254 – O Estado promoverá e incentivará sua política de
desenvolvimento energético e a exploração de recursos hídricos,
de gás canalizado e de outras formas de energia, observadas as
diretrizes gerais da legislação federal pertinente.
§ 1º – A exploração de fontes energéticas e a produção de
energia receberão tratamento prioritário do Estado, com vistas
ao desenvolvimento sócioeconômico regional e à criação de
recursos para a viabilização de projetos pioneiros considerados
estratégicos para esses fins.
§ 2º – O Estado executará a política a que se refere este
artigo, observadas as condições nele estabelecidas, por
intermédio das suas entidades constituídas para esse fim ou de
empresas privadas delegatárias.

Art. 255 – O Estado alocará recursos para o atendimento de
projetos prioritários para o desenvolvimento energético nas
áreas de geração, de transmissão, de transporte e de
distribuição de energia.
Parágrafo único – O aporte de recursos, para os fins deste
artigo, levará em consideração a arrecadação tributária
proveniente do setor e a sua capacidade de execução técnica de
tais projetos.

TÍTULO V
DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 256 – É considerado data magna do Estado o dia 21 de
abril, Dia de Tiradentes, e Dia do Estado de Minas Gerais, o dia
16 de julho. (Redação dada pela Emenda à Constituição 22, de
3/7/1997)
§ 1º – A semana em que recair o dia 16 de julho constituirá
período de celebrações cívicas em todo o território mineiro, sob a
denominação de Semana de Minas. (Redação dada pela Emenda à
Constituição 22, de 3/7/1997).
§ 2º – A Capital do Estado será transferida simbolicamente
para a cidade de Ouro Preto no dia 21 de abril e para a cidade
de Mariana, no dia 16 de julho. (Redação dada pela Emenda à
Constituição 22, de 3/7/1997)

Art. 257 – O Governador eleito designará Comissão
de Transição, cujos trabalhos se iniciarão, no mínimo, trinta
dias antes de sua posse.
Parágrafo único – O Governo do Estado oferecerá as
condições necessárias para que a Comissão possa efetuar completo
levantamento da situação da administração direta e da indireta,
inclusive mediante a contratação de auditoria externa.

Art. 258 – Todo agente político ou agente público, qualquer
que seja sua categoria ou a natureza do cargo, e o dirigente, a
qualquer título, de entidade da administração indireta, obrigam-
se, ao se empossarem e ao serem exonerados, a declarar seus
bens, sob pena de nulidade, de pleno direito, do ato de posse.
Parágrafo único – Obrigam-se a declaração de bens,
registrada no Cartório de Títulos e Documentos, os ocupantes de
cargos eletivos nos Poderes Legislativo e Executivo, os membros
do Poder Judiciário, os Secretários de Estado e os dirigentes de
entidades da administração indireta, no ato de posse e no
término de seu exercício, sob pena de responsabilidade.

Art. 259 – O Estado assegurará a participação de
representantes de associações profissionais nos órgãos
colegiados de sua administração direta e indireta, na forma da
lei.

Art. 260 – As diretrizes para a atuação estatal nas áreas
de que trata o Título IV serão definidas conjuntamente pelo
Estado e pela sociedade civil por meio de órgãos colegiados que
serão criados em lei.

Art. 261 – É facultado a qualquer pessoa e obrigatório para
o servidor público representar ao Ministério Público, quando for
o caso, contra ato lesivo ao meio ambiente, ao patrimônio
artístico ou histórico, ao turismo ou paisagismo e aos direitos
do consumidor.

Art. 262 – A não-instalação e a não-manutenção das creches
previstas nesta Constituição acarretarão direito do servidor a
indenização, na forma da lei, sem prejuízo do disposto nos arts.
5º, LXXI e § 1º, e 103, § 2º, da Constituição da República, e
nos arts. 4º, § 7º, V, 106, I, “h”, e 118, § 4º, desta
Constituição.

Art. 263 – O Estado instituirá contencioso administrativo
para a apreciação de recursos contra as decisões da Fazenda
Estadual, com composição paritária entre o Estado e os
contribuintes, sem prejuízo da competência do Poder Judiciário.

Art. 264 – Nenhum benefício ou serviço da previdência
social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a
correspondente fonte de custeio total.

Art. 265 – Na forma da Lei Orgânica do Tribunal de Contas,
a instrução dos processos de fiscalização financeira e
orçamentária será promovida por Auditor quando não estiver
substituindo Conselheiro.
Parágrafo único – A substituição de Conselheiro por Auditor
se fará em regime de rodízio.

Art. 266 – O Estado dará prioridade ao aumento de sua
participação no capital da Telecomunicações de Minas Gerais S.A.
– TELEMIG – por meio de subscrição de novas ações, até atingir o
montante de vinte e cinco por cento do capital social, em
parcelas anuais da ordem de cinco por cento cada uma, para
custear projetos em áreas prioritárias e regiões servidas
deficientemente e para atender a populações de baixa renda.

Art. 267 – A empresa pública que se constituir a partir do
patrimônio da autarquia Caixa Econômica do Estado de Minas
Gerais será mantida, vedada sua alienação ou extinção.

Art. 268 – Lei complementar, de iniciativa privativa da
Assembléia Legislativa, disporá sobre a Ouvidoria do Povo, órgão
auxiliar do Poder Legislativo na fiscalização da execução dos
serviços públicos estaduais.
Parágrafo único – A lei de que trata este artigo
estabelecerá a competência e a organização da Ouvidoria do Povo
e os critérios de nomeação do Ouvidor Geral.

Art. 269 – A recusa de posse, pelo candidato nomeado para
ingresso na magistratura de carreira ou no Ministério Público,
importa perda do direito ao provimento durante o período de
validade do concurso a que se tenha submetido.
Parágrafo único – O Tribunal de Justiça, na designação da
comarca ou vara para exercício do Juiz Substituto, dará
preferência à que estiver vaga há mais tempo.

Art. 270 – O magistrado que tiver proferido e remetido à
Corregedoria de Justiça, cada mês, mais de dez acórdãos, como
Relator no Tribunal de Alçada, ou mais de dez sentenças de
mérito, em primeira instância, terá preferência para promoção
por merecimento.
Parágrafo único – A presteza no exercício da jurisdição,
segundo o critério definido neste artigo, será informada ao
Tribunal de Justiça, pelo Corregedor de Justiça, para efeito de
elaboração de lista de promoção por merecimento, sem prejuízo do
exame dos demais critérios indicados no art. 98, II e III.

Art. 271 – Para o fim de plantão forense diuturno, em
Comarca com mais de uma vara, fora do horário de funcionamento
externo do foro, o Presidente do Tribunal de Justiça designará
Juiz, na forma da Lei de Organização e Divisão Judiciárias.

Art. 272 – O advogado que não for Defensor Público, quando
nomeado para defender réu pobre, em processo civil ou criminal,
terá os honorários fixados pelo Juiz, no ato da nomeação,
segundo tabela organizada pelo Conselho da Ordem dos Advogados
do Brasil, Seção do Estado de Minas Gerais, os quais serão pagos
pelo Estado, na forma que a lei estabelecer.

Art. 273 – …………………………………….
(Suprimido pela Emenda à Constituição nº 40, de 25/05/2000)
Dispositivo suprimido:
Para cumprimento do disposto no art. 131, é assegurada
isonomia de remuneração entre os cargos finais das carreiras do
Ministério Público, de Procurador do Estado, de Procurador da
Fazenda Estadual, de Defensor Público e de Delegado de
Polícia, observada a diferença não excedente a dez por cento de
uma para outra classe das respectivas carreiras. (Declarada a
inconstitucionalidade da expressão “do Ministério Público”-
ADIN 171. Acórdão publicado em 3/6/1994)

Art. 274 – As serventias do foro judicial constituem
serviço público sujeito à administração, controle e fiscalização
do Poder Judiciário.

Art. 275 – O ingresso em cargo das serventias do foro
judicial se fará mediante concurso público de provas e títulos,
realizado, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil,
Seção do Estado de Minas Gerais, pelo Tribunal de Justiça, que
fará o provimento respectivo.

Art. 276 – Os servidores das serventias do foro judicial
estarão sujeitos, na forma da Lei de Organização e Divisão
Judiciárias, ao regime jurídico único a que se refere o art. 30.

Art. 277 – Os serviços notariais e de registro são
exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público.
§ 1º – A lei regulará as atividades dos notários, dos
oficiais de registro e de seus prepostos e definirá a
fiscalização de seus atos pelo Poder Judiciário, observada a
legislação federal.
§ 2º – Os emolumentos relativos aos serviços notariais e de
registro serão estabelecidos no Regimento de Custas e
Emolumentos, observada a legislação federal.
§ 3º – O ingresso na atividade notarial e de registro
depende de concurso público de provas e títulos, realizado com a
participação da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Estado
de Minas Gerais.
§ 4º – Nenhuma serventia permanecerá vaga por mais de seis
meses sem abertura de concurso para provimento ou remoção.

Art. 278 – Lei ordinária fixará os critérios populacionais,
sócioeconômicos e estatísticos, para criação, fusão e
desmembramento dos serviços notariais e de registro.

Art. 279 – O Estado promoverá, no âmbito de sua
competência, condições necessárias à instalação, na rede
hospitalar, de alas para atendimento de hemofílicos e aidéticos.

Art. 280 – É garantida ao estudante hemofílico a reposição
de aulas perdidas por motivo de saúde.

Art. 281 – A lei estabelecerá estímulos em favor de quem
fizer doação de órgão para transplante, na forma da lei federal,
sob cadastramento e controle a cargo do Estado.

Art. 282 – O Oficial do corpo, quadro ou serviço de saúde
ou veterinário que possua curso universitário, terá contado,
como tempo de efetivo serviço, um ano para cada cinco anos de
efetivo serviço prestado, até que esse acréscimo perfaça o total
de anos de duração do mencionado curso.

Art. 283 – O vencimento do integrante do Quadro do
Magistério será fixado, respeitado o critério de habilitação
profissional, a partir de valor que atenda às necessidades
básicas do servidor e às de sua família, e terá reajustes
periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo.
Parágrafo único – O vencimento será fixado com diferença
não excedente a cinqüenta por cento de um nível para outro da
carreira.

Art. 284 – Fica assegurada ao Professor e ao Regente de
Ensino, enquanto no exercício de regência ou na orientação de
aprendizagem, a percepção de gratificação de pelo menos dez por
cento de seus vencimentos, a título de incentivo à docência.

Art. 285 – Ao servidor público que tenha tempo de efetivo
exercício de magistério na iniciativa privada, na rede estadual,
federal ou municipal de ensino, é assegurada, em relação ao
respectivo tempo de serviço: (Redação dada pela Emenda à
Constituição 3, de 22/5/1992)
I – percepção da gratificação quinquenal, no índice
concedido ao integrante do Quadro do Magistério; (Redação
dada pela Emenda à Constituição 3, de 22/5/1992)
II – contagem proporcional do tempo de serviço, para fins
de aposentadoria e de percepção dos correspondentes adicionais.
(Redação dada pela Emenda à Constituição 3, de 22/5/1992)

Art. 286 – Considera-se como de Professor, para os fins de
aposentadoria e disponibilidade e de todos os direitos e vantagens
da carreira, o tempo de serviço de ocupante de cargo ou função do
Quadro do Magistério, ou do de Regente de Ensino, inclusive o de
exercício de cargo de provimento em comissão prestado em unidade
escolar, em unidade regional, no órgão central da educação ou em
conselho de educação. (Declarada a inconstitucionalidade –
ADIN 152. Acórdão publicado em 24/4/1992)

Art. 287 – A servidor submetido ao regime de convocação,
não ocupante de cargo efetivo, é assegurado o disposto no art.
36, I e II.

Art. 288 – A jornada de trabalho de ocupante de cargo das
classes de Especialista de Educação será cumprida no regime
básico de vinte e quatro horas semanais.
§ 1º – Ao ocupante de cargo das classes de que trata este
artigo fica ressalvado o direito de optar pelo regime de
quarenta horas semanais, assegurado o vencimento correspondente
a essa jornada.
§ 2º – A opção de que trata o parágrafo anterior poderá ser
manifestada no prazo de noventa dias contados da data do inicio
do respectivo exercício.

Art. 289 – Para o exercício em substituição de atividade de
magistério mediante designação para função pública, dar-se-á
prioridade ao servidor aprovado em concurso público para o cargo
correspondente.
Parágrafo único – No caso de vacância, só se aplica o
disposto neste artigo quando não houver candidato aprovado em
concurso público, ou, se houver, não aceitar a nomeação.

Art. 290 – O servidor público que desempenhe a sua
atividade profissional em unidade escolar localizada na zona
rural fará jus, proporcionalmente ao tempo de exercício na
mencionada unidade escolar:
I – a férias-prêmio em dobro, em relação às previstas no
art. 31, II, desde que integrante do Quadro de Magistério;
II – a gratificação calculada sobre seu vencimento e
adicionais inerentes à função, incorporável à remuneração.

Art. 291 – Para os fins do art. 203, o Estado apoiará,
prioritariamente, o ensino comunitário da rede estadual das
unidades da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade – CNEC.

Art. 292 – O disposto no art. 196, V, não se aplica às
instituições educacionais oficiais criadas por lei estadual e
existentes na data da promulgação da Constituição da República
que não sejam total ou preponderantemente mantidas com recursos
públicos.

Art. 293 – Fica assegurada a cada unidade do sistema
estadual de ensino público dotação mensal de recursos para os
fins de conservação, manutenção e funcionamento.

Art. 294 – O Estado manterá suas atuais instituições de
pesquisa ou as que lhes venham a suceder e lhes assegurará as
condições necessárias ao cumprimento do disposto na parte final
do parágrafo único do art. 212.
Parágrafo único – Fica mantida a Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de Minas Gerais com as atribuições constantes
do art. 212.

Art. 295 – Incumbe ao Estado, conjuntamente com os
Municípios, realizar censo para levantamento do número de
portadores de deficiência, de suas condições sócioeconômicas,
culturais e profissionais, e das causas da deficiência para
orientação do planejamento de ações públicas.

Art. 296 – O Estado instituirá apólice-seguro, com valor
definido em lei, que será devida e paga integralmente à família
da vítima de homicídio qualificado por motivo fútil ou torpe,
latrocínio, rapto ou seqüestro seguidos de morte ou de que
resulte incapacidade física, mental ou motora permanente.
Parágrafo único – O réu incurso em condenação definitiva
resgatará a apólice-seguro ao Estado, mediante ressarcimento em
amortizações iguais e sucessivas, pelo fruto do trabalho
assalariado prestado ao estabelecimento penal designado, e a
pena será proporcional à capacidade de quitação do débito, se
cumprida mais da metade da sentença condenatória.

Art. 297 – Os sistemas de informações pertencentes a órgãos
ou entidades da Administração Pública Estadual relativos à
segurança pública serão utilizados de forma integrada pelos
órgãos responsáveis por aquela atividade, conforme dispuser a
lei.

Art. 298 – Ao proprietário rural cujo imóvel seja atingido
por inundação causada por represamento de águas decorrentes de
construção de usina hidrelétrica serão assegurados, pelo Estado,
o fornecimento prioritário de energia elétrica e a recomposição
de malha rodoviária, na área de influência da barragem.

Art. 299 – A variação nominal da folha global de pessoal
de cada um dos Poderes do Estado, do Tribunal de Contas e da
Procuradoria-Geral de Justiça não poderá ser superior, em cada
quadrimestre, à variação nominal da receita estadual ocorrida no
período. (Acrescido pela Emenda à Constituição 11, de
17/12/1993. Efeitos retroativos a 1º/9/1993, de acordo com o
art. 2º da Emenda à Constituição 11, de 17/12/1993).
§ 1º – Para os efeitos do disposto neste artigo, considera-
se a data de 1º de janeiro como termo inicial do primeiro
quadrimestre.
§ 2º – A variação nominal da folha global de pessoal e a
composição da receita estadual a que se refere este artigo serão
apuradas segundo critérios definidos em lei.

Palácio da Inconfidência, 21 de setembro de 1989.

Kemil Kumaira – Presidente da ALMG
Clêuber Carneiro – 1º-Vice-Presidente
Geraldo Rezende – 2º-Vice-Presidente
Elmo Braz – 1º-Secretário
Márcio Maia – 2º-Secretário
Paulo César Guimarães – 3º-Secretário
Romeu Queiroz – 4º-Secretário
Jaime Martins – 1º Suplente
Eduardo Ottoni – 2º Suplente e Relator Adjunto
Anderson Adauto – 3º Suplente
Adelino Dias – 4º Suplente
Bonifácio Mourão – Relator

ATENDIMENTO AO CIDADÃO
  • Segunda à Sexta:
    09:00 às 17:00 hs
  • Fone:
    (37) 3288 - 1183
LOCALIZAÇÃO
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